Mulher que apareceu nua em carro diz que "protesto" foi pedido por socorro
Depois da manifestação, ela relatou sensação de abandono e dificuldade para conseguir respostas
A mulher de 26 anos que apareceu de biquíni em frente ao CMO (Comando Militar do Oeste) e depois nua sobre um carro no Parque dos Poderes, no último sábado, tentou explicar à reportagem o motivo dos protestos, mas construiu uma narrativa marcada por mudanças de assunto, denúncias sem comprovação apresentada e diferentes versões para os atos. Ela terá o nome preservado.
RESUMO
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Mulher de 26 anos que protestou nua no Parque dos Poderes, em Campo Grande, concedeu entrevista e apresentou narrativa fragmentada com múltiplas justificativas para o ato, incluindo perda da guarda do filho, vazamento de fotos íntimas e suposta perseguição por autoridades. Após o protesto, foi atendida medicamente e liberada no dia seguinte. A DEAM confirmou visitas recentes da jovem à delegacia com diferentes demandas.
Durante mais de uma hora de entrevista, ela relacionou a manifestação à perda da guarda do filho, ao vazamento de imagens íntimas, a supostos erros de autoridades, corrupção na fronteira, perseguição, problemas familiares e até à visita do deputado federal Nikolas Ferreira a Campo Grande. Em vários momentos, os assuntos se misturavam.
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A jovem começava falando do filho de quase 5 anos, passava para denúncias contra investigadores, depois afirmava querer “mostrar a realidade do Estado”, reclamava do atendimento em delegacias e retornava à própria vida pessoal.
“Eu só queria que alguém me ouvisse”, repetiu mais de uma vez.
A reportagem foi até a casa dela dois dias após os protestos. Para receber a equipe, precisou pular o muro do imóvel. Segundo contou, o carro usado na manifestação foi removido após o episódio no Parque dos Poderes, e a chave da casa ficou dentro do veículo.
Enquanto conversava, alternava momentos de calma, indignação e emoção. Em determinado momento, disse que tudo começou após a separação do pai do filho, no ano passado. Segundo ela, os dois produziam conteúdo adulto juntos e, depois do término, imagens íntimas passaram a circular na internet.
A partir daí, afirmou ter perdido alunos, relacionamentos e parte da própria estabilidade emocional.
Ela contou que procurou ajuda psicológica e passou a frequentar delegacias e órgãos públicos. Também relatou episódios de tentativa de suicídio e disse ter começado a desconfiar da forma como vinha sendo tratada por autoridades.
Ao falar sobre a nudez durante o protesto, tentou justificar o gesto como uma reação à exposição que afirma já ter sofrido anteriormente.
“Porque já tinham acabado com a minha dignidade. Já tinham divulgado fotos íntimas minha na internet. Então, assim, por mim, se eu tivesse que ficar ali pelado ou não, eu ia ficar. Foi assim que Deus mandou Eva, não foi?”
A mulher afirmou várias vezes que o principal motivo do protesto foi a perda do contato com o filho. Segundo ela, havia um acordo informal com o pai da criança, mas o menino teria deixado de ser devolvido após um fim de semana. Em seguida, porém, a narrativa mudava novamente.
Ela dizia acreditar que autoridades passaram a ignorar suas denúncias, reclamava da forma como foi atendida em delegacias e afirmava que decidiu fazer a manifestação porque precisava “chamar atenção”.
“Eu falei: ‘Ou vocês me explicam o que está acontecendo ou eu vou ter que fazer uma loucura aqui para chamar atenção’”, contou.
Em outro trecho da conversa, relacionou o protesto à presença de Nikolas Ferreira em Campo Grande. Segundo ela, policiais teriam sugerido que fosse até o Parque dos Poderes porque o deputado estaria na cidade.
Depois, voltou a falar sobre contrabando, corrupção e problemas estruturais do Estado. “Eu queria que ele visse a situação daqui. A corrupção, o contrabando, como as coisas funcionam”, afirmou.
Em meio aos relatos, também passou a falar sobre a própria mãe. Disse acreditar que ela esteja desaparecida, mas afirmou não conseguir registrar boletim de ocorrência porque o computador dela “não entra” no site da Polícia Civil. Em seguida, relacionou o problema à sensação de perseguição que acredita sofrer.
“Eles me tratam como louca”, repetiu em diferentes momentos da conversa.

A DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) confirmou que a jovem esteve na unidade diversas vezes nos últimos meses, mas informou que os atendimentos envolveram demandas diferentes. Questionada pela reportagem, ela mesma cita vários pedidos desconexos para as autoridades.
A mulher também falou sobre a própria dificuldade de entender o que acontece em relação ao caso dela. Em um dos momentos mais simbólicos da entrevista, afirmou não saber exatamente qual investigação estaria em andamento envolvendo o próprio caso.
“Eu não sei o que está acontecendo. Não sei se estão investigando o sequestro do meu filho, minhas fotos vazadas, nada. Eu só sei que eu quero o que é meu”, disse.
Depois da manifestação no Parque dos Poderes, ela foi encaminhada para atendimento médico e liberada no dia seguinte. Segundo relatou, desde então tenta reorganizar a própria rotina enquanto aguarda respostas de autoridades.
Ao final da entrevista, na varanda da casa, voltou ao assunto que atravessou praticamente toda a conversa: a sensação de abandono. “Eu quero meu filho de volta. Quero minha família de volta. Só queria que alguém me ouvisse.”
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.



