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Capital

Novo tomógrafo pode dobrar exames no Hospital Alfredo Abrão

Equipamento de R$ 2,15 milhões integra pacote de R$ 18,25 milhões viabilizado por Geraldo Resende

Por José Cândido e Viviane Oliveira | 22/09/2026 13:40
Novo tomógrafo pode dobrar exames no Hospital Alfredo Abrão
Novo tomógrafo deverá agilizar os exames e ampliar a capacidade de atendimento do Hospital de Câncer Alfredo Abrão. (Foto Juliano Almeida)

Um novo tomógrafo recebido pelo Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande, poderá reduzir de até 15 para cerca de três minutos o tempo necessário para a realização de determinados exames. Com isso, a unidade pretende dobrar a capacidade de atendimento, hoje estimada em 1,6 mil tomografias por mês.

RESUMO

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O Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande, recebeu um novo tomógrafo avaliado em R$ 2,15 milhões, que reduzirá o tempo de exames de 15 para cerca de 3 minutos, dobrando a capacidade de atendimento de 1,6 mil tomografias mensais. O equipamento integra um pacote de investimentos de R$ 18,25 milhões para modernização tecnológica da unidade, que também aguarda acelerador linear, ressonância magnética e PET-Scan, visando reduzir deslocamentos de pacientes do interior para tratamentos oncológicos.

Avaliado em R$ 2,15 milhões, o equipamento chegou ao hospital nesta segunda-feira (21) e já está sendo montado. A previsão é de que os primeiros exames sejam realizados na primeira quinzena de outubro, após a instalação e o treinamento da equipe.

Segundo o coordenador do setor de Radiodiagnóstico, Cláudio Melgar de Andrade, o aparelho ficará em uma sala humanizada, preparada para tornar o procedimento menos desconfortável aos pacientes.

“Hoje, um paciente leva em torno de 10 a 15 minutos para fazer o exame completo. Com o novo tomógrafo, esse tempo pode cair para dois ou três minutos. Isso vai aumentar nossa capacidade de atendimento e permitir a realização de mais tomografias de alta complexidade”, explica.

O tomógrafo da marca Canon, modelo Aquilion Serve SP, será utilizado desde a investigação inicial da doença até o planejamento de cirurgias, radioterapia e outros procedimentos. Também permitirá acompanhar a resposta dos pacientes ao tratamento.

Em uma área na qual o tempo pode ser decisivo, ampliar a capacidade de realizar exames significa acelerar diagnósticos e dar mais segurança às equipes médicas. O Alfredo Abrão é referência no atendimento oncológico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e recebe aproximadamente 600 pacientes por dia.

A expectativa é dobrar o número de tomografias, mas Cláudio ressalta que ter o equipamento não resolve sozinho a demanda. A ampliação dependerá também dos recursos disponíveis para custear os procedimentos.

“A intenção é dobrar os atendimentos. Isso depende também do financiamento e do quanto conseguimos custear, mas o equipamento nos dá capacidade para atender mais pacientes em menos tempo”, afirma.

Novo tomógrafo pode dobrar exames no Hospital Alfredo Abrão
Geraldo Resende viabilizou junto ao Ministério da Saúde os recursos para a aquisição do novo tomógrafo. (Foto arquivo)

O aparelho foi adquirido com recursos viabilizados pelo deputado federal Geraldo Resende junto ao Ministério da Saúde.

“A chegada deste tomógrafo é uma conquista importante para os pacientes e para os profissionais do Hospital Alfredo Abrão. Nosso trabalho tem sido garantir equipamentos modernos, ampliar a capacidade de atendimento e oferecer mais segurança e qualidade a quem enfrenta o câncer”, declarou o parlamentar.

Modernização chega a R$ 18,25 milhões

O tomógrafo integra um conjunto de investimentos de R$ 18,25 milhões destinado à renovação do parque tecnológico do hospital. Além de melhorar a estrutura disponível em Campo Grande, a modernização busca reduzir a necessidade de pacientes do SUS viajarem para outros estados em busca de exames e tratamentos de alta complexidade.

Entre os novos equipamentos está um acelerador linear, utilizado na radioterapia. O aparelho chegou ao hospital em maio e deverá começar a atender pacientes em janeiro de 2027.

Antes disso, a unidade precisa concluir a construção do bunker, estrutura especial de proteção na qual o equipamento será instalado. Segundo a presidente do hospital, Sueli Lopes Teles, a nova tecnologia poderá reduzir significativamente o número de sessões exigidas em alguns tratamentos.

“Eu tenho brigado com o meu pessoal para finalizar esse bunker logo, porque isso para o paciente é extraordinário. Um paciente que faz 30 sessões poderá fazer de oito a dez sessões. Isso vai reduzir a fila e o tempo de tratamento”, afirma.

Novo tomógrafo pode dobrar exames no Hospital Alfredo Abrão
Presidente do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Sueli Lopes Teles destaca que os novos equipamentos poderão reduzir o tempo de tratamento. (Foto Juliano Almeida)

A redução não será igual para todos. Dependerá do tipo de câncer, da localização do tumor e do protocolo definido pela equipe médica.

Segundo o coordenador operacional do hospital, Luciano Gasparini Nachif, o novo acelerador permite direcionar a radiação com maior precisão e, em casos indicados, aplicar doses maiores em cada sessão.

“Com uma precisão muito maior, conseguimos aplicar uma dose maior de radiação por sessão e, com isso, reduzir o número de dias de tratamento”, explica.

Além de diminuir o desgaste dos pacientes, a conclusão mais rápida de determinados tratamentos poderá liberar vagas para outras pessoas. O hospital, porém, não informou quantos pacientes aguardam atualmente pela radioterapia. Segundo Sueli, a fila é administrada pelas secretarias municipal e estadual de Saúde.

Em 2025, o Alfredo Abrão realizou 18.112 sessões de radioterapia em 1.269 pacientes.

Viagens que começam de madrugada

Para quem mora no interior, cada sessão representa não apenas o tratamento, mas também horas dentro de vans e carros das prefeituras. Muitas viagens começam de madrugada e terminam somente à noite.

Carlos Nardo, de 74 anos, sai diariamente de Dois Irmãos do Buriti para tratar um câncer de próstata em Campo Grande. Há cinco meses em tratamento, ele já realizou 25 das 28 sessões de radioterapia previstas.

“Vou terminar na sexta-feira e não vejo a hora. Todos os dias eu venho para Campo Grande”, conta.

Carlos acorda de madrugada e embarca na van utilizada pela prefeitura para transportar pacientes. Ao saber que o novo acelerador poderá reduzir o número de sessões em alguns tratamentos, imaginou uma rotina menos desgastante.

“Vai ser excelente. Imagina diminuir pela metade. Se pudesse resolver em poucas sessões de radioterapia, seria muito bom.”

Para Eliezer Candelário, de 42 anos, moradora de Jardim, o caminho é ainda mais longo. Em tratamento contra um câncer no colo do útero, ela havia realizado dez das 25 sessões de radioterapia previstas quando concedeu a entrevista. O tratamento também inclui cinco sessões de quimioterapia.

“Eu saio de Jardim às 2h30 da manhã, todos os dias, no carro da prefeitura. Como vêm dois ou três pacientes juntos, depois da minha sessão ainda preciso esperar os outros terminarem o atendimento. Ontem, por exemplo, cheguei em casa às 8 horas da noite. É bem cansativo”, relata.

Uma vez por semana, Eliezer enfrenta a radioterapia e a quimioterapia no mesmo dia.

“Na quarta-feira, eu faço primeiro a rádio e depois vou para a químio. Saio daqui por volta das 16h30 e chego em Jardim às 20h30, 21h.”

Ao desgaste da estrada somam-se as reações provocadas pelo tratamento.

“A quimioterapia tem muitas reações. O corpo dói, a gente não consegue comer, não quer sentir cheiro de nada. Já comecei a perder peso. A radioterapia também cansa muito o corpo e dá uma sensação de queimação por dentro.”

Para ela, reduzir o número de viagens significaria enfrentar o câncer com um pouco menos de sofrimento.

“Seria maravilhoso. Se puder diminuir esse tempo, seria excelente, principalmente para quem precisa vir de outra cidade todos os dias. O tratamento é muito cansativo.”

Novo tomógrafo pode dobrar exames no Hospital Alfredo Abrão
Pacientes aguardam atendimento na recepção do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, que recebe cerca de 600 pessoas por dia. (Foto Juliano Almeida)

Ressonância e PET-Scan

O Alfredo Abrão também deverá receber um aparelho de ressonância magnética. A tecnologia produz imagens detalhadas de órgãos e estruturas do corpo, contribuindo para identificar tumores e acompanhar a evolução da doença.

Outro avanço previsto é a aquisição de um PET-Scan. O hospital foi selecionado pelo Ministério da Saúde para receber o equipamento, mas a liberação ainda depende da conclusão das etapas administrativas do governo federal.

O PET-Scan combina imagens anatômicas com informações sobre a atividade metabólica das células. Na oncologia, é usado para detectar lesões, verificar se a doença se espalhou e avaliar a resposta do paciente ao tratamento.

A incorporação dessa tecnologia poderá diminuir a necessidade de deslocamento para outros centros e reforçar a capacidade de diagnóstico em Mato Grosso do Sul.

Atendimento mais perto de casa

Os investimentos no Alfredo Abrão fazem parte de uma proposta mais ampla de regionalização da assistência oncológica no Estado. A estratégia busca modernizar as unidades de Campo Grande e, ao mesmo tempo, levar serviços especializados para outras regiões.

Em Dourados, está prevista a implantação de um serviço de oncologia no Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), destinado aos municípios da macrorregião. Em Três Lagoas, a proposta envolve o fortalecimento do atendimento no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora e a implantação da radioterapia.

Na Capital, os investimentos também abrangem a ampliação da radioterapia no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e a modernização da assistência oferecida pelo Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian.

Mais do que renovar máquinas, a chegada desses equipamentos pode representar diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais precisos e menos viagens para pacientes que já enfrentam uma das etapas mais difíceis da vida. O desafio agora é concluir as instalações, garantir recursos para custear os procedimentos e transformar a tecnologia disponível em atendimento efetivo.