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Capital

Mulher de pedreiro acusado de assassinatos em série ganha liberdade

Presa desde maio por ajudar o marido em um dos crimes, Roselaine aguarda o julgamento em casa, com a filha

Geisy Garnes | 21/12/2021 09:05
Vituara da Delegacia de Homicídios em frente à casa da vítima, onde o crime aconteceu. (Foto: Henrique Kawaminami)
Vituara da Delegacia de Homicídios em frente à casa da vítima, onde o crime aconteceu. (Foto: Henrique Kawaminami)

Presa desde maio do ano passado por participação na morte do comerciante José Leonel Ferreira dos Santos, de 62 anos, Roselaine Tavares Gonçalves, mulher de Cleber de Souza Carvalho – conhecido como “Pedreiro Assassino” – ganhou o direito de aguardar julgamento em liberdade.

A decisão é do dia 17 de dezembro. Ao decretar a liberdade de Roselaine, o juiz Aluízio Pereira dos Santos reconheceu a confissão de Cleber como único autor do assassinato, a denúncia de tortura feita por ela contra os policiais que a prenderam em maio do ano passado e a necessidade de cuidados com a filha Yasmin Natasha Gonçalves Carvalho, também acusada do crime e inocentada pela Justiça neste mês.

Yasmin foi considerada inimputável, ou seja, completamente incapaz de entender o que fazia ao supostamente ajudar o pai no assassinato do comerciante.

O diagnóstico veio com laudo de insanidade mental feito a pedido da defesa, que comprovou que a jovem possui "retardo mental não especificado e comprometimento significativo do comportamento". Na prática, apesar de ter 21 anos, Yasmin possui características de uma criança de 6 anos de idade.

A necessidade de cuidados constantes com ela, desta vez, pesou na decisão do juiz. Isso porque a jovem ganhou a liberdade definitiva em setembro e, desde então, vive com uma tia, que segundo os advogados Dhyego Fernandes Alfonso e José Vinicius Teixeira de Andrade, não consegue mais manter a sobrinha e chegou a perder oportunidade de emprego por ter que ficar com ela.

Além disso, o magistrado reforçou a denúncia de tortura feita por Roselaine contra os policiais responsáveis pela investigação do crime. Em juízo, ela revelou ter sofrido pressão psicológica e agressões físicas para confessar o crime do marido.

O relato também foi levado em consideração na decisão pela inocência de Yasmin, decretada pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri e confirmada pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal de Mato Grosso do Sul. Em audiência, ela alegou ter confessado participação no assassinato, depois de ouvir a mãe gritar e chorar em uma sala enquanto prestava depoimento na delegacia.

Para ficar em liberdade até o julgamento da morte do comerciante, Roselaine precisará cumprir algumas medidas impostas pela Justiça, como a proibição de sair de Campo Grande sem autorização, o comparecimento mensal em juízo e recolhimento noturno nos fins de semana e feriados.

Apesar disso, para a defesa, a decisão representa a concretização de tudo que foi dito e provado no processo até agora. “A liberdade da Roselaine representa o resultado de toda instrução processual. Roselaine é inocente e está pronta para provar isso”, reforçou o advogado Dhyego Fernandes Alfonso.

Roselaine estava presa em Corumbá – cidade a 428 quilômetros de Campo Grande – e agora, volta para Campo Grande, onde deve cumprir as medidas cautelares estipuladas pelo juiz.

Enquanto isso, a defesa aguarda a realização da reconstituição do crime, medida essencial para confirmar a versão do próprio réu de que cometeu os crimes sozinho. “Os próximos passos são realizar a reconstituição do crime e produzir mais uma prova que Cleber agiu sozinho. A defesa acredita que com a realização do exame, a verdade dos fatos aparecerá”.

O pedido para reconstituição do crime partiu da defesa e foi aceito pelo juiz em setembro. Apesar disso, a polícia negou a possibilidade de refazer os últimos minutos de José Leonel com vida. Diante da situação, os advogados de Cleber e o próprio acusado reforçaram a necessidade do procedimento. Até o momento, não houve manifestação do juiz sobre o conflito.

Processo – Cleber responde a sete processos por homicídio. Sobre o morte de José Leonel, o pedreiro contou que combinou de alugar o cômodo aos fundos da casa da vítima, mas que para isso, mudaria uma porta de lugar. Começou a obra, mas acabou impedido pelo morador. Isso gerou uma briga entre os dois.

No meio da discussão, afirmou, José pegou uma faca e tentou atingi-lo. Ele reagiu e usou o cabo de uma picareta para acertar a vítima. Foram três golpes na cabeça. Cleber afirmou ainda que deixou José em um quarto da casa até o dia seguinte e só então foi até lá, sozinho, para enterrar o corpo.

Além de José Leonel, o pedreiro é acusado de matar Timóteo Pontes Romã, 62 anos, José Jesus de Souza, de 45 anos, Roberto Geraldo Clariano, de 50 anos, Hélio Taíra, 74 anos, Flávio Pereira Cece, 34 anos, e Claudionor Longo Xavier, de 47 anos. Todas as vítimas foram mortas com pauladas na cabeça.

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