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Capital

Operação suspeita que construtora recebeu por serviço feito pela Prefeitura

Investigada, a Construtora Rial tem contratos de R$ 113 milhões em Campo Grande

Por Aline dos Santos | 15/05/2026 12:00
Operação suspeita que construtora recebeu por serviço feito pela Prefeitura
Funcionário da Sisep em operação tapa-buracos de 2024 (Foto: arquivo)

O relatório da Operação “Buraco Sem Fim”, realizada na terça-feira (dia 12) contra desvio de dinheiro público em contratos na manutenção de vias em Campo Grande, destaca suspeita de que a Rial Construtora Ltda recebeu por serviço executado pela própria prefeitura. O documento fundamentou os pedidos de prisões, que foram deferidos pela Justiça.

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A Operação Buraco Sem Fim revelou suspeita de que a Rial Construtora Ltda recebeu por serviços executados pela própria Prefeitura de Campo Grande. A empresa, com contratos de R$ 113,7 milhões, foi apontada como sem capacidade técnica. Foram presos os sócios Antônio Bittencourt e seu pai, o "Peteca", apontado como real decisor. Dos R$ 429 mil apreendidos, R$ 233 mil estavam na casa dele. O ex-secretário Rudi Fiorese também foi preso.

Arquivos apreendidos na Cascalhos de Areia, operação realizada em 2023, trouxeram indícios do pagamento na manutenção do revestimento primário em vias sem asfalto.

“Um exemplo são os serviços apontados nos Relatórios de Campo relacionados à estas equipes (PMCG Equipe), que foram medidos pela Construtora Rial Ltda. Isso pode ser observado na 50ª Medição (...), onde foi apontado que os serviços realizados naquele mês teriam sido executados pela equipe própria da Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG), ainda que tenham sido apontados no Relatório dos Serviços Realizados (...) como executados pela Construtora Rial Ltda e pagos à esta”.

Dona de contratos de R$ 113.702.491,02, valor irrigado por aditivos, a Rial foi apontada por servidora da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) como sem capacidade técnica e com trabalhos de “péssima qualidade”. A reclamação consta no relatório.

Foram presos Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, que é sócio-administrador da empresa, e seu pai Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”. Para a investigação, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões. A empresa está em nome do filho e da esposa.

“Por trás da fachada formal da empresa, os elementos apontam para a atuação proeminente de Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o Peteca, identificado como sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões”, aponta o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Dos R$ 429 mil em espécie apreendidos na “Buraco Sem Fim”, mais da metade (R$ 233 mil) estava na casa do empreiteiro Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa. Outros maços de dinheiro vivo foram encontrados na residência de Rudi Fiorese, que foi titular da Sisep.

Operação suspeita que construtora recebeu por serviço feito pela Prefeitura
Dinheiro apreeendido na operação contra desvios em obras públicas. (Foto: Divulgação/MPMS)

A investigação do Gecoc, braço do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), constatou a existência de organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas  por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

 As evidências revelaram pagamentos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias.

A Prefeitura de Campo Grande informou que ainda aguarda acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça. "O principal objetivo é não prejudicar o andamento dos serviços prestados à população. Eventuais manifestações serão realizadas judicialmente nos autos do processo".

Segundo o advogado Werther Sibut de Araújo, que atua na defesa do ex-secretário, a prisão não se coaduna com a história construída por Rudi e que vai demonstrar sua conduta ilibada. A defesa entrou com pedido de habeas corpus no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários  Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.

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