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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

31/05/2016 17:13

Ex-governador preso será transferido ao Presídio Federal de Campo Grande

João Humberto
Neudo Ribeiro Campos foi condenado por envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas (Foto: Divulgação/Juventude Roraima)Neudo Ribeiro Campos foi condenado por envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas (Foto: Divulgação/Juventude Roraima)

Neudo Ribeiro Campos, ex-governador de Roraima, será encaminhado ao Presídio Federal de Campo Grande a pedido do MPF/RR (Ministério Público Federal em Roraima), por entender que ele tem usufruído de sua estreita proximidade com a chefia do Executivo estadual para obstruir o cumprimento de decisões e o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal, tendo até utilizado a estrutura da Polícia Militar do Estado para essa finalidade. A Justiça Federal de Mato Grosso do Sul autorizou a transferência.

Segundo informações do MPF/RR, o prazo para a permanência do ex-governador de Roraima no Presídio Federal é de 360 dias, com possibilidade de renovação. Neudo estava preso em um quarto da Superintendência da Polícia Federal desde o dia 24 de maio e, durante inspeção do grupo de controle externo da atividade policial, membros do Ministério Público Federal constataram que ele ocupava instalações adequadas, compatíveis com os direitos humanos que se deve garantir às pessoas presas.

Foi verificado que o ex-governador estava em um quarto com cama, banheiro, ar condicionado e TV a cabo. Antes, a suíte era destinada ao descanso dos policiais federais plantonistas. Segundo o MPF, a Polícia Federal permitia visita irrestrita de médicos e advogados e que, somente no domingo (29), cerca de cinco médicos foram examiná-lo.

Fuga para Venezuela - Neudo deveria ficar temporariamente na PF a pedido do MPF, já que durante as tentativas de cumprimento dos mandados de prisão expedidos contra ele, desde fevereiro deste ano, verificou-se a utilização da estrutura do Poder Executivo do Estado de Roraima para favorecer a fuga do ex-governador e obstruir a atuação policial. Por conta desse favorecimento, dois policiais lotados na Casa Militar e a secretária-adjunta de Relações Internacionais foram presos; eles arquitetavam plano de fuga de Neudo para a Venezuela.

Com as provas colhidas pela investigação, os procuradores da República entenderam que, da mesma forma que exerceu influência sobre autoridades do Estado de Roraima para frustrar o cumprimento de vários mandados de prisão expedidos pela Justiça, “Neudo Ribeiro Campos pode valer-se dessa influência para frustrar a execução da sua pena privativa de liberdade, caso seja entregue à custódia de autoridades subordinadas ao Governo do Estado de Roraima”, detalha a ação.

Pelos fortes indícios de que esse favorecimento também pode se refletir na execução da pena do ex-governador caso ele permaneça em Roraima, o MPF apresentou pedido de transferência de Neudo Campos para o Sistema Penitenciário Federal, segundo a assessoria do Ministério Público Federal em Roraima. O pedido do MPF foi acatado pela Justiça Federal e pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional), que indicou o presídio federal de Campo Grande para o cumprimento da pena.

Caso – Neudo Ribeiro Campos foi condenado por envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas, conhecido como “Escândalo dos Gafanhotos”, que consistia no cadastramento de funcionários “fantasmas” na folha de pagamento do Estado e do DER/RR (Departamento de Estradas e Rodagem de Roraima), para distribuição dos salários a deputados estaduais e outras autoridades em troca de apoio político.



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