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Capital

Juíza autoriza quebra de sigilo de ex-comandante da PM flagrado em extorsão

O pedido é do titular do Garras, que classifica medida como “cabal” para investigação

Por Aline dos Santos | 28/06/2021 09:23
José Ivan (à esquerda) na sala do Garras, acompanhado de oficial da Corregedoria da PM. (Foto: Mariana Rodrigues)
José Ivan (à esquerda) na sala do Garras, acompanhado de oficial da Corregedoria da PM. (Foto: Mariana Rodrigues)

A juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Eucélia Moreira Cassal, autorizou a quebra de sigilo de dados dos celulares do ex-comandante da PM (Polícia Militar), coronel José Ivan de Almeida, do arquiteto Patrick Samuel Georges Issa (sobrinho do Rei da Fronteira) e do ex-policial civil Reginaldo Freitas Rodrigues.

Os aparelhos foram apreendidos pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros)  em 26 de maio, durante flagrante de extorsão. Agora, a investigação terá acesso aos dados dos celulares, como conversas e imagens.

“A verificação do conteúdo existente no aparelho celular apreendido com o agente, em situação de flagrante delito, mostra-se relevante e necessária, na medida em que com a extração do conteúdo de aparelho celular apreendido poderá se obter elementos informativos que contribuirão para a elucidação da prática delitiva”, informa a magistrada.

Segundo a juíza,  a providência difere da hipótese da interceptação telefônica, posto que não viola fluxo de dados entre os interlocutores, mas revela dados armazenados que já trafegaram entre os aparelhos

Os três chegaram a ser presos por extorsão de empresários, mas foram soltos no dia seguinte, durante a audiência de custódia. O coronel e o ex-policial são monitorados por tornozeleiras eletrônicas

O delegado titula do Garras, Fábio Peró, afirmou que o acesso aos dados dos aparelhos celulares é cabal para a identificação de demais coautores e participantes de ações delituosas. “Quiçá, para a elucidação de crimes mais grave”.

O pedido do Garras teve parecer favorável do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Ex-comandante da PM, coronel Ivan também foi deputado estadual. (Foto: Victor Chileno/ALMS)
Ex-comandante da PM, coronel Ivan também foi deputado estadual. (Foto: Victor Chileno/ALMS)

O caso - Reginaldo e José Ivan de Almeida, que também foi deputado estadual, foram presos no portão da casa de um empresário, no Bairro Amambaí, em Campo Grande. O homem denunciou ser vítima de extorsão e que a dupla atuava em nome de Patrick Samuel Georges Issa.

A ação foi acompanhada à distância por policiais. A vítima, um engenheiro de 46 anos, era compelida a entregar a caminhonete que estava na garagem para os “cobradores”.

Na sequência, Patrick Issa foi preso em seu escritório no Bairro Chácara Cachoeira.  Ele é sobrinho de Fahd Jamil, mais conhecido como Rei da Fronteira e preso na operação Omertà.

As vítimas, que são sócias em empresa do ramo de hidráulica, relatam que a dívida de R$ 80 mil saltou para R$ 281 mil, além de já terem pagos R$ 150 mil. Os três citados negam o crime de extorsão.

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