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Capital

Mais 2 adolescentes são flagrados no lixão e pais são acionados pelo Conselho

Por Paula Vitorino e Paula Maciulevicius | 06/03/2012 12:52

Mãe diz que vai largar o emprego para manter o filho longe do lixão

Casal de adolescentes foi flagrado trabalhando no lixão. (Foto: Marlon Ganassin)
Casal de adolescentes foi flagrado trabalhando no lixão. (Foto: Marlon Ganassin)

Equipados para “trabalhar”, com botinas e boné, um casal de adolescentes foi flagrado trabalhando no lixão da saída para Sidrolândia, em Campo Grande, na manhã desta terça-feira (6).

O garoto, de 14 anos, e a menina, de 15 anos, foram flagrados pela Guarda Municipal por volta das 9h30 e levados para o Conselho Tutelar. Segundo os policiais, a aparência de adolescente dos dois era visível de longe e, por isso, eles provavelmente devem ter fugido da fiscalização entrando no lixão pelos fundos.

Na semana passada um adolescente de 17 anos também foi flagrado no local, levantando novamente as denúncias da falta de fiscalização para impedir a entrada de adolescentes no lixão. Em dezembro, um menino de 9 anos morreu soterrado em meio ao lixo enquanto trabalhava.

As mães do casal flagrado hoje foram chamadas pelo Conselho Tutelar e assinaram um termo de responsabilidade, comprometendo-se a garantir que os filhos não voltarão a trabalhar no lixão.

Em caso de reincidência, os pais serão encaminhados para o Juizado da Criança e do Adolescente.

Os adolescentes contaram que são namorados há cerca de 1 ano e, vez ou outra, quando precisam de dinheiro, vão trabalhar no lixão. Juntos, eles conseguem uma média de R$ 300 com a venda dos produtos “catados” em meio ao lixo.

Os dois são moradores do residencial Pedro Teruel, no bairro Dom Antônio Barbosa. Nenhum dos adolescentes quis conversar com a reportagem. O menino apenas afirmou que nunca se machucou trabalhando no lixão.

Mãe do garoto diz que vai largar o emprego para manter filho longe do lixão. (Foto: Marlon Ganassin)
Mãe do garoto diz que vai largar o emprego para manter filho longe do lixão. (Foto: Marlon Ganassin)

Vigiar o filho - Com o comprometimento de garantir que o filho não vai mais trabalhar no lixão, a mãe, de 38 anos, disse que terá de deixar o emprego para vigiar o garoto de 14 anos.

“É a primeira e espero que a última vez que tenha de vir até o Conselho. É difícil, mas eu prefiro ficar em casa ao invés dele ser pego novamente trabalhando no lixão e ser levado para o Juizado”, diz.

Ela diz que sabia que o filho estava indo no lixão há cerca de dois meses. Segundo ela, o garoto algumas vezes mentia a idade para conseguir entrar no local.

“Eu pedia para ele não ir, mas adolescente é difícil. Eu não quero meu filho trabalhando lá, uma mãe já perdeu seu filho trabalhando ali”, afirma.

A mãe garante que a família nunca precisou do “dinheiro do lixão” e acredita que o garoto tenha sido influenciado pela namorada e moradores do bairro, já que a maioria sobrevive do lixão.

“Eu e meu marido trabalhamos na área de serviços gerais. Não precisa que ele trabalhe também. Não é porque somos pobres que precisa disso”, frisa.

O garoto parou de estudar em 2010, quando mudou de Corumbá para Campo Grande. O Conselho fez o encaminhamento do menino para voltar a estudar.

Ajuda no sustento diário - Já a mãe da garota, de 29 anos, contou que foi catadora do lixão por quatro anos e que a filha mais velha, de 15 anos, ia trabalhar no local para ajudar no sustento da família.

“O que ela ganha ajuda a comprar as coisas que faltam no dia a dia, como a carne pro almoço. É um dinheiro que vem picado todos os dias e ajudava a sustentar nós e a irmã mais nova”, diz.

Ela diz que “até que ganha bem no lixão”. Por dia, ela afirma que conseguia ganhar até mais de R$ 300.

A garota estuda no 1º ano do Ensino Médio à noite e ia para o lixão trabalhar durante a madrugada, após a escola. “Tinha muito medo de lá, principalmente depois de chuva”, diz.

Mas a mãe garante que há dois meses conseguiu um emprego fora do lixão e que tinha pedido para a filha não ir mais trabalhar.

Ela afirma que sonha para a filha um emprego digno, afirmando que dinheiro ganho no lixão é amaldiçoado. “É como se fosse dinheiro de jogo, é amaldiçoado. Quero um emprego digno para a minha filha”, diz.

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