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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

18/08/2013 08:00

Fundada entre 2 córregos, Capital vê assoreamento ameaçar água

Viviane Oliveira
Fundada entre 2 córregos, Capital vê assoreamento ameaçar água

Campo Grande, que neste mês completa 114 anos, começou com a confluência dos córregos Segredo e Prosa e, ao logo dos anos junto com desenvolvimento urbano veio o problema do assoreamento. Hoje, basta dar uma volta pelos principais córregos, rios, lagos e nascentes da cidade para perceber que o movimento das águas, quando tem, divide espaço com grandes bolsões de areia.

Cenário, por exemplo, visto em uma das nascentes do córrego Segredo, localizada na região Norte, e a do Sóter, situada dentro do parque do mesmo nome. As belíssimas paisagens que os moradores mais antigos ainda relembram já não existem mais.

O geólogo mestre em Meio Ambiente e consultor na área ambiental, Luiz Antônio Paiva, explica que o crescimento urbano, sem planejamento, impermeabiliza o solo e a água que deveria infiltrar para o subsolo acaba escoando na superfície.

Com força, principalmente em região com rocha frágil, a água vai escavando até atingir o nível freático, que vira uma erosão onde todo material vai parar ao longo de algum córrego, entupindo tudo com areia.

Água, quando tem, divide espaço com grandes bolsões de areia. (Foto: Marcos Ermínio) Água, quando tem, divide espaço com grandes bolsões de areia. (Foto: Marcos Ermínio)

É o que acontecia na avenida Marquês de Herval, no bairro Nova Lima, onde fica uma das nascentes do córrego Segredo, numa área do Exército. Lá, por muitos anos se destacou um processo erosivo, que além de assorear os rios, causava transtornos aos moradores quando, em época de chuva, abria uma cratera gigante no meio da rua.

Conforme o geólogo, em locais de solos frágeis, o cuidado deve ser redobrado no lançamento da água pluvial, principal causa do processo erosivo, que resulta em assoreamento. “Um córrego assoreado passa a correr mais lento e, com o passar do tempo, o ecossistema modifica, diminui o volume de água, causando inundações”, diz.

Uma das principais causas do assoreamento da nascente do Segredo era a erosão do Nova Lima, que depositava uma grande quantidade de terra no rio. Para sanar o problema, foram feitas várias barreiras de contenção para quebrar a energia e reduzir o volume da água.

Geólogo em uma das nascentes do córrego Segredo, no bairro Nova Lima.  (Foto: Marcos Ermínio)Geólogo em uma das nascentes do córrego Segredo, no bairro Nova Lima. (Foto: Marcos Ermínio)
Sara relembra de quando as águas do Segredo batiam na cintura. (Foto: Marcos Ermínio) Sara relembra de quando as águas do Segredo batiam na cintura. (Foto: Marcos Ermínio)

Privilegiada em morar próximo a uma das pontes que passa o Segredo, a massagista Sara Correa, 48 anos, relembra quando as águas batiam na cintura. Ela mora na avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo (prolongamento da avenida Ernesto Geisel), na região do bairro Estrela do Sul e chegou a gravar um vídeo falando do assoreamento no local, consequência da erosão no Nova Lima.“Hoje a areia tomou conta de quase tudo”, reclama.

Além de assoreado, não é difícil encontrar lixo nas nascentes dos córregos em perímetro urbano jogado pela própria população. Em uma das nascentes do Segredo, no bairro Morada Verde, cerca de 300 famílias que vivem no local conhecido por favela da Portelinha, jogam tudo quanto é tipo de resíduos no córrego.

A auxiliar de serviços gerais Jucileide dos Santos, 36 anos, é uma das que aguarda uma casa popular para sair da área, que pertence a Prefeitura. “Fico chateada quando vejo as pessoas jogando lixo no córrego, não há necessidade disso, a coleta seletiva passa três vezes por semana aqui”, lamenta.

Uma das nascentes do Segredo, na região do bairro Estrela do Sul. (Foto: Marcos Ermínio) Uma das nascentes do Segredo, na região do bairro Estrela do Sul. (Foto: Marcos Ermínio)

Segundo o geólogo, antes era mais comum as cidades crescerem sem planejamento urbano. Atualmente tem que ter planejamento, licenciamento ambiental para implantar um bairro. “Antigamente o pessoal simplesmente ia ocupando, construindo casas, asfaltando, impermeabilizando o solo. Quando chovia não tinha uma estrutura para quebrar a força da água, que  sem ter para onde escoar ia detonando tudo e causando erosão”, explica.

Os bairros que compõem a microbacia do Segredo são: Seminário, Monte Castelo, São Francisco, Cruzeiro, Cabreúva e parte dos bairros Mata do Segredo, Nasser, Coronel Antonino, Nova Lima, Novos Estados, Mata do Jacinto, Margarida, Sobrinho, Planalto, Centro, Autonomista, Santa Fé, Jardim dos Estados e Amambaí.

Alguns moradores da favela conhecida como Portelinha, no bairro Morada Verde, joga lixo às margens do Segredo. (Foto: Marcos Ermínio)Alguns moradores da favela conhecida como Portelinha, no bairro Morada Verde, joga lixo às margens do Segredo. (Foto: Marcos Ermínio)
Segredo e Prosa se encontram no Horto Florestal. (Foto: Marcos Ermínio) Segredo e Prosa se encontram no Horto Florestal. (Foto: Marcos Ermínio)

Prosa - A microbacia do Prosa é composta pelos córregos Prosa, Sóter, Pindaré, Desbarrancado, Joaquim Português, Reveillon e Vendas. No trecho da voçoroca do parque Sóter existe processo erosivo ativo, que assoreou parte do lago do parque com o mesmo nome.

Os bairros que compõem a microbacia do Prosa são: Carandá, Itanhangá, Bela Vista e parte dos bairros Novos Estados, Estrela Dalva, Mata do Jacinto, Margarida, Autonomista, Veraneio, Santa Fé, Chácara Cachoeira, Jardim dos Estados, Centro, Glória, Monte Líbano, São Bento, TV Morena, Vilas boas, São Lourenço, Tiradentes, Noroeste, Carvalho, Amambaí e Chácara dos Poderes.

No total, Campo Grande tem 33 córregos e o rio Anhanduí, que integram 10 microbacias espalhadas por todo o município.



Quando a ocupação das margens eram naturais pelos ribeirinhos eles sabiam dosar o quanto que podiam desmatar. Aí chegou o "progresso" com gente "entendida" que não poupou nada, arrebentando tudo, aterrando nascentes, sepultando córregos e estuprando as margens dos rios, com as Anhandui´; desobedecem a lei do solo e principalmente ignoram a prevenção das margens dos riachos e das áreas de preservação, como a do Parque das Nações Indígenas. Está na hora dos futuros administradores das cidades verificarem as desapropriações em curso em vários pontos do Oriente para refazerem as tortuosidades naturais/flora/fauna outrora existentes. Basta de "obras" caríssimas, improdutivas e destruidoras do meio ambiente, da vida....
 
Oswaldo Rodrigues em 18/08/2013 17:21:57
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