Nada de velas e flores: comerciante aproveita movimentação para vender pastel
Vendedores apostam no aumento das vendas, apesar da concorrência e do risco de tempestade
RESUMO
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Comerciantes de Campo Grande aproveitam a movimentação em frente ao Cemitério Santo Amaro, antes do Dia de Finados, na segunda-feira (2). A vendedora Ermelinda Cristaldo Vilalva, de 56 anos, passou a oferecer pastéis a R$ 5. Famílias que vendem flores, com arranjos de R$ 5 a R$ 55, esperam aumento nas vendas, mas temem a chuva. O Inmet alerta para risco de tempestade na Capital e em outros 68 municípios do estado. Os cemitérios abrem às 7h e fecham às 17h.
O ditado popular “guri parado não vende picolé” combina com a disposição de Ermelinda Cristaldo Vilalva, de 56 anos. Moradora da região do Cemitério Santo Amaro, em Campo Grande, ela aproveitou a movimentação desta sexta-feira (30), véspera do feriado de Finados, para ganhar um dinheiro extra. Colocou pastéis de carne em uma pequena caixa de isopor e saiu para vender em frente ao local, onde o movimento começa a aumentar com a aproximação da data celebrada na segunda-feira (2).
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Ermelinda mantém comércio de salgados perto de casa, montado com a ajuda do filho após deixar o emprego em uma oficina mecânica. Ao perceber a circulação de pessoas no cemitério, decidiu experimentar um novo ponto de venda.
“Eu nunca venho aqui. Sempre vou até o ferro-velho e depois volto para casa. Mas vi que estava muito movimentado e resolvi aproveitar”, contou.
Cada pastel custa R$ 5. Quando conversou com a reportagem, a comerciante havia acabado de chegar e ainda não tinha vendido nenhum. Mesmo assim, pretende retornar na segunda-feira, quando espera encontrar mais clientes. A nora também poderá acompanhá-la para vender geladinho.
A movimentação também anima quem trabalha há décadas com a venda de flores. Eliane Aparecida de Castro Ferreira, de 55 anos, começou a ajudar a família em frente ao Cemitério Santo Amaro quando tinha cerca de 10 anos. A atividade passou de geração para geração e hoje reúne tios, sobrinhos e filhos.
“Somos moradores da região. Aqui é tudo em família, tio, sobrinho, filho, todo mundo trabalhando junto”, relatou.
Os preparativos para o Dia de Finados começam ainda no meio do ano, com a produção dos arranjos em casa. A família chega a preparar mil vasos ou mais, dependendo da demanda. Os preços variam de R$ 7 a R$ 50, enquanto as velas custam R$ 10.
Previsão do tempo - Apesar da expectativa de aumento nas vendas, Eliane está preocupada com a possibilidade de chuva, que pode afastar os visitantes e prejudicar o comércio. Até agora, o movimento tem sido tímido. “Está devagarzinho. O pessoal está vindo limpar os túmulos para esperar os familiares que vão visitar seus entes queridos. Eles verificam se precisam colocar um arranjinho e acabam levando”, explicou.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) alerta para o risco de tempestade em Campo Grande e outros 68 municípios de Mato Grosso do Sul na segunda-feira (2). Na Capital, o dia deve começar com temperatura amena, de 21°C, e a máxima pode chegar aos 31°C. A previsão também indica chuva de até 50 milímetros, ventos de 40 a 60 km/h e possibilidade de granizo.

Comércio informal - Quem também espera boas vendas é Sarvia Lourdes de Lima, de 81 anos, que mantém um ponto fixo de flores em frente ao cemitério. Moradora da região há 50 anos, ela trabalha durante todo o ano e conta com a ajuda do filho para preparar os vasos. “Antigamente eu mexia, mas agora meu filho faz para mim, porque é pesado”, explicou.
Os arranjos custam de R$ 5 a R$ 55. Apesar da experiência, Sarvia afirma que a concorrência aumenta bastante nesta época. “Quem está de fora pensa que a gente vende horrores aqui, mas fica tudo cheio de vendedores. Tem bastante concorrência”, relatou.
Além das flores, produtos personalizados também ganharam espaço. Heron Peralta, de 30 anos, participa pela primeira vez das vendas em frente ao cemitério. Dono de uma empresa aberta há cinco meses no Jardim Noroeste, ele comercializa fotografias em porcelana, placas e floreiras de mármore e ferro, com preços de R$ 60 a R$ 500.
Segundo ele, as fotografias são impressas com toner cerâmico e levadas ao forno a 980°C, em um processo que dura de 10 a 12 horas. A técnica permite que as imagens resistam por décadas. “Quando mostramos a qualidade e os detalhes, as pessoas ficam bastante impressionadas”, afirmou.
Visitas antecipadas – Enquanto os comerciantes se preparam para o Dia de Finados, familiares já começaram a limpar os túmulos. Aos 86 anos, Laíde Alves Luiz caminhou cerca de cinco quadras até o Cemitério Santo Amaro para cuidar da capela onde está enterrado o marido, falecido há quase 20 anos.
A idosa costuma contar com a ajuda de uma das filhas, mas desta vez foi desacompanhada, já que a filha está machucada após uma queda de moto. “Eu venho sempre fazer a limpeza, cuido da capelinha dele. Não venho toda semana porque já não aguento mais”, contou.
Laíde ainda não sabe se terá disposição para retornar na segunda-feira (2). “Já vim hoje. Segunda-feira, se eu estiver bem, eu venho. Mas não posso garantir”, afirmou.
Programação – A programação de Finados nos cemitérios Santo Amaro, Santo Antônio e São Sebastião começa às 7h, com missas, apresentações da Banda da Guarda Civil Metropolitana e cultos religiosos. Os portões serão fechados às 17h.
A entrada de veículos será proibida. A prefeitura orienta idosos e pessoas com mobilidade reduzida a visitar os cemitérios em outros dias, além de recomendar que os visitantes levem água e evitem pisar nos túmulos.




