Morto em acidente na rodovia era professor de educação física da rede estadual
Seis dias antes, denúncia acusou Alexandre de publicar mensagens xenofóbicas em grupo de WhatsApp

Alexandre Motta do Prado, de 56 anos, morto em um acidente entre um Honda HR-V e um caminhão na BR-060, saída para Sidrolândia, em Campo Grande, na madrugada desta quarta-feira (14), era professor de educação física da Escola Estadual Joaquim Murtinho, na Capital. Seis dias antes de morrer, em 8 de outubro, ele foi acusado de publicar mensagens de teor xenofóbico contra nordestinos em um grupo de mensagens chamado “Resenha da ACP”.
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Alexandre Motta do Prado, de 56 anos, professor de educação física da Escola Estadual Joaquim Murtinho, morreu na madrugada de quarta-feira (14) em acidente entre seu Honda HR-V e um caminhão na BR-060, em Campo Grande. Seis dias antes, ele foi acusado de publicar mensagens xenofóbicas contra nordestinos em um grupo. A Secretaria de Educação determinou sindicância, ainda em abertura. A perícia indica que o carro invadiu a pista contrária. O motorista do caminhão não bebeu.
Prints das conversas mostram mensagens atribuídas ao professor com ofensas ao povo nordestino. “O Nordeste é um bom lugar para testar a bomba nuclear brasileira”, diz uma delas. Em outra, ele escreveu: “Comedor de calango com cacto”. Na sequência, publicou: “Tem que comer calango com cacto mesmo... FDPs da porra”.
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As mensagens foram publicadas em 8 de outubro, data em que é celebrado o Dia do Nordestino. Durante a conversa, outro integrante do grupo repreendeu o professor. “Cuidado o que você tá fazendo é crime, hein”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “Vota em quem você quiser".

Ao Campo Grande News, o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, lamentou a morte do professor e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade escolar. Sobre a denúncia de xenofobia, informou que determinou a apuração dos fatos por meio de sindicância, cujo processo de abertura estava previsto para aquela semana.
Segundo o secretário, o procedimento ainda estava em fase de abertura porque as escolas estavam no período conhecido como “semana do saco cheio”, quando as atividades escolares ficam suspensas. Até o momento, Alexandre não havia sido afastado das funções.
Questionado sobre o grupo de mensagens e o teor das conversas, o presidente do ACPMS (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, afirmou que a entidade está tomando providências em relação aos professores filiados envolvidos. Segundo ele, Alexandre não era filiado ao sindicato desde 2022.
Gilvano lamentou o ocorrido e destacou a importância do respeito às diferenças. “O acontecido é realmente um choque para todos nós”, declarou.
Acidente - Segundo o boletim de ocorrência, a perícia preliminar apontou que o Honda HR-V conduzido por Alexandre invadiu a pista contrária e atingiu a lateral dianteira esquerda do caminhão, que seguia de Campo Grande para Jardim e Bonito.

Com o impacto, o carro saiu da pista e capotou em uma área de vegetação às margens da rodovia. Alexandre foi lançado para fora do veículo e morreu no local.
A violência da colisão destruiu o automóvel. O motor foi arremessado e ficou às margens da rodovia, enquanto peças e destroços se espalharam pela pista. O caminhão também sofreu danos e parou em uma área de capim.
O motorista do caminhão permaneceu no local, colaborou com as equipes e fez o teste do bafômetro, que não apontou consumo de bebida alcoólica. Um Fiat Doblò que passou pelo trecho após a colisão também foi danificado ao atingir destroços espalhados na pista.
Na manhã desta quarta-feira, a reportagem esteve no local e encontrou alguns fragmentos às margens da rodovia. O que restou do Honda HR-V foi retirado por um guincho.
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