Análise de celulares levou polícia a 6 adolescentes de grupos extremistas
Análise técnica dos materiais levou investigadores a seis novos alvos em cinco estados, nesta terça-feira

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul chegou aos seis adolescentes apreendidos nesta terça-feira (15), durante a 2ª fase da Operação Lívia, a partir da análise técnica de celulares, computadores, mídias e outros materiais apreendidos na primeira etapa da investigação.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apreendeu seis adolescentes na segunda fase da Operação Lívia, que investiga comunidades virtuais suspeitas de induzir crianças à automutilação e violência. A operação teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos de Naviraí durante transmissão ao vivo. Foram cumpridos mandados em cinco estados e no Distrito Federal. Na primeira fase, um adulto foi preso e cinco adolescentes apreendidos.
Deflagrada pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), a operação investiga a atuação de comunidades virtuais de extremismo digital suspeitas de induzir crianças e adolescentes à automutilação, violência, crueldade contra animais, misoginia e outras práticas de extrema violência psicológica.
- Leia Também
- Operação Lívia: 6 adolescentes são alvo por morte em live no Discord
- Justiça chama governo e Discord para audiência após impasse de meio bilhão
Após a primeira fase, os investigadores fizeram uma análise técnica do material recolhido e conseguiram identificar novos envolvidos, além de avançar na compreensão da dinâmica e da estrutura dos grupos. O trabalho permitiu individualizar novos suspeitos e reunir elementos que fundamentaram as medidas judiciais cumpridas nesta terça-feira.
Ao todo, foram cumpridas seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes e seis mandados de busca e apreensão domiciliar nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Os seis adolescentes foram apreendidos e encaminhados às autoridades competentes.
As diligências desta segunda fase buscam esclarecer a função desempenhada por cada investigado dentro das comunidades virtuais, incluindo possíveis atividades de recrutamento, administração, moderação e coerção de vítimas.
Entenda - A Operação Lívia começou a partir da investigação envolvendo uma adolescente de 13 anos, de Naviraí, que morreu em julho durante uma transmissão ao vivo no Discord. A partir do caso, a Polícia Civil passou a monitorar as interações digitais e identificou indícios da existência de uma rede mais ampla, com outros envolvidos e possíveis vítimas.
Na primeira fase, realizada em agosto, um adulto foi preso e cinco adolescentes foram apreendidos. Entre eles estava um adolescente de 14 anos apontado pelos investigadores como líder do grupo.
Segundo a Polícia Civil, os grupos utilizavam mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica para submeter adolescentes em situação de vulnerabilidade às determinações dos integrantes. A investigação busca ainda identificar possíveis vítimas, interromper situações de risco e responsabilizar os envolvidos.

A segunda fase é coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com participação das Polícias Civis do Distrito Federal, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, além do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).
Adolescente de MS foi transformada em “escrava virtual” - Segundo a investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a adolescente de 13 anos, de Naviraí, foi submetida a um processo de controle psicológico e coerção dentro da organização criminosa, sendo tratada pelos integrantes como uma espécie de “escrava virtual”. A delegada titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), Anne Karine, revelou a informação durante coletiva de imprensa em agosto.
Segundo a polícia, os criminosos buscavam informações sobre família, escola e rotina das vítimas para criar vínculos de confiança e, posteriormente, utilizar ameaças para controlar seus comportamentos. Meninas estariam entre os principais alvos.
A abordagem começava em redes sociais abertas, onde integrantes usavam perfis falsos e técnicas de engenharia social para se aproximar de crianças e adolescentes. Depois, as vítimas eram levadas para grupos privados, chamados de “panelas”, ambientes controlados pelos próprios criminosos.
Dentro desses grupos, as ações violentas eram chamadas de “eventos”. Conforme a investigação, os administradores das “panelas” assumiam uma posição de autoridade sobre as vítimas, fazendo com que elas acreditassem que poderiam sofrer consequências, assim como seus familiares, caso desobedecessem às ordens.

A polícia também identificou uma espécie de disputa entre os grupos. Quanto maior a escalada de violência promovida por uma “panela”, maior seria o chamado “hype”, termo usado pelos próprios integrantes para definir o prestígio conquistado dentro da rede.
A DEPCA passou a investigar o caso após ser acionada pelo Ciberlab, em 22 de julho, depois da repercussão da morte da adolescente nas redes sociais. Para os investigadores, o episódio não deve ser tratado apenas como suicídio: há elementos que apontam para homicídio, diante da indução e do controle exercido sobre a vítima.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


