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Capital

Guarda destruiu barracos e usou balas de borracha, afirmam invasores de área

Confusão aconteceu na manhã desta quarta-feira (29) quando equipes da prefeitura voltaram, pelo 3º dia, no bairro

Por Viviane Oliveira, Clayton Neves e Kisie Aionã | 29/07/2020 10:09
Moradora mostra umas das balas de borracha usada pela Guarda que ficou para trás (Foto: Paulo Francis) 
Moradora mostra umas das balas de borracha usada pela Guarda que ficou para trás (Foto: Paulo Francis)

Os invasores da área pública às margens da BR-262, próximo ao aterro sanitário do Bairro Dom Antônio Barbosa II, afirmam que a Guarda Municipal chegou por volta das 5h destruindo os barracos e usou até balas de borracha para dispersar os moradores.

A confusão aconteceu na manhã desta quarta-feira (29) em Campo Grande quando equipes da prefeitura voltaram, pelo 3º dia, no bairro. Quatro pessoas, uma mulher e três homens, foram presas e levadas para a delegacia. Desde segunda-feira, a prefeitura tenta desocupar a área.

Os moradores contaram para a equipe de reportagem que diferente de ontem (28), a Guarda não deu tempo para ninguém retirar os objetos utilizados para armar os barracos (como vigas e lonas). “O confronto começou depois que alguns tentaram recuperar os materiais”, reclamou um dos invasores.

Moradores afirmam que durante a confusão um dos guardas perdeu o cacetete (Foto: Paulo Francis) 
Moradores afirmam que durante a confusão um dos guardas perdeu o cacetete (Foto: Paulo Francis)

Uma das cápsulas de bala de borracha e cacetete foram localizados na rua onde houve a confusão. Segundo o grupo, os guardas ainda tentaram apagar os vestígios recolhendo os projéteis de borracha, mas alguns ainda ficaram para trás.

Ainda segundo os moradores, uma criança de 3 anos foi atingida com bala de borracha na perda e foi levada pelos pais para atendimento médico. A mulher que foi presa nesta manhã, conforme testemunha, está gestante e foi jogada ao chão durante a confusão.

Depois que os agentes foram embora, os moradores montaram quatro pontos de bloqueio, na Rua Evelina Figueiredo Selingardi, uma das vias de acesso ao aterro sanitário. Também fizeram mutirão para reconstrução dos barracos. Quanto a ação da guarda, Daiane Botine, 25 anos, desabafa: “Isso é humilhante. Ninguém avançou neles. Estava todo mundo numa boa”, lamentou.

Segundo Daiane, a área ocupada estava abandonada pela prefeitura e tinha virado um verdadeiro lixão. Outra moradora que pediu para não ter o nome divulgado reclamou ter gastado mais de R$ 100 para erguer a sua moradia destruída pelas equipes.

Movimentação de equipes da Semadur e Guarda Municipal na delegacia (Foto: Kisie Aionã)
Movimentação de equipes da Semadur e Guarda Municipal na delegacia (Foto: Kisie Aionã)

Outro lado - A Guarda Municipal afirmou que não houve agressão,  mas medidas pouco mais energéticas para conter a situação. Segundo a equipe que atendeu a ocorrência no bairro, desde segunda-feira vem sendo feitos diálogos com os invasores, mas sem sucesso. Quando a Guarda vai embora, o grupo volta a invadir o espaço.  Ontem, foi avisado que se houvesse nova invasão, outras medidas seriam adotadas. Nesta manhã, durante a retirada de novos barracos,  quatro pessoas acabaram detidas e levadas para a Depac/Cepol.

Conforme o diretor-presidente da AMHASF (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Enéas Netto, depois que foi realizado o reassentamento das 323 famílias do local há 4 anos, foi feito todo trabalho de recuperação da área com plantação de cortina arbórea (estrutura de controle ambiental e que forma barreiras de isolamento), mas depois disso todo o trabalho foi perdido com novas ocupações. "Já é a 5 vez que que aquela área é invadida", disse.

Assista, abaixo, ao vídeo.