“Eu não condeno ele”, diz filho em julgamento por morte de Jussara
Depoimento marca júri de acusado de feminicídio ocorrido em setembro de 2024
“Eu não condeno ele”, disse o filho de Jussara Gimenez Pereira dos Santos em depoimento no julgamento do pai de consideração, acusado pela morte da mulher. Jussara morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo na tarde de 26 de setembro de 2024.
RESUMO
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O Tribunal do Júri ocorre nesta terça-feira (16), sob a presidência do juiz de Direito Carlos Alberto Garcete, do 1º Tribunal do Júri. O réu, Alfredo Netto, responde por feminicídio e porte ilegal de arma de fogo. A defesa fica a cargo do advogado Willer Souza Alves de Almeida. A acusação fica a cargo do promotor José Arturo Iunes Bobadilla.
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O primeiro a ser ouvido nesta manhã foi o filho mais velho da vítima, Douglas Aparecido. Durante o depoimento, ele explicou que é filho biológico apenas de Jussara e passou a ser criado por Alfredo a partir dos 12 anos. No entanto, ele considera o réu como seu pai.
“Essa pessoa que vocês estão vendo [o réu] é quem me criou. Eu seria a pessoa mais aborrecida do mundo com a situação e eu não condeno ele, porque eu sei o homem que ele foi para a minha mãe e sei o pai que ele foi para mim, eu sei quem ele é”, afirmou aos jurados.
Durante os quase 40 minutos de depoimento, Douglas detalhou o relacionamento do casal. Segundo ele, os dois levavam uma vida comum, descrevendo a mãe como explosiva e o pai de consideração como calmo e controlado.
“Eles eram assim, 90% Jussara e 10% Alfredo, ela comandava o casamento. Hoje eu sou o mais prejudicado, sou órfão de pai e mãe”, disse. Em outro momento, afirmou que o ocorrido com a mãe “foi uma fatalidade”.
Douglas também relatou que o desejo de ter uma arma em casa partia da mãe, mas afirmou não saber como ou quando ela foi adquirida. No dia do disparo, ele contou que foi avisado pelo pai por telefone. “Meu filho, me ajuda, aconteceu um acidente. Perguntei que acidente”, relembrou.
Durante o depoimento, Douglas falou ainda sobre problemas de saúde do casal. Segundo ele, Jussara tinha glaucoma degenerativo das córneas, possuía visão parcial e dirigia mesmo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Já Alfredo é portador de Parkinson desde os 42 anos e tem dificuldade de locomoção.
Outro ponto abordado no julgamento foi a depressão do réu. Conforme relatado, ele teria dito que carregava a arma no dia por pretender cometer suicídio. Alfredo, no entanto, afirmou ao juiz que saiu de casa com a arma para proteger filhos e netos, já que o casal viajaria para uma cidade do interior. Segundo ele, durante o trajeto, mudou de ideia e pensou em atentar contra a própria vida.
“Conversando com ela eu disse que estava descontente com a minha vida, não aguentava mais sofrer, todo dia tomando remédio. Eu falei para ela me deixar lá que eu vou ficar esperando e você volta para casa. Falei que ficaria com a arma, parei o carro e ela pulou na minha frente, puxou para o lado dela e disparou a arma”, afirmou.
O disparo é tratado como acidental pela defesa. Alfredo relatou que, após o ocorrido, ficou “desesperado” e “sem saber o que fazer”, percorrendo cerca de cinco minutos antes de retornar e seguir em direção ao hospital. Questionado pelo promotor sobre como tinha certeza de que o disparo havia sido feito por Jussara, respondeu: “porque não fui eu”.
Durante o interrogatório, o réu chorou. Em determinado momento, o juiz Carlos Garcete perguntou se ele queria interromper o depoimento. “Vamos continuar e que seja o que Deus quiser”, respondeu.
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