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Lado Rural

Safra de MS deve crescer 6% e chegar a 30,3 milhões de toneladas

Conab aponta aumento de área e produtividade no Estado, enquanto milho tem colheita atrasada pelo frio

Por Jhefferson Gamarra | 13/08/2026 15:33
Safra de MS deve crescer 6% e chegar a 30,3 milhões de toneladas
Grãos de soja colhidos na safra 25/26 em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Aprosoja)

Mato Grosso do Sul deve encerrar a safra 2025/26 com produção estimada em 30,32 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 6% em relação ao ciclo anterior, quando foram produzidas 28,60 milhões de toneladas. O avanço coloca o Estado entre os principais produtores do país e ocorre mesmo com impactos climáticos sobre algumas culturas. Os dados são do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (13) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

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Mato Grosso do Sul deve encerrar a safra 2025/26 com produção de 30,32 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 6% ante o ciclo anterior, segundo a Conab. A área cultivada chegará a 6,89 milhões de hectares, alta de 3,8%. No país, a estimativa é de 360,75 milhões de toneladas. O milho enfrenta atrasos na colheita por baixas temperaturas, enquanto soja e sorgo sustentam o desempenho. O clima segue como principal fator de risco para as projeções.

A estimativa para Mato Grosso do Sul considera 6,89 milhões de hectares cultivados, área 3,8% maior que os 6,65 milhões de hectares do ciclo 2024/25. A produtividade média também avançou, passando de 4.303 para 4.398 quilos por hectare, alta de 2,2%.

O resultado estadual acompanha a expansão projetada para a produção brasileira. Em todo o país, a Conab estima 360,75 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas a mais que no ciclo anterior. A área cultivada deve alcançar 83,46 milhões de hectares, crescimento de 2,1%, enquanto a produtividade média nacional está estimada em 4.322 quilos por hectare, 0,3% acima da safra passada.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul aparece com a terceira maior produção estimada, atrás de Mato Grosso, com 114,96 milhões de toneladas, e Goiás, com 33,12 milhões. O Estado fica à frente do Distrito Federal, estimado em 943,4 mil toneladas. A produção do Centro-Oeste está calculada em 179,35 milhões de toneladas.

Milho concentra atenção - Entre as culturas de segunda safra, o milho é um dos principais pontos de atenção em Mato Grosso do Sul. A Conab relata que o avanço da colheita no Estado foi prejudicado pelas baixas temperaturas e pelas precipitações, que prolongaram o ciclo da cultura e retardaram a perda natural de umidade dos grãos. Com isso, a entrada de máquinas em diversos talhões foi limitada.

Nas regiões sul, de fronteira e nordeste, a colheita estava mais adiantada. Nas demais áreas, o plantio mais tardio, a maior umidade durante o desenvolvimento e o frio no fim do ciclo deixaram os cultivos mais atrasados.

A Conab afirma que os primeiros talhões colhidos na porção oeste apresentaram produtividade considerada excelente, embora abaixo do potencial inicialmente esperado. A companhia atribui parte dessa diferença aos vários dias encobertos durante o enchimento dos grãos, que resultaram em espigas com enchimento deficiente.

Na região centro-sul, os primeiros lotes apresentaram qualidade satisfatória e baixa incidência de grãos avariados. A companhia, porém, aponta preocupação com as áreas que ainda serão colhidas, devido ao risco de aumento de grãos fermentados, ardidos e outras avarias. Entre os fatores citados estão a incidência de lagartas no início do ciclo, o excesso de precipitações em maio e junho e características de alguns híbridos que favorecem o acúmulo de água nas espigas.

No levantamento nacional, a produção da segunda safra de milho está estimada em 111,03 milhões de toneladas, 1,9% abaixo do ciclo anterior. No início de agosto, 69,1% da área estimada para essa cultura já havia sido colhida, abaixo da média das últimas safras, de 74,5%. Mato Grosso do Sul estava entre os estados com atraso mais significativo na colheita.

Soja sustenta o resultado - A soja continua sendo uma das principais culturas responsáveis pelo desempenho da produção brasileira. No país, a Conab estima 180,46 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 5,2% sobre as 171,48 milhões de toneladas do ciclo anterior. A área nacional cresceu 2,7%, enquanto a produtividade avançou 2,5%.

Em Mato Grosso do Sul, a produção total de grãos projetada pela Conab passou de 28,60 milhões para 30,32 milhões de toneladas. O aumento de 1,72 milhão de toneladas foi acompanhado por crescimento tanto da área cultivada quanto do rendimento médio das lavouras.

Sorgo ganha espaço - O sorgo também aparece no cenário da safra estadual. A Conab destaca que, em Mato Grosso do Sul, o predomínio de tempo firme e os baixos volumes de chuva favoreceram a maturação, a redução da umidade dos grãos e o início da colheita nas áreas semeadas no começo da janela de cultivo.

Nos talhões plantados mais tarde, a redução da disponibilidade de água durante o enchimento dos grãos pode limitar parcialmente o potencial produtivo. Mesmo assim, as lavouras apresentam condições consideradas satisfatórias devido à maior tolerância do sorgo ao déficit hídrico.

A expansão do sorgo é observada também no cenário nacional. A área cultivada com a cultura deve crescer 32,9%, chegando a 2,17 milhões de hectares, enquanto a produção está estimada em 7,37 milhões de toneladas, alta de 20,7% sobre a safra anterior.

Algodão tem colheita pela metade - No algodão, as lavouras de Mato Grosso do Sul apresentam boas condições e mantêm o potencial produtivo. Na região central, chuvas regulares favoreceram o desenvolvimento, enquanto nos Chapadões o retorno das precipitações restabeleceu a umidade do solo, beneficiando principalmente os cultivos mais tardios.

Nas regiões norte e nordeste, o clima favoreceu o desfolhamento das áreas mais adiantadas e o avanço da colheita, que já alcançava metade da área cultivada no momento do levantamento. O bicudo-do-algodoeiro é apontado como principal alvo de monitoramento, enquanto o clima mais seco favoreceu o aumento da população de pulgões, exigindo medidas de controle.

No país, a produtividade do algodão em pluma está estimada em 2.024 quilos por hectare, a maior da série histórica da Conab para a cultura. A produção deve chegar a 4,08 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, apesar da redução de 3,2% na área cultivada.

Trigo avança em MS, mas com atenção ao clima - O trigo também está entre as culturas acompanhadas pela Conab no Estado. Em Mato Grosso do Sul, ondas de frio e chuvas regulares têm mantido níveis adequados de umidade e contribuído para a sanidade das lavouras. A elevada nebulosidade, por outro lado, favoreceu a ocorrência de brusone, com reflexo na estimativa de rendimento.

As lavouras de trigo sul-mato-grossenses estavam predominantemente entre as fases de enchimento de grãos e maturação no período analisado. No cenário nacional, a área cultivada com trigo recuou 20,4%, enquanto a produção estimada caiu 26,2%, para 5,81 milhões de toneladas.

Clima segue como fator de risco - A avaliação climática da Conab mostra que julho teve baixos volumes de chuva em grande parte de Mato Grosso do Sul, embora a umidade disponível no solo tenha sido suficiente para as lavouras de trigo. As condições permaneceram favoráveis à maturação e à colheita do algodão e do milho segunda safra.

Para agosto, setembro e outubro, a previsão utilizada pela Conab indica irregularidade das chuvas no Centro-Oeste, com predomínio de volumes abaixo da média. A exceção inclui áreas do sul de Mato Grosso do Sul, onde as chuvas podem ficar próximas ou acima da média.

A Conab também registra o início de condições de El Niño de intensidade forte e aponta, com base no modelo do Instituto Internacional de Pesquisa em Clima, probabilidade de 100% de persistência do fenômeno durante o trimestre agosto-outubro de 2026.
 A estimativa de produção, no entanto, ainda pode sofrer alterações. Segundo a metodologia da Conab, os números são atualizados mensalmente e levam em consideração as condições climáticas observadas e os prognósticos até o fim do cultivo. Por isso, eventos climáticos adversos ou excepcionalmente favoráveis podem alterar as projeções.