Fila de até 4 anos por exame do sono vira alvo de investigação na Capital
Mais de 650 pacientes aguardam polissonografia pelo SUS; exame identifica distúrbios que afetam respiração

A longa espera por um exame essencial para diagnosticar distúrbios do sono passou a ser investigada em Campo Grande. Dados apontam que mais de 650 pacientes do SUS aguardam por polissonografia, com casos que ultrapassam quatro anos na fila.
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Mais de 650 pacientes do SUS em Campo Grande aguardam pela polissonografia, exame utilizado para diagnosticar distúrbios do sono como apneia e insônia. Casos registrados desde março de 2022 revelam uma espera média de 70 meses. A oferta está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, com apenas nove vagas mensais. Entraves estruturais e ausências nos agendamentos agravam a situação.
O exame, conhecido como “exame do sono”, é utilizado para identificar problemas como apneia, insônia e outras alterações que comprometem a respiração e o descanso durante a noite. Sem o diagnóstico, o paciente pode desenvolver complicações como cansaço extremo, dificuldade de concentração e até problemas cardíacos.
Levantamento feito a partir de informações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mostra que a fila inclui solicitações antigas, com registros desde março de 2022. Em média, o tempo de espera chega a 70 meses, muito acima do considerado aceitável.
Atualmente, a oferta do exame está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, que disponibiliza apenas nove vagas por mês. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames, número insuficiente diante da demanda acumulada.
Além da baixa oferta, também foram identificados entraves estruturais. Entre eles, a falta de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e a ausência de classificação específica para os profissionais responsáveis pela realização do procedimento, o que dificulta a organização do serviço.
Outro problema é a ausência de pacientes nas datas marcadas. Em outubro de 2025, por exemplo, apenas 11 dos 24 agendados compareceram, o que contribui para o atraso na fila.
Diante do cenário, foram solicitadas informações sobre medidas para ampliar a oferta do exame, como a contratação de novos prestadores e a ampliação da capacidade de atendimento. Também foram cobrados esclarecimentos sobre a estrutura disponível para realização da polissonografia.
A apuração faz parte de um conjunto de ações que analisam a demora em exames especializados na rede pública da Capital, como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia digestiva.
O Campo Grande News solicitou resposta ao Hospital Universitário e segue com o espaço aberto para esclarecimentos.

