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Capital

Justiça condena maternidade por falhas e violência obstétrica

“Paciente relatou traumas em dois partos, com solidão no pós-operatório e interrupção da ‘hora de ouro"

Por Gabi Cenciarelli | 29/08/2025 21:48
Justiça condena maternidade por falhas e violência obstétrica
Fachada da maternidade onde aconteceu o caso (Foto: Arquivo)

Um momento que deveria ser de amor, acolhimento e início de vínculo entre mãe e filho foi marcado por dor, solidão e humilhação para uma arquiteta de 33 anos, em Campo Grande. A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou a Maternidade Cândido Mariano a pagar R$ 10 mil de indenização a uma paciente que denunciou episódios de violência obstétrica em dois partos, realizados em 2019 e 2023.

RESUMO

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Maternidade em Campo Grande é condenada por violência obstétrica em dois partos. Paciente receberá R$ 10 mil de indenização por danos morais sofridos em 2019 e 2023. No primeiro parto, foi abandonada no pós-operatório, sem a presença do marido. No segundo, teve a primeira hora com o bebê interrompida por enfermeira. Juiz reconheceu a falha da maternidade em garantir direitos básicos da paciente. A mulher relatou ter desenvolvido transtorno de estresse pós-traumático após o primeiro parto. Ela espera que a decisão incentive outras vítimas de violência obstétrica a buscarem justiça. A maternidade não se manifestou sobre o caso até o momento.

No primeiro, após uma cesariana, a mulher foi deixada sozinha no pós-operatório, sem direito à presença do marido, garantido por lei. Ela contou que passou horas com o bebê entre as pernas, sem conseguir se mover, até conseguir avisar o companheiro por meio do celular de outra paciente. O episódio resultou em transtorno de estresse pós-traumático, confirmado em juízo por sua psicóloga.

Quatro anos depois, no nascimento do segundo filho, mesmo com o apoio de uma doula, ela relatou que uma enfermeira tentou retirar o bebê de seus braços poucos minutos após o parto, interrompendo o chamado “golden hour”, conhecida como a primeira hora de vida, considerada fundamental para o vínculo e para a amamentação precoce. Testemunhas confirmaram a versão.

Na decisão, o juiz Deni Luis Dalla Riva afirmou que a maternidade falhou em garantir direitos básicos da paciente, expondo-a à vulnerabilidade emocional em situações que deveriam ser de plenitude.

Em depoimento, a paciente resumiu o que viveu: “Demorei a ter coragem de entrar com a ação, porque no primeiro parto achei que a culpa era minha. Mas com o Bernardo eu lutei muito e consegui amamentar logo após o nascimento. O valor da condenação é pequeno diante do que passei, mas ainda assim é uma vitória”.

Segundo ela, a decisão abre caminho para que outras mulheres também denunciem abusos: “Que outras mães entrem com ações, para que toda criança nasça como deve ser, com amor, alegria e apoio”.

A reportagem entrou em contato com a Maternidade Cândido Mariano, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

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