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Capital

Meu filho morreu por negligência médica, diz pai de rapaz picado por cobra

Por Viviane Oliveira | 24/01/2012 21:28

O laudo do IMOL comprova que Márcio picado por uma cobra cascavel no dia 5 de novembro, recebeu tarde demais o soro antiofídico

Agora com o laudo em mãos o pai tem certeza que houve negligência médica. (Foto: Marlon Ganassin)
Agora com o laudo em mãos o pai tem certeza que houve negligência médica. (Foto: Marlon Ganassin)

“Meu filho morreu por negligência médica”. O desabafo é de Milton Paulo de Souza, 49 anos, que viu o filho morrer, em novembro, e hoje tem em mãos a confirmação da desconfiança da família. O laudo do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) comprova que Márcio Paulo de Souza, de 27 anos, picado por uma cobra cascavel no dia 5, recebeu tarde demais o soro antiofídico.

Márcio morreu no Hospital Regional, um dia após ser picado por uma cascavel por volta das 17 horas do dia 5 de novembro, quando tomava banho na cachoeira da Antena no bairro Vila Nasser, em Campo Grande.

O rapaz recebeu o soro 11 horas após ter sido levado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida. No laudo do Instituto consta que ele deu entrada no posto de saúde às 19h30 do dia 5 e às 23h50 foi encaminhado para o Hospital Regional. Somente no outro dia (6), às 11h30, recebeu o soro antiofídico.

Uma hora depois foi atestada a morte de Márcio. “Desde o primeiro momento o meu filho falava que ele tinha sido picado por uma cobra cascavel, mas ninguém acreditava pelo fato dele ser usuário de drogas”, lamenta o pai. Para ele, foi descaso dos profissionais de saúde.

O documento do IMOL confirma que o paciente confessou ter usado pasta base de cocaína quando estava na cachoeira em que foi picado pela cobra. “Mesmo que ele fosse usuário de drogas, bêbado ou o que for, é um ser humano e precisava de atenção por parte dos médicos”, disse a mãe Maria de Lurdes de Souza, de 46 anos.

Por conta da declaração do rapaz e da ausência de marcas de picada de cobra, os médicos acharam que ele estava com alucinações. “Márcio sentia muita dor e falava o tempo todo que havia sido picado no tornozelo”, destaca a mãe.

O coordenador do Civitox (Centro de Vigilância Toxicológica), Sandro Benites, explica que Márcio foi picado por uma cascavel extremamente venenosa. De acordo com ele, a identificação do quadro é mais difícil, já que a picada é praticamente impossível de ser encontrada no corpo da vítima.

Mãe chora ao relembrar sofrimento do filho e afirma que ninguém sabe a dor que eles estão sentindo. (Foto: Marlon Ganassin)
Mãe chora ao relembrar sofrimento do filho e afirma que ninguém sabe a dor que eles estão sentindo. (Foto: Marlon Ganassin)

“Eles queriam achar a picada da cobra no meu filho, como não encontraram acharam que ele estava mentindo”, afirma Maria de Lurdes.

Além disso, o ataque desta serpente deixa a vítima com sinais de estado de embriaguez. “Queda das pálpebras, visão turva, dor muscular e dificuldade respiratória são alguns dos sintomas”, disse o coordenador do Civitox.

Segundo Sandro, de dez ataques de serpente, nove são de jararaca e são raros os de cascavel, a segunda cobra mais venenosa, atrás apenas da espécie coral verdadeira. Vítimas de picadas de jararaca apresentam sinais opostos ao da cascavel, como edemas, sangramento e dor no local do ataque.

Em qualquer um dos casos, a medicação com o soro em menor tempo possível é determinante para que a vítima sobreviva. Márcio Paulo, informa o laudo, teve duas paradas cardiorrespiratória e os médicos tentaram reanimá-lo durante 40 minutos.

De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Regional, após sair o laudo do IMOL foi aberta uma sindicância para apurar se houve negligência médica. A diretoria do hospital informou que só vai se manifestar após a conclusão da analise que pode durar de 30 a 60 dias.

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