Vetorial alega prejuízos e confirma suspensão da produção em Ribas
Na quinta, empresa anunciou encerramento ao sindicato; agora, diz que paralisação é por tempo indeterminado
Sem conseguir operar com resultado positivo desde o início do ano, a Vetorial decidiu suspender por tempo indeterminado a produção de ferro-gusa em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande. A usina será preservada para uma possível retomada, caso as condições econômicas melhorem. Em comunicado encaminhado ao Campo Grande News nesta sexta-feira (6), a empresa atribui a decisão à disputa pela madeira de eucalipto, ao aumento dos custos de produção e à crise nacional da siderurgia.
RESUMO
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A Vetorial suspendeu por tempo indeterminado a produção de ferro-gusa em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande, e vai preservar a usina para eventual retomada. A empresa cita a disputa pelo eucalipto com indústrias de etanol de milho, o aumento de custos e a crise da siderurgia. A paralisação ameaça 220 empregos diretos. O sindicato busca fornecedores de carvão para evitar demissões, e a prefeitura prepara cursos de capacitação. A unidade de Corumbá seguirá em operação.
Diferentemente da comunicação enviada ao sindicato dos trabalhadores, que previa o encerramento da produção em 11 de dezembro, a nova nota informa que a paralisação ocorrerá até o fim de 2026, sem estabelecer uma data exata. Segundo a companhia, o cronograma será definido após a conclusão dos preparativos operacionais.
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Documento assinado pelo diretor-presidente da Vetorial, Gustavo Correa, esclarece que a paralisação não representa necessariamente o fechamento definitivo da unidade. A estrutura industrial será mantida em condições de voltar a funcionar, embora não exista previsão de retomada.
"A paralisação é por tempo indeterminado", informa a empresa, acrescentando que a usina permanecerá preservada e preparada para voltar à atividade caso ocorram mudanças relevantes nas condições de mercado.
Disputa pela madeira - Principal justificativa apresentada pela Vetorial, a dificuldade de abastecimento de madeira e carvão vegetal está relacionada, segundo a companhia, à chegada de indústrias de etanol de milho a Mato Grosso do Sul. Esses empreendimentos utilizam biomassa como fonte de energia e, conforme a empresa, ampliaram a concorrência pela oferta de eucalipto, pressionando os preços.
Na comunicação anterior, encaminhada ao sindicato em 4 de novembro, a siderúrgica também havia mencionado a expansão da indústria de celulose como um dos fatores que contribuíram para a dificuldade de obtenção de matéria-prima.
Além da disputa pela madeira, a Vetorial aponta outros fatores que comprometeram a viabilidade econômica da unidade como a inflação persistente, aumento dos custos de transporte associado à legislação do frete mínimo, expectativa de maior carga tributária com a reforma tributária e crise nacional da siderurgia.
Segundo o comunicado, o setor siderúrgico é um dos principais compradores do ferro-gusa produzido em Ribas do Rio Pardo. Para a empresa, a retração desse mercado, somada à elevação dos custos, impede que a unidade apresente resultados positivos.
A companhia afirma que enfrenta prejuízos operacionais desde o início de 2026 e que passou os últimos meses buscando alternativas para reverter a situação. Também aguardava uma melhora do cenário político e econômico, que, segundo a direção, não ocorreu.
Na avaliação da Vetorial, a suspensão é necessária para recuperar as margens e os resultados financeiros da companhia, afetados pelo desempenho da unidade de Ribas do Rio Pardo.
Produção em Corumbá - Enquanto a usina de Ribas do Rio Pardo será paralisada, a unidade de ferro-gusa de Corumbá, no Pantanal, continuará funcionando e deverá aumentar o ritmo de produção para compensar parte da capacidade que deixará de operar.
Segundo a Vetorial, a fábrica de Corumbá é menos afetada pelas dificuldades econômicas nacionais porque sua produção é mais voltada à exportação.
As demais atividades da companhia e de empresas coligadas, incluindo mineração, operações portuárias, logística e carbonização, também serão mantidas. A empresa, entretanto, admite possíveis ajustes de capacidade em razão da suspensão da unidade de Ribas do Rio Pardo.
A Vetorial afirma ainda que outras empresas dos setores de mineração e siderurgia anunciaram paralisações nas últimas semanas, indicando que as dificuldades não se restringem à sua operação em Mato Grosso do Sul. O comunicado não identifica quais companhias adotaram medidas semelhantes.
220 empregos ameaçados - A suspensão da produção preocupa os trabalhadores da unidade. Segundo Johans Rogério de Pinho Loureiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá e Ribas do Rio Pardo, a fábrica possui atualmente 220 empregados diretos, além de terceirizados que atuam em serviços de alimentação, limpeza e outras atividades.
Nesta sexta-feira, a diretoria sindical decidiu procurar fornecedores de carvão vegetal para tentar evitar a paralisação. A entidade pretende esgotar as alternativas de abastecimento antes de iniciar negociações sobre possíveis demissões.
"Estamos tentando ver se conseguimos arrumar carvão em algum lugar, para não haver essa demissão", afirmou Johans ao Campo Grande News.
O sindicalista também criticou o Governo do Estado, que, na avaliação dele, incentivou a expansão de grandes indústrias consumidoras de madeira sem considerar as necessidades das empresas que já utilizavam a matéria-prima.
No comunicado enviado ao sindicato, a Vetorial havia informado que o encerramento das atividades industriais deverá resultar em desligamentos, embora admita a possibilidade de aproveitar determinados profissionais em outras unidades ou atividades.
A nota divulgada nesta sexta-feira não informa quantos empregados serão dispensados, se haverá transferências ou quando poderão ocorrer os desligamentos. Também não apresenta medidas específicas para os trabalhadores durante o período de paralisação.
Alternativas de emprego - Diante do anúncio, a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo começou a organizar ações de capacitação profissional para tentar absorver os trabalhadores que eventualmente perderem o emprego.
Segundo o prefeito, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico prepara uma reunião com representantes dos trabalhadores, do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do Governo do Estado, prevista para a próxima semana.
A proposta é aproveitar a demanda por profissionais em outros segmentos da economia local, especialmente na indústria de celulose e na silvicultura. Entre as funções com oportunidades estão motoristas, mecânicos, soldadores, eletricistas e operadores de máquinas.
O prefeito informou que entrou em contato com a diretoria da Vetorial e com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mas considera difícil reverter a decisão no curto prazo, por envolver questões comerciais e o custo da matéria-prima.
A Semadesc também foi procurada pelo Campo Grande News para comentar os impactos da expansão industrial sobre o abastecimento de madeira e as críticas apresentadas pelo sindicato. A reportagem aguarda retorno.
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