Família pede na justiça prontuários médicos de menino morto após idas à UPA
Conforme certidão, João Guilherme, de 9 anos, sofreu insuficiência respiratória e infecção generalizada

A família de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, que morreu após passar por atendimentos em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Campo Grande, vai entrar com pedido judicial para ter acesso aos prontuários médicos do menino, que morreu no dia 7 de abril. A mãe, Regiane Jorge, de 45 anos, afirmou em entrevista, nesta terça-feira (14), que o filho era saudável e que tudo começou após uma queda enquanto brincava com amigos.
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A família de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morto em 7 de abril após atendimentos em UPAs de Campo Grande, busca acesso judicial aos prontuários médicos do menino. A mãe relata que o filho era saudável e adoeceu após uma queda. O advogado aponta indícios de negligência. A prefeita Adriane Lopes prometeu investigação. O caso foi registrado como homicídio culposo na Depac Centro.
“Meu filho era uma criança saudável, não tinha problema nenhum. Foi uma queda, machucou o joelho. A gente foi uma, duas, três vezes procurar atendimento e ninguém fez nada. Era para ele estar aqui comigo”, disse, emocionada.
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Segundo a mãe, o menino começou a sentir dores após o acidente e, em poucos dias, o quadro se agravou. “Em menos de quatro dias eu perdi meu filho. Era um menino saudável, não tinha nada. Foi uma fatalidade. Eu quero justiça pelo meu filho e por outras crianças que podem passar por isso”, afirmou.
Regiane relata que o filho chegou a ser atendido na Santa Casa, onde recebeu imobilização no joelho, mas o estado de saúde piorou rapidamente. “Começou o sofrimento. Era correr de um lado para o outro e ninguém fazia nada”, disse.
A tia da criança, Adriana Soares, que acompanhou parte do atendimento, contou que o menino deu entrada na unidade médica do Bairro Universitário já em estado grave. “Quando ele chegou, estava praticamente desmaiado. Não tinha maca e atenderam ele no chão. Depois falaram que iam entubar porque ele não estava respirando”, relatou.
Ainda conforme a familiar, houve momentos de desencontro de informações durante o atendimento. “Disseram que não tinham conseguido reanimar, depois voltaram dizendo que tinham conseguido. Ficamos esperando transferência para a Santa Casa”, contou.
Na unidade hospitalar, o quadro voltou a piorar. Segundo a tia, João Guilherme sofreu novas paradas cardíacas. “Tentaram reanimar várias vezes, mas não teve mais jeito”, disse.
A família também relata que, antes da piora, o menino passou a reclamar de dor no peito e apresentou manchas pelo corpo. “Ele só reclamava do joelho, depois começou a falar de dor no peito. Apareceram umas pintinhas pelo corpo. A gente nunca tinha visto isso antes”, afirmou a tia.
Ainda segundo a mãe, ela quer justiça pelo filho e afirma que não sabe dimensionar a dor que ele sentiu nem o que enfrentou durante o atendimento. Abalada, diz que a luta agora é por ele e por outras crianças que podem passar pela mesma situação. Regiani também questiona a qualidade do serviço oferecido. “Muitas crianças estão morrendo, como o meu filho. Ninguém vai trazer ele de volta”, finalizou.
Conforme o advogado do caso, Givanildo de Paula, os pedidos para acesso aos prontuários de atendimento da Santa Casa foram negados. Diante disso, a defesa deve ingressar com pedido de liminar para obter os documentos. O advogado afirma ainda que, a partir das informações já levantadas, há indícios de possível negligência no atendimento prestado à criança.
Segundo ele, a equipe também pretende solicitar os prontuários da rede municipal por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), via Ministério Público. Caso haja demora ou negativa, a obtenção dos registros também será buscada judicialmente.
Responsabilização - Em entrevista à imprensa, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que a morte de João será investigada. “A responsabilização vai vir. Nós contratamos prestadores de serviço para o município, e essa investigação será feita. Mas o ocorrido não foi dentro da UPA [Unidade de Pronto Atendimento], foi dentro do hospital”, disse.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.
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