ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, SEXTA  30    CAMPO GRANDE 19º

Interior

Força Nacional inicia policiamento em aldeias de MS após ameaças a indígenas

Equipes atuam em Tacuru, Coronel Sapucaia e Amambai; caso ganhou destaque no País após votação

Por Helio de Freitas, de Dourados | 30/10/2026 11:17
Força Nacional inicia policiamento em aldeias de MS após ameaças a indígenas
Equipe da Força Nacional em área indígena na região sul de Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (Foto: Força Nacional)

A Força Nacional iniciou, na noite desta quinta-feira (29), o policiamento em três comunidades indígenas do sul de Mato Grosso do Sul, em resposta às ameaças contra povos tradicionais registradas desde o segundo turno das eleições presidenciais. A medida integra a mobilização anunciada pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, diante de denúncias de intimidação e violência que ganharam repercussão nacional.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Força Nacional iniciou, na noite de quinta-feira (29), o policiamento nas aldeias Sassoró, em Tacuru, Taquaperi, em Coronel Sapucaia, e Limão Verde, em Amambai, no sul de Mato Grosso do Sul. A ação responde a ameaças contra indígenas após a eleição presidencial, incluindo áudios de servidores de Tacuru que sugeriam envenenar a água das comunidades. A prefeitura afastou os dois funcionários, o MPF abriu procedimento e o governo federal criou uma força-tarefa para receber denúncias.

Eloy divulgou nas redes sociais imagens das equipes em comunidades indígenas e informou que os agentes estão nas aldeias Sassoró, em Tacuru, Taquaperi, em Coronel Sapucaia, e Limão Verde, em Amambai. A presença da Força Nacional busca reforçar a segurança dos moradores diante das ameaças relacionadas ao resultado da eleição presidencial de domingo (25).

A mobilização ocorre depois que áudios de dois servidores municipais de Tacuru, a 420 quilômetros de Campo Grande, vieram a público. Nas gravações, os funcionários fazem comentários ofensivos contra indígenas e um deles sugere colocar veneno na água consumida pelas comunidades. A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) divulgou o conteúdo na segunda-feira (26).

As ameaças ultrapassaram os limites de Mato Grosso do Sul e ganharam espaço na imprensa nacional, com reportagens sobre os episódios de intimidação, racismo e possíveis represálias contra indígenas em decorrência da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Veículos como a Folha de S.Paulo e a CNN Brasil repercutiram as denúncias e as providências cobradas das autoridades.

Em Tacuru, o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou ao Campo Grande News que os envolvidos nas gravações são funcionários das secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Um deles trabalhava com caminhões utilizados em serviços de abastecimento de água das comunidades indígenas.

Inicialmente, o prefeito atribuiu as declarações ao consumo de álcool e à euforia com o resultado eleitoral. Na quinta-feira, porém, a prefeitura informou que afastou os dois servidores e instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para apurar a conduta deles.

As denúncias também mobilizaram órgãos federais. O MPF (Ministério Público Federal) instaurou procedimento e concedeu prazo de 48 horas para a Prefeitura de Tacuru prestar esclarecimentos sobre os responsáveis pelas gravações e as medidas adotadas para garantir a segurança dos indígenas.

A DPU (Defensoria Pública da União) também passou a acompanhar o caso e cobrou responsabilização criminal dos envolvidos. O órgão recomendou medidas de proteção aos moradores da aldeia Sassoró, incluindo cuidados com a segurança e a vigilância sanitária dos recursos hídricos utilizados pela comunidade.

Força Nacional inicia policiamento em aldeias de MS após ameaças a indígenas
Equipes também estão em escolas indígenas após ameaças (Foto: Força Nacional)

Força-tarefa

Na quinta-feira, Eloy Terena anunciou a criação de uma força-tarefa que reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos para receber e encaminhar denúncias de violência contra comunidades indígenas.

O ministro informou que o governo federal designou uma equipe para identificar os denunciados e encaminhar as informações aos órgãos responsáveis pelas investigações. Ele também confirmou que a PF (Polícia Federal) já instaurou inquéritos sobre parte dos casos recebidos, mas não detalhou quantos procedimentos estão em andamento.

As denúncias não se restringem a Tacuru. Em entrevista ao Campo Grande News na terça-feira (27), Eloy informou que o ministério também recebeu relatos de ameaças em Amambai, Naviraí e na região de Sidrolândia. Segundo ele, outras comunidades passaram a encaminhar mensagens, áudios e imagens com denúncias de intimidação. Nem todos os episódios, porém, tiveram confirmação pelas autoridades.

Em Naviraí, por exemplo, o MPF investigou relatos de supostos ataques contra indígenas relacionados ao resultado eleitoral, mas não encontrou elementos que confirmassem motivação política ou étnica nos casos analisados.

O governo federal também anunciou a criação de um canal direto pelo WhatsApp para receber denúncias e solicitou às corregedorias estaduais informações sobre episódios de violência registrados desde as eleições.

Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgado na quarta-feira (28) identificou 45 crimes de violência política no país desde sábado (24), com 47 vítimas e dez mortes. Três das pessoas que morreram eram indígenas. Mato Grosso do Sul apareceu como o terceiro estado com maior número de ocorrências notificadas, atrás do Paraná e de São Paulo. Os dados abrangem diferentes modalidades de violência política, não apenas ataques contra comunidades indígenas.

A chegada da Força Nacional às três aldeias representa o início da atuação ostensiva de segurança anunciada pelo governo federal, enquanto os órgãos responsáveis dão continuidade à apuração das ameaças.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.