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Capital

Encontrada em sacola, menininha ganha o nome de Aurora e segue internada no HU

Bebezinha está sendo amamentada com leite materno do banco de leite do Hospital Universitário e não precisou ir para UTI

Por Paula Maciulevicius Brasil | 30/01/2021 10:20
Bebezinha ganhou nome dentro de hospital e está recebendo todo carinho da equipe. A imagem foi registrada logo depois de criança ser encontrada no Guanandi ainda com o cordão umbilical. (Foto: Direto das Ruas)
Bebezinha ganhou nome dentro de hospital e está recebendo todo carinho da equipe. A imagem foi registrada logo depois de criança ser encontrada no Guanandi ainda com o cordão umbilical. (Foto: Direto das Ruas)

A recém-nascida que está internada no pronto socorro pediátrico do Hospital Universitário desde ontem (29), depois de ser encontrada em uma sacola plástica no Bairro Guanandi, em Campo Grande, tem ganhado todo o carinho do hospital, inclusive com uma lista de possíveis nomes.

Uma das enfermeiras que estava de plantão na chegada da bebezinha ao Hospital Universitário disse que a menininha tinha cara de "Ester". No entanto, a escolha foi por "Aurora", nome dado na manhã deste sábado (30). A opção não reflete em documentação nem nome oficial, é apenas uma forma amorosa de chamá-la.

Segundo reproduziu a assessoria de imprensa do HU, "está todo mundo apaixonado na menina". A equipe médica acredita que ela tenha nascido ontem mesmo (29), data em que foi encontrada. Aurora, que significa "nascer do sol" ou "aquela que brilha como ouro", também é o nome de uma deusa que na mitologia grega era a responsável em sobrevoar os céus anunciando o começo de um novo dia.

A recém-nascida está bem, dentro de um quadro clínico estável, e não precisou ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ainda de acordo com o hospital, é um bebê a termo, ou seja, nasceu dentro do tempo previsto da gestação e não é prematura, mas é considerada de baixo peso.

Com 2.100 quilos, a criança está sendo amamentada com leite materno do banco de leite do próprio hospital e segue internada sem previsão de alta, porque ainda precisa fazer exames.

O Conselho Tutelar está acompanhando todos os procedimentos e, após a alta, será levada para um lar temporário.

Encontrada - Foi uma avó que passeava com o netinho de 10 meses que viu a sacolinha com a recém-nascida na calçada da Rua Cocal, no Guanandi II, nessa sexta-feira (29). “Foi coisa de Deus eu ter encontrado ela. Ela poderia se sufocar, poderia estar chovendo, poderia ter acontecido tanta coisa. Graças a Deus ela está viva”, disse Roseli da Silva, de 48 anos, ao Campo Grande News.

Ela afirmou que seguiu caminhando em direção à Rua Clevelândia e na volta, cerca de 30 minutos depois, viu a sacola se mexer e em seguida escutou um choro. “Ela chorava, mas pouquinho. Fiquei apavorada. Chamei um vizinho que estava perto e depois toquei a campainha da casa onde a criança estava em frente”, explicou.

A dona da casa não viu ninguém, porém disse que chegou a escutar os cachorros latirem. Ambas levaram a bebê para dentro do imóvel e colocaram uma fralda nela. “Depois a vizinha ligou para um advogado para saber o que deveria fazer e depois levou ela no hospital”, afirmou.

A Polícia Civil procura por câmeras de segurança que possam ter flagrado o momento em que a criança é deixada. O caso está sendo investigado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Bebê foi encontrada ainda com cordão umbilical. (Foto: Direto das Ruas)
Bebê foi encontrada ainda com cordão umbilical. (Foto: Direto das Ruas)

Entregar filho para adoção não é crime - Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. Em 2017, a Lei 13.509/2017, chamada de “Lei da Adoção”, trouxe alterações ao Estatuto da Criança e do Adolescente e incluiu a chamada “entrega voluntária”, por meio da qual a mãe ou gestante faz a entrega do filho ou recém-nascido para adoção por meio de um procedimento acompanhado pela Justiça.

Sancionada em novembro do ano passado, existe também uma lei estadual que obriga a divulgação de informações afixadas em lugar visível sobre como entregar um filho para adoção em todas as unidades de saúde e hospitais.

No Tribunal de Justiça do Estado, desde 2011 a Vara da Infância e Juventude tem o projeto "Dar a luz" que acolhe gestantes que desejam entregar seus bebês para adoção com escuta psicológica e de assistência social, além de todo apoio legal para a entrega.

Interessados em conhecer um pouco mais sobre o projeto podem procurar a Vara da Infância, Juventude e do Idoso de Campo Grande, no Fórum. O telefone é o: 3317-3548 e o endereço é Rua da Paz, 14 - Térreo, Bloco 02.

*Matéria editada às 11h para correção de informação. A equipe que cuida carinhosamente da criança resolveu que Aurora cabia melhor ao bebê do que Ester, o nome escolhido primeiro.

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