Ambulantes são expulsos do autódromo: “Não quer que trabalhe”
Vendedores relatam prejuízo e dizem não entender proibição na região do evento
Em dias de shows, visitas de autoridades e eventos esportivos, é comum ver ambulantes espalhados pela cidade em busca de renda extra. As aglomerações geralmente começam cedo e se concentram nos arredores dos locais onde ocorrem as atrações. No entanto, na manhã desta quinta-feira (9), a venda de produtos foi proibida na região do Autódromo Orlando Moura, onde será realizado o show da banda Guns N’ Roses.
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Ambulantes foram impedidos de trabalhar nos arredores do Autódromo Orlando Moura, em Campo Grande, durante o show do Guns N' Roses nesta quinta-feira (9). A retirada foi realizada pela PRF, Semades e GCM, pois a área é considerada de autarquia federal. Vendedores vindos de São Paulo relataram prejuízos de até R$ 5 mil em mercadorias adquiridas para o evento.
A retirada dos ambulantes foi realizada por equipes da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e GCM (Guarda Civil Metropolitana). À reportagem, um representante da organização informou que a proibição ocorre porque a área é considerada de autarquia federal.
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Equipes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) também estiveram presentes, mas não participaram da expulsão dos ambulantes. “Não há, por parte da PRF, qualquer proibição à atividade, desde que não haja interferência no fluxo de veículos nem comprometimento da segurança viária no trecho sob sua responsabilidade”, informou a corporação.
“Mandaram nós embora, não querem que nós trabalhe aqui. Não pode trabalhar, não sei por quê. Dizem que é BR. Em todo lugar pode trabalhar, só aqui que não pode”, disse o ambulante Paulo Anunciação Alves, de 52 anos, que veio de São Paulo para vender artigos relacionados à banda.

Ele conta que, junto com outras quatro pessoas, percorre o país acompanhando a turnê do grupo para comercializar produtos nos shows. Segundo Paulo, a última apresentação acompanhada foi em São José do Rio Preto (SP), na terça-feira (7).
A indignação do grupo é pelo fato de a proibição, segundo eles, ocorrer apenas em Campo Grande. “O tamanho desse espaço aqui e não pode trabalhar? Dizem que é federal. Só aqui não estão deixando, em todos os lugares do Brasil deixaram”, afirmou.
Paulo relata que chegou à cidade nesta manhã e investiu cerca de R$ 3,5 mil em mercadorias, além do custo com passagem. “Vamos sair no prejuízo, nem dinheiro para ir embora nós temos. [...] Agora tem que ir para a rodoviária e ir embora, fazer o quê? Mas nós vamos tentar trabalhar assim mesmo”, disse.
Outro ambulante que deixou o local frustrado foi Ronaldo Nascimento, de 42 anos. Ele afirma ter investido entre R$ 4 mil e R$ 5 mil em produtos. “Peguei dinheiro emprestado, tudo”, contou.
Roberto Rodrigues, de 38 anos, também está entre os vendedores que tentavam trabalhar na região. Segundo ele, um grupo de cerca de 30 ambulantes saiu de São Paulo (SP) e alugou carros para acompanhar a turnê em busca de renda. Após a retirada, eles tentam entender até onde podem atuar.

“O espaço cedeu oportunidade para uns cinco ou seis venderem. Foi para poucos e não para a maioria. Nós queremos saber da fiscalização até onde podemos chegar, qual o limite para não prejudicar a rodovia e o trabalho deles”, disse.
A reportagem procurou a Semades, mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.
(*) Matéria editada às 11h15 para acréscimo de informação da PRF
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