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Capital

OAB/ MS vai questionar delegado sobre apreensão de quadro em museu

Quadro foi apreendido em exposição do Marco, na tarde desta quinta-feira (14)

Por Luana Rodrigues | 15/09/2017 14:38
OAB/ MS vai questionar delegado sobre apreensão de quadro em museu

A OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul) afirma que vai questionar a Polícia Civil quanto aos argumentos para apreensão do quadro “Pedofilia”, que estava no Marco (Museu de Arte Contemporânea), em exposição da artista Alessandra Cunha Ropre.

Ao Campo Grande News na tarde desta sexta-feira (15), o presidente da OAB/MS, Mansour Elias Karmouche, afirmou que irá fazer um pedido formal de informações ao delegado Fábio Sampaio, da Depca (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), para saber sob qual argumento foi feita a apreensão.

“Nós estamos num Estado laico, que tem uma constituição que reza os princípios e normas. Nós temos a livre expressão como base de uma democracia livre. Não se pode usar da autoridade para defender questões ideológicas. O que está em jogo é a liberdade de expressão, por isso vamos fazer esse questionamento”, disse.

Protesto - Pela manhã, um grupo de 50 artistas fechou a Avenida Afonso Pena, com a rua 14 de Julho, em protesto contra a apreensão do quadro.

O artista Fernando Cruz disse que esta manifestação tinha o objetivo de denunciar a "censura", que segundo ele, já está se espalhando por todo País, tendo agora este caso em Campo Grande. "Temos que lutar para que esta prática não se torne algo recorrente, precisamos denunciar estes atos (censura) para a sociedade".

Fernanda Kunzler também criticou a postura dos deputados que denunciaram a obra de arte, além da postura das autoridades que resolveu apreender o quadro. "A arte nunca pode ser censurada, assim como a liberdade de expressão, que está prevista na nossa Constituição Federal".

Apreensão - O movimento contra a exposição “Cadafalso”, da artista foi o centro de acalorados debates na sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, de quinta-feira (14). Os deputados classificaram a obra da artista como promoção “de sacanagens e desrespeito à família e aos bons costumes”, depois Paulo Siufi, Herculano Borges e Coronel David, fizeram a denúncia oficialmente.

O delegado Fabio Sampaio, acatou o argumento e apreendeu uma das obras, alegando que há incitação ao crime. A artista se surpreendeu com toda repercussão sobre o quadro, dizendo que a intenção era provocar a reflexão e discussão na sociedade, criticando o machismo, abuso sexual e pedofilia.

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