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Capital

Grupo acende velas em homenagem a meio milhão de mortos por covid-19

Respira Brasil organizou evento em várias outras cidades no intuito de relembras as vítimas da doença

Por Nyelder Rodrigues | 21/06/2021 18:45
Centenas de vela simbolizaram as 500 mil vidas perdidas durante a pandemia de covid no Brasil (Foto: Kisie Ainoã)
Centenas de vela simbolizaram as 500 mil vidas perdidas durante a pandemia de covid no Brasil (Foto: Kisie Ainoã)

Representantes de pelo menos seis denominações religiosas, além de entidades de cunho social, se reuniram na Praça do Rádio Clube no início para acender centenas de velas em homenagem às mais de 500 mil pessoas que morreram por causa da covid-19 no Brasil. Justamente por causa da pandemia, o evento não contou com público.

Encabeçado pelo Respira Brasil, movimento de cunho inter-religiosa e nacional que já fez homenagens às vítimas do novo coronavírus quando foram alcançados 100 mil, 300 mil e 400 mil mortos, o evento acontece em várias cidades do país e, em Mato Grosso do Sul, também ocorreu em Dourados e em Corumbá, segundo a organização.

"Aqui temos representados quatro tradições cristãs, além de um pai de umbanda e um druisda. Os movimentos sociais também estão conosco, mas só com representantes mesmo, justamente por causa da covid-19, ainda um perigo", explica uma das articuladores do Respira Brasil em Campo Grande, Luciene Borges Ortega.

Chama da vela permaneceu acesa nesta, contracenando com faixa de "Fora Bolsonaro" ao fundo (Foto: Kisie Ainoã)
Chama da vela permaneceu acesa nesta, contracenando com faixa de "Fora Bolsonaro" ao fundo (Foto: Kisie Ainoã)

A ideia do movimento surgiu, segundo ela, com o crescimento de casos e mortes. "Eu mesmo sou da Cebi (Centro de Estudos Bíblicos) e, ao perceber a situação, já começamos a nos articular com a Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) pois precisávamos fazer algo diante do que ocorria", diz Luciene.

As velas foram deixadas acesas no calçadão da praça, na rua Padre João Crippa, dentro de garrafas PET cortadas e com areia, evitando assim que a parafina derretida ficasse ali. Cruzes também foram levadas por alguns dos participantes, além de bandeiras pedindo a saída de Jair Bolsonaro (sem partido) da presidência do Brasil.

Velas foram acesas e fixadas no chão uma a uma por Luciene e colegas na Praça do Rádio Clube (Foto: Kisie Ainoã)
Velas foram acesas e fixadas no chão uma a uma por Luciene e colegas na Praça do Rádio Clube (Foto: Kisie Ainoã)

Dor da perda - Maria Aparecida Souza, de 55 anos, não conhecia o movimento, mas ao saber do evento de hoje, foi até lá para relembrar o pai, que morreu há 10 dias. "Vim para homenagear meu pai e também protestar. Chegamos a uma situação insustentável. Nosso povo não merece esse tratamento. É falta de respeito com o cidadão".

Uma das principais reclamações de Maria é sobre a forma como o Poder Público, em geral, lida com a pandemia. "Estão preocupados em falar de leitos apenas, mas não se preocupam em evitar de verdade que as pessoas adoeçam, de se preocupar com as sequelas que essa doença deixa", dispara, lembrando dos problemas enfrentados pós-covid pelo irmão.

Vários discursos foram feitos, alguns mais incisivos, como o do representante dos trabalhadores rurais assentados, assim como de líderes religiosos locais. É o caso do reverendo Victor Hugo de Oliveira, que ali representou a unidade sul-mato-grossense da  Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

"O que ocorre é fruto de uma irresponsabilidade pública. Não se pode tratar algo terrível como a covid como uma morte por causa natural, como vem sendo tratado. Precisamos de agentes de transformação, e não negação. Existe uma causa de tudo isso e ela também é o negacionismo", disse no auto-falante.

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