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Capital

Jamilzinho nega conhecer pistoleiros, arsenal e atuar no jogo do bicho

Ele negou alguma vez ter pisado em casa que pertencia à sua família e escondia arsenal no bairro Monte Líbano

Lucia Morel e Aline dos Santos | 18/07/2023 19:01

Sendo ouvido desde as 17h30, Jamil Name Filho, réu como mandante do assassinato de Matheus Coutinho Xavier em abril de 2019, negou qualquer relação com os pistoleiros que mataram o rapaz - José Moreira Freire, o “Zezinho” e Juanil Miranda. Também negou alguma vez ter pisado em casa que pertencia à sua família e escondia arsenal no bairro Monte Líbano e disse nunca ter atuado no jogo do bicho.

Em resposta às perguntas do juiz Aluízio Pereira dos Santos, Jamilzinho disse que foi uma coincidência e algo “me chama atenção, me intriga”, o fato de Zezinho ter morrido em troca de tiros na cidade de Mossoró (RN) em dezembro de 2020, período em que ele e o pai, Jamil Name, o “Velho”, já estavam presos no Presídio Federal de lá.

Sobre Juanil Miranda, considerado foragido e nunca mais encontrado, Name Filho afirmou que “nunca ouvi falar” e que soube da existência dele enquanto respondia ao atual processo, que deu origem à Operação Omertà. “Nem de nome. Na minha casa, trabalhavam guardas civis, policiais. PCC e polícia combinam? É igual água e óleo”, sustentou ao tentar reforçar que nunca teve qualquer relacionamento com ele.

Afirmou que o guarda municipal Marcelo Rios e o policial civil Vladenilson Daniel Olmedo trabalhavam para sua família em diversos serviços, desde motoristas a seguranças e até assistente de corretagem, no caso de “Vlad”, mas negou ter algum dia entrado ou pisado na “casa das armas”. O local foi descoberto pelos policiais em maio de 2019, um mês após a morte de Matheus, em confissão de Rios ao ser preso.

Disse que chegou a tratar da venda do imóvel, mas que não entrava lá e que seria um “contrassenso” manter um arsenal em uma casa no centro da cidade. Rios confessou que era o responsável pelas armas e que conhecia Juanil, um dos executores de Matheus. “Uma coisa é a pessoa prestar um serviço para você, outra coisa é saber da vida privada dela”, disse ao negar saber que Rios conhecesse Juanil.

Jamil Name Filho em depoimento no Tribunal do Júri. (Foto: Henrique Kawaminami)
Jamil Name Filho em depoimento no Tribunal do Júri. (Foto: Henrique Kawaminami)

Contravenção - Sobre os crimes de contravenção penal como jogo do bicho e máquinas de caça-níquel, ele afirmou que “eu não atuo no jogo do bicho” e que seu trabalho sempre foi com loterias e bingo, enquanto eram legalizadas, entre 1999 e 2004. “Meu negócio era a Jana Promoções e Eventos”, sustentou.

Anos depois, em 2010, pela mesma empresa, a família Name mantinha a Pantanal Cap e foi quando Paulo Roberto Teixeira Xavier, pai de Matheus, começou a trabalhar com os Name, “infelizmente”, segundo Jamilzinho.

Um advogado conhecido pediu para que a família o empregasse pois “era um menino bom”, mas acabava de ter saído da prisão depois de envolvimento com operação da Polícia Federal. Xavier teria ido até Name Filho dois dias após a conversa com o advogado e, então, sido contratado para serviços diversos por R$ 3 mil.

“Ele entrou na questão de que poderia ser útil, que tinha três filhos, disse que a esposa tinha largado ele e se mudou pra Cuiabá, e isso aí pesou um pouco. Disse que ia pagar R$ 3 mil pra ele ficar à disposição. E assim surgiu o Paulo Xavier na minha vida, infelizmente”.

Jamilzinho, assim como os advogados de sua defesa, enfatizou a relação de Paulo Xavier com o megatraficante major Carvalho, alvos de operação da Polícia Federal entre 2005 e 2007.

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