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Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão

Consequência foi comunidade sem abastecimento em diferentes bairros de Campo Grande

Por Ana Paula Chuva | 15/09/2026 09:13
Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão
Três dos integrantes da quadrilha dentro da estação no São Conrado (Foto: Reprodução)

Uma sequência de furtos de cabos de cobre em unidades da Águas Guariroba provocou prejuízo de R$ 503,2 mil à concessionária de abastecimento de água de Campo Grande entre janeiro e agosto deste ano. Além do prejuízo financeiro, as ações criminosas afetaram o funcionamento de estações responsáveis pela captação e distribuição de água, provocando desabastecimento em diferentes bairros da Capital.

RESUMO

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Furtos de cabos de cobre em unidades da Águas Guariroba causaram prejuízo de R$ 503,2 mil à concessionária entre janeiro e agosto, com 54 ocorrências registradas e 1.517 metros de cabos subtraídos. A Derf investigou e indiciou integrantes de uma organização criminosa. O líder do grupo, Bruno Batista Felix da Silva, 32 anos, foi preso no domingo (13).

As ações são atribuídas a uma organização criminosa investigada pela Derf (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos). Apontado como chefe do esquema, Bruno Batista Felix da Silva, de 32 anos, foi preso no último domingo (13), em um dos desdobramentos da investigação.

Conforme o inquérito conduzido pelo delegado José Roberto de Oliveira Júnior, a concessionária registrou 54 ocorrências entre 28 de janeiro e 29 de agosto. Ao todo, foram furtados aproximadamente 1.517 metros de cabos, avaliados em R$ 176 mil. Outros R$ 327 mil foram gastos com reparos emergenciais e substituição de equipamentos danificados para que o sistema pudesse voltar a operar.

A investigação aponta que os crimes não eram ações isoladas. Os suspeitos teriam estabelecido uma divisão de tarefas para agilizar a invasão das unidades, retirada dos cabos e fuga. Os investigadores também identificaram um padrão de atuação que se repetia nas ocorrências: os criminosos invadiam as estações, rompiam obstáculos, cortavam a fiação e deixavam os locais rapidamente com o material.

Segundo os autos, Jefferson Ferreira da Silva, de 34 anos, conhecido como “Pocinho”, teve participação direta nas ações. Em depoimento prestado à Polícia Civil em 1º de setembro, ele confessou envolvimento nos furtos e relatou que a frequência dos crimes havia aumentado nos meses mais recentes, chegando a ocorrer quase diariamente.

Ainda conforme o depoimento, Jefferson recebia cerca de R$ 400 por ação concluída. O pagamento era feito após a venda do cobre retirado das estações. Quando o furto não era concluído ou não havia material suficiente para comercialização, os integrantes ficavam em dívida com o responsável pelo grupo.

Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão
Dupla na unidade no Pênfigo no dia 18 de agosto deste ano (Foto: Reprodução)

Divisão de tarefas - A apuração da Derf identificou funções distintas entre os investigados. Jefferson atuava diretamente na retirada dos cabos ao lado de Tiago da Silva Flores e José Renato de Arruda Rodrigues, conhecido como “Arrevoada”. O trio era responsável por entrar nas unidades, cortar a fiação e retirar o cobre.

Bruno, apontado pela polícia como chefe da organização, teria a função de monitorar a movimentação no entorno das estações, observando a presença de moradores e policiais. Ele também participava do carregamento do material e, segundo a investigação, controlava a comercialização do cobre e o pagamento aos executores.

Luis Carlos da Silva era responsável pela condução dos veículos utilizados pelo grupo. Conforme os autos, ele utilizava carros modelo VW Parati para levar os integrantes até os locais escolhidos, recolher os suspeitos após as ações e transportar a carga furtada. O esquema contava ainda com o apoio de Fábio Caetano da Luz, conhecido como “Gauchinho Mecânico”.

Quatro furtos em quatro dias -  A atuação do grupo ficou evidenciada em uma sequência de quatro furtos registrados entre os dias 15 e 18 de agosto. Na primeira ação, na estação EAT 107, no Bairro São Conrado, foram levados aproximadamente 85 metros de cabos elétricos. O furto provocou a paralisação da unidade e afetou o abastecimento de água na região.

No dia seguinte, outros 85 metros de cabos foram retirados de uma unidade localizada na Coophavila. Em 17 de agosto, o alvo foi uma estação no Bairro Vida Nova, onde cerca de 40 metros de cabeamento foram furtados.

Já em 18 de agosto, os criminosos invadiram uma unidade próxima à Avenida Gunter Hans e levaram aproximadamente 98 metros de cabos elétricos e duas motobombas. Com a interrupção do fornecimento de energia e a retirada dos equipamentos, os motores de bombeamento pararam, interrompendo a distribuição de água potável até que as equipes técnicas concluíssem os reparos.

Somente nesses quatro episódios, foram furtados 308 metros de cabos e duas motobombas. Os ataques provocaram danos às estruturas e exigiram intervenções emergenciais da concessionária para restabelecer o funcionamento das unidades.

Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão
Mochilas e ferramentas apreendidas durante a ocorrência que terminou com quatro homens presos em Jaraguari (Foto: Divulgação/PMMS)

Prisão em usina- O avanço da investigação ocorreu após a prisão de quatro suspeitos durante o furto de cabos de cobre de uma usina fotovoltaica às margens da BR-163, em Jaraguari, no dia 24 de agosto.

Na ocasião, José Renato de Arruda Rodrigues, Jefferson Ferreira da Silva, Tiago da Silva Flores e Luis Carlos da Silva foram presos após invadirem a propriedade para retirar a fiação. A partir do flagrante, dos interrogatórios e do cruzamento de informações, a DERF passou a relacionar os suspeitos a uma série de furtos registrados em unidades da Águas Guariroba em Campo Grande.

As imagens de monitoramento das estações também foram analisadas pelos investigadores. O cruzamento das imagens com as informações obtidas durante a apuração permitiu identificar semelhanças na forma de execução dos crimes e apontar a participação de outros integrantes.

Segundo o inquérito, a partir dos elementos reunidos foi possível estabelecer uma estrutura organizada para a prática dos furtos, com divisão de funções entre quem executava o corte da fiação, quem fazia a vigilância, quem transportava o material e quem ficava responsável pela comercialização.

Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão
Jefferson levando fiação furtada para carro usado pela quadrilha (Foto: Reprodução)

Violência - Durante os interrogatórios, alguns dos investigados afirmaram ter sido recrutados por Bruno e relataram que o suspeito recorria a ameaças e agressões físicas para manter o controle sobre os integrantes. Segundo os relatos reunidos no inquérito, aqueles que se recusavam a participar das ações ou contrariavam as ordens do grupo eram submetidos a violência.

A investigação aponta ainda que a comercialização do cobre ficava sob responsabilidade de Bruno. Conforme os depoimentos, os demais integrantes recebiam os valores determinados após a conclusão dos furtos, enquanto o material retirado das estações era destinado à venda.

Indiciamento - Com base nas provas reunidas durante a investigação, a Derf indiciou os envolvidos por furto qualificado mediante destruição ou rompimento de obstáculo, furto de equipamentos destinados à transmissão e distribuição de energia, furto qualificado praticado contra serviço de utilidade pública e integração de organização criminosa.

Diante da reiteração dos crimes, da estrutura organizada do grupo e do impacto provocado pela interrupção de um serviço essencial, a Derf representou ao Poder Judiciário pela prisão preventiva dos investigados.

Apontado como líder da organização, Bruno Batista foi preso pela Derf no domingo (13). A prisão é um dos desdobramentos da investigação que busca esclarecer a sequência de furtos e interromper a atuação do grupo responsável, segundo a polícia, por parte dos ataques contra unidades da concessionária.

Ao Campo Grande News, a a concessionária Águas Guariroba esclareceu que, desde janeiro de 2026, suas unidades vinham sendo alvo recorrente de furtos de fiações elétricas, uma situação grave, com impacto direto na prestação dos serviços de saneamento da cidade.

"Em mais de uma ocasião, os crimes prejudicaram a operação do abastecimento de água e esgotamento sanitário do município e só não tiveram impactos diretos na população devido a atuação preventiva e eficiente da concessionária. Diante da recorrência dos crimes, a concessionária registrou as ações junto a Polícia Civil, bem como solicitou apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais ) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul", disse em nota.

Em agosto, a empresa recebeu a informação sobre a prisão dos suspeitos do crime. "A Águas Guariroba agradece a eficiente atuação da Polícia Civil e do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul em mais esta ação e permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos", finalizou.

Quadrilha ataca estações de água 54 vezes e prejuízo ultrapassa meio milhão
Bruno Batista apontado como chefe do grupo foi preso no domingo (Foto: Reprodução)


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