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Capital

“Nem se morrerem vai suprir a dor que sinto”, diz mãe de menina assassinada

Adriana de Oliveira da Silva revelou que sonho da filha era ser médica e salvar vidas

Por Bruna Marques | 06/05/2024 09:33
Adriana ao lado da filha de 13 anos, morta a tiros na última sexta-feira (3) (Foto: Reprodução/Facebook)
Adriana ao lado da filha de 13 anos, morta a tiros na última sexta-feira (3) (Foto: Reprodução/Facebook)

“Nem se eles morrerem vai suprir a dor que estou sentindo”, essa é a frase dita pela cuidadora de idosos Adriana de Oliveira da Silva, 38 anos, mãe da adolescente de 13, assassinada por engano na sexta-feira (3), para definir o sofrimento de perder a filha precocemente e de forma tão cruel.

Emocionada, Adriana conversou com o Campo Grande News, na manhã desta segunda-feira (6), três dias após o crime que levou dela sua única filha menina e companheira. “Ela foi planejada, é muito amada, minha companheira de todos os dias e horas, morava comigo. A dor que estou sentindo e o que estou passando não vai amenizar nunca”, relata a cuidadora.

Questionada sobre a personalidade da filha, Adriana definiu a menina como alegre e sonhadora. “Tinha muitos planos e sonhos. Queria ser médica e cuidar das pessoas. Era muito alegre fala ‘mãe, eu vou cuidar de você quando estiver bem velhinha’, é muito difícil, ela querendo salvar vidas e uma pessoa tirou a dela”, lamentou.

Adriana revelou que a menina adora se reunir com amigos, que o programa era comum nos finais de semana. A mãe e seu namorado que levavam ela na casa dos colegas. “Ela amava ficar com amigos, tomar tereré com eles. Mudamos de casa recentemente, estou morando no Caiobá, mas moramos muitos anos naquela região e os amigos dela são de lá. Eu ou meu namorado a levávamos de moto e ela dormia na casa da avó, próximo dali (se referindo ao local do crime), mas nesse dia ia dormir na casa da amiga, porque no sábado tinha um aniversário para ir com a menina e a família dela”, revelou.

No dia em que a filha foi assassinada, Adriana estava em casa e recebeu uma ligação da amiga da filha dizendo que ela havia levado um tiro. Ela lembra que foi correndo até a casa da menina para saber o que havia acontecido. “A amiga dela me ligou desesperada, fui até lá e a mãe dela me falou que ela tinha levado um tiro na boca e que estava no posto de saúde. Eu não estava acreditando, cheguei correndo lá e era verdade, não cheguei a ver ela naquele momento, vi só quando recebi a notícia do óbito. Na hora não sei te explicar o que passou na minha cabeça, para mim era mentira, era um pesadelo e que eu ia acordar”, disse com a voz embargada.

Familiares e amigos usam camiseta em homeagem à adolescente morta por engano (Foto: Marcos Maluf)
Familiares e amigos usam camiseta em homeagem à adolescente morta por engano (Foto: Marcos Maluf)

Sobre os suspeitos pelo crime, identificados como Rafael Mendes de Souza, Nicollas Inácio Souza da Silva, George Edilton Dantas Gomes, Kleverton Bibiano Apolinário da Silva e João Vitor de Souza Mendes, a mãe da adolescente afirma que não deseja o mal deles, e que nem a morte vai amenizar a dor que está sentindo. “Não desejo o mal deles porque não vai trazer minha filha de volta, Deus me perdoe, porque eu sou da igreja, mas nem se eles morrerem vai suprir a dor que estou sentindo, mas não desejo isso porque eu sei que a mãe deles vai sofrer como eu estou sofrendo”, diz.

Sem acreditar que a filha partiu tão cedo e de forma tão trágica, Adriana pede por justiça. “Quero que eles paguem pelo o que fizeram, queria entender por que fizeram isso. Será que eles não sabiam que ela tinha família e amigos que amam ela? Está sendo muito difícil. Quero que a justiça seja feita, é uma vida e ninguém tem direito de tirar a vida de algum, ainda mais desse jeito, ela era uma criança”, lamenta completando que nunca esquecerá do sorriso da filha.

Marca de tiro em uma casa na Rua Flor de Maio, no Jardim das Hortênsias, onde crime ocorreu (Foto: Marcos Maluf)
Marca de tiro em uma casa na Rua Flor de Maio, no Jardim das Hortênsias, onde crime ocorreu (Foto: Marcos Maluf)

O caso - Os adolescentes de 13 anos foram baleados por uma dupla em motocicleta que chegou atirando. Os supostos atiradores procuravam por um homem que estava na esquina vendendo droga, próximo à residência em que os jovens estavam.

Segundo testemunhas, o alvo dos disparos correu em direção a casa onde estavam os adolescentes, momento em que os jovens foram atingidos. Eles foram socorridos pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e Corpo de Bombeiros, mas não resistiram aos ferimentos.

Prisões - As mortes, por engano, dos dois adolescentes envolvem até o momento cinco pessoas. Quatro delas estão presas e um ainda está sendo procurado pela polícia. O alvo do grupo seria um jovem de 19 anos. As mortes expõem a disputa pelo tráfico de drogas na região do bairro Aero Rancho, região sul de Campo Grande.

Foram presos, pela equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações), Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) e Batalhão de Choque, Rafael Mendes de Souza, Nicollas Inácio Souza da Silva, George Edilton Dantas Gomes e Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, João Vitor de Souza Mendes, suspeito de ser o atirador ainda está foragido.

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