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Capital

Irmão de Waldir Neves diz que comprou mineradora há um ano e não é investigado

Operação apura se compra de títulos relacionados a mineração foi usada para lavar dinheiro de esquema no TCE

Por Anahi Zurutuza | 08/06/2021 17:42
Policiais federais deixaram imóvel onde funciona mineradora, escritório de advocacia e imobiliária com malote contendo material apreendido aparentemente bem pesado (Foto: Henrique Kawaminami)
Policiais federais deixaram imóvel onde funciona mineradora, escritório de advocacia e imobiliária com malote contendo material apreendido aparentemente bem pesado (Foto: Henrique Kawaminami)

Vanildo Neves, ex-vereador e ex-vice-prefeito de Aquidauana, é um dos donos da “recém-nascida” Mineradora Betione. O irmão do conselheiro Waldir Neves garante, contudo, que a “visita” de equipes da PF (Polícia Federal) e Receita Federal a endereço, em Campo Grande, onde está instalada sala da empresa não passou de coincidência.

Ele afirma que não é investigado na Mineração de Ouro, apesar do nome da operação, deflagrada nesta manhã, ter sido escolhido diante indícios de que a aquisição de direitos relacionados a mineração tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro. Outro acaso.

O empresário explica que as buscas foram feitas apenas em escritório de advocacia, Neves e Barbosa Advogados Associados, que funciona no mesmo imóvel.

A mineradora foi fundada em 9 de junho de 2020, conforme o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Embora as operações estejam registradas em endereço no km 6 da rodovia Bodoquena/Bonito, com localização na área rural do município de Bodoquena, a Betione tem escritório com placa na fachada em imóvel na Rua Manoel Inácio de Souza, na Capital, onde funciona ainda a imobiliária de Vanildo, que é corretor também.

“Não foi no meu escritório. Não mexeram em nada meu. Sou sócio da mineradora, sou corretor de imóveis, mas isso não tem nada comigo. Só porque sou irmão do conselheiro fazem um barulho danado. Fica parecendo que a gente é bandido. Somos em 10 irmãos. Não posso fazer nada agora por que tenho irmão conselheiro?”, questiona.

O corretor de imóveis afirma que, junto com um primo e um amigo, comprou a mineradora a título de investimento. “Ela é antiga. Tinha uns 20 anos. Nós resolvemos nos aventurar, mas vem capengando. Até agora não conseguimos fazer funcionar direito. O maquinário está quebrado, estamos numa dificuldade danada, sempre no vermelho para fechar a folha de pagamento”.

Vanildo Neves diz ainda que a empresa chegou a ter 14 funcionários, mas hoje, apenas 7 trabalharam na moagem de pedras para transformá-las em calcário usado na correção do solo para a plantação de pastagens e lavouras.

Mineradora funciona no km 6 da rodovia Bodoquena/Bonito (Foto: Facebook/Reprodução)
Mineradora funciona no km 6 da rodovia Bodoquena/Bonito (Foto: Facebook/Reprodução)

Mineração de Ouro - A operação tem três conselheiros do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) como principais alvos, segundo apurou o Campo Grande News. Além de Waldir Neves, estão na mira Ronaldo Chadid e Osmar Jeronymo.

O esquema, conforme apurações da PF, Receita e CGU (Controladoria-Geral da União), conta com a contratação de funcionários "fantasmas" na Corte Fiscal e desvio de verbas públicas. O MPF (Ministério Público Federal), responsável por pedir as ordens de busca no STJ (Superior Tribunal de Justiça), diz acreditar que o esquema movimentou valores milionários nos últimos seis anos.

A apuração dos crimes de peculato, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro começou após ligações interceptadas na operação Lama Asfáltica.

Horas depois de sair às ruas de Campo Grande, Sidrolândia e Brasília, a ação, que cumpriu 20 mandados de buscas com autorização do ministro Francisco Falcão, do STJ, entrou em sigilo. Mas antes, o mesmo ministro havia determinado a quebra dos sigilos fiscais e bancários dos 20 alvos.

O TCE ainda não se manifestou sobre a operação. O Campo Grande News não conseguiu contato com o conselheiro Waldir Neves.

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