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22/04/2015 13:00

Envolvido em extorsão criou em agosto 2 empresas para “evangelizar”

Aline dos Santos
Luciano foi preso no dia 16 após flagrante de extorsão. (Foto: Reprodução/Facebook)Luciano foi preso no dia 16 após flagrante de extorsão. (Foto: Reprodução/Facebook)

Em 17 dias, Luciano Roberto Pageu, que está preso acusado de extorsão contra o vereador Alceu Bueno (PSL), abriu duas empresas voltadas à evangelização.

Conforme dados da Receita Federal, a partir de consulta do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), ambas foram abertas em agosto de 2014, sendo o Grupo Altar (cujo nome é Luciano Roberto Pageu Eireli-ME) no dia 1º e a Revista Altar Ltda – ME, no dia 18. “A Revista Altar é uma revista que chegou para impactar vidas, evangelizar e pregar o evangelho” informa a publicação no Facebook.

Em 2012, em processo sobre apropriação indébita, o agora empresário, que se denomina Luciano Altar, informou ter outra atividade: corretor de automóveis.

A primeira empresa tem como principal atividade econômica serviço de agência de publicidade. A Revista Altar, cuja sócia é Sirlei Justi, também tinha o serviço de agência como principal atividade, mas com comércio varejista de jornais e revistas. Ambas tem capital social de R$ 100 mil. O valor é declarado por quem abre a empresa, mas a fiscalização sobre o lastro ou não é do Fisco.

Em 22 de agosto, quatro dias após a abertura da segunda empresa, Luciano assinou um termo de autorização de uso com a Funesp (Fundação Municipal de Esporte) para utilizar as dependências do parque Ayrton Senna, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

O documento, publicado no Diário Oficial de 19 de setembro de 2014, previa o uso em cinco datas: 12, 20 e 27 de setembro, além de 12 e 13 de dezembro. O parque receberia show, evangelização, vigília e conferência. No campo valor, o termo informa que foi “mediante isenção da tarifa de utilização com permuta”. De acordo com portaria da Funesp, a diária pelo uso do complexo sem as piscinas é de R$ 5 mil.

Exploração sexual – Luciano Pageu, 40 anos, foi preso no dia 16 de abril, em Campo Grande, quando recebia R$ 15 mil do vereador Alceu Bueno. O flagrante foi feito pela DPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), após o vereador denunciar extorsão. A ação também resultou na prisão do ex-vereador Robson Martins, que em 2003 renunciou após denúncia de exploração sexual infantil. Ao fim do processo, ele foi inocentado pelo TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Alceu Bueno procurou a DEPCA no dia 16 e acusou Robson e Luciano de extorsão. O parlamentar disse já ter pago R$ 100 mil e o motivo foi de que uma cafetina teria vídeos de Alceu mantendo relações sexuais com as menores de idade. Porém, o vereador desconfiava que a cafetina fosse fictícia, ou seja, de que a chantagem era orquestrada por Robson e Luciano.

Em depoimento, Luciano disse que soube do caso por meio de Fabiano Viana Otero, que já prestou serviço em sua empresa, e tentou auxiliar o vereador, inclusive, contatando Robson, que é advogado. A prisão de Fabiano, suspeito de induzir adolescentes a filmar os encontros, foi decretada e ele deve se apresentar.

A reportagem tentou ouvir a sócia de Luciano, mas o telefone fixo da revista Altar só dá ocupado e celular não foi atendido.

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