Juiz manda soltar motorista bêbado envolvido em acidente que matou eletricista
Teste do bafômetro apontou 0,88 mg/L, e condutor não possuí carteira de habilitação

Gustavo Henrique de Oliveira Dias, de 28 anos, passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (8) e teve liberdade provisória concedida pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães. Ele dirigia o Volkswagen Golf envolvido no acidente que matou Wilder dos Santos Rodrigues, de 37 anos, na manhã de sexta-feira (7), na Rua Montese, na Vila Olinda, em Campo Grande.
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A decisão reconheceu como válida a prisão em flagrante, mas não manteve Gustavo preso. O magistrado entendeu que, neste momento, não estavam presentes os requisitos necessários para a decretação da prisão preventiva e determinou a expedição de alvará de soltura, desde que ele não esteja preso por outro motivo.
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Gustavo é investigado, inicialmente, por homicídio culposo na direção de veículo automotor, condução de veículo sem habilitação ou permissão e direção sob influência de álcool. O teste do bafômetro realizado após o acidente apontou 0,88 mg/L de álcool por litro de ar expelido.
O acidente ocorreu próximo ao Estádio Morenão. Conforme as informações levantadas no atendimento da ocorrência, o Golf estava estacionado e o motorista teria iniciado uma manobra de ré para acessar outra via quando a motocicleta Honda CG 150 conduzida por Wilder atingiu a traseira do automóvel. A dinâmica ainda será analisada pela perícia e durante o inquérito policial.
Wilder sofreu ferimentos graves e morreu no local antes de ser encaminhado para uma unidade de saúde. O Samu foi acionado, mas a vítima já estava sem vida quando a equipe chegou.
Durante a ocorrência, também foi constatado que Gustavo não possui CNH. Segundo a apuração no local, ele teria admitido a um policial de trânsito que havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Tanto o Golf quanto a motocicleta estavam com a documentação atrasada.

Ao conceder a liberdade provisória, o juiz considerou fatores como residência fixa, trabalho lícito, primariedade e bons antecedentes, além da ausência de indicação concreta de que Gustavo pretendesse fugir ou pudesse prejudicar o andamento do processo.
Para permanecer em liberdade, ele deverá comparecer pessoalmente ao fórum todos os meses para informar e justificar sua ocupação e comprovar endereço. Também não poderá permanecer fora da comarca por mais de 30 dias sem autorização judicial. Gustavo ainda deverá manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos para os quais for intimado.
A decisão tomada na audiência de custódia não representa julgamento sobre a culpa do motorista. O processo criminal continuará e as circunstâncias do acidente, assim como eventual responsabilidade e pena, serão analisadas posteriormente.
Em depoimento na delegacia, Gustavo afirmou ser natural de Três Lagoas. Disse que morava em Chapadão do Sul, onde vivem seus familiares, e que está em Campo Grande há cerca de oito meses, para onde se mudou para trabalhar.
Família cobra justiça - Na tarde de ontem, a irmã de Wilder conversou com o Campo Grande News e pediu justiça pela morte do eletricista. Lucimeire dos Santos afirmou que espera a responsabilização do motorista envolvido no acidente e disse que a família quer uma resposta da Justiça diante das circunstâncias do caso.
"Eu sei que nada vai trazer meu irmão de volta. Mas ele precisa pagar pelo que fez. O que eu quero é justiça", desabafou a irmã, Lucimeire dos Santos.
A dor é ainda maior porque a despedida acontece justamente na semana em que Wilder passaria mais um Dia dos Pais ao lado da família. Ele deixa dois filhos: uma menina de 10 anos, em Campo Grande, e um rapaz que vive em São Paulo (SP), onde busca realizar o sonho de se tornar jogador de futebol. O jovem embarcou às pressas para Mato Grosso do Sul após receber a notícia da morte do pai.
"Meu sobrinho está vindo de São Paulo. Imagina chegar aqui para encontrar o pai desse jeito", disse a irmã, emocionada.
Caçula da família, Wilder era conhecido por nunca recusar trabalho. Atuava como eletricista e também fazia instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado. Segundo a irmã, era daqueles que saíam cedo de casa e só voltavam quando o serviço terminava.
"Ele era um homem trabalhador. Fazia de tudo. Sempre correu atrás das coisas dele. Era um pai presente, um homem de família".
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