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16/03/2016 09:12

Paciente com câncer vai à Justiça e protesta para conseguir tratamento

Natalia Yahn
Lucila quer liberação da fosfoetanolamina. (Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução Facebook)Lucila quer liberação da fosfoetanolamina. (Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução Facebook)

Sem voz, por conta do câncer, Lucila Cleufa Andrade, 43 anos, consegue expressar de outras formas o desejo de ser tratada com a substância fosfoetanolamina sintética, apelidada como “fosfo”. Uma foto dela, divulgada nas redes sociais, segurando um cartaz com os dizeres: “2014 – Minha mãe morreu de CÂNCER. 2015 – Minha irmã morreu de CÂNCER. 2016 LIBEREM A FOSFO PARA QUE EU POSSA VIVER”, mostra a esperança no novo tratamento.

Ela soube da substância vasculhando a internet em busca de informações sobre a doença. Encontrou notícias e grupos em redes sociais a respeito da “fosfo” que tem o poder, segundo seus defensores, de fazer tumores regredirem. A fosfoetanolamina é um composto químico orgânico presente naturalmente no organismo de diversos mamíferos, mas agora é fabricada num laboratório do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) no campus de São Carlos.

Foi no município paulista que Lucila ingressou com uma ação judicial para ter acesso a substância. Por não ser legalizada como medicamento, a "fosfo" não tem indicação médica, mesmo assim dá esperança para pacientes que convivem com o câncer. A mãe dela faleceu em dezembro de 2014 e a irmã em julho de 2015, ambas tinham câncer.

“Temos relatos de pessoas que já utilizaram e apresentam uma grande melhora. É sobrevida, qualidade de vida. E estamos envolvidos na campanha nacional para que a "fosfo" seja legalizada. Aguardamos aprovação do Senado e da presidente (Dilma Rousseff)”, disse o marido de Lucila, Jonas Totola Carbajal, 38 anos.

Lucila é assistente social e árbitra, mas atualmente vive o drama de tratar um câncer que começou na mama em 2006. Após duas cirurgias – além de quimioterapia e radioterapia realizadas em São Paulo – a doença voltou em 2013. Um exame de rotina apontou metástases nos pulmões e axilas. “Iniciei todo tratamento convencional para câncer. Muitas sessões de quimioterapia e nenhum resultado favorável. Mas continuava firme e confiante na cura, fazendo quimioterapia”.

No cartaz Lucila relata drama de perder mãe e irmã, que tinham câncer. (Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução Facebook)No cartaz Lucila relata drama de perder mãe e irmã, que tinham câncer. (Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução Facebook)

Para responder as perguntas do Campo Grande News, Lucila precisou escrever um e-mail, já que atualmente tem câncer nos pulmões e ossos, e vive com máscara de oxigênio 24 horas por dia. “Qualquer esforço físico, por menor que seja, me causa um desgaste enorme. Noites sem dormir com taquicardia, internações devido à infecção, líquido nos pulmões, início de pneumonia”, disse. 

No dia 8 de março deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que libera a “pílula do câncer”, como a "fosfo" é também chamada. Atualmente, o uso da substância é proibido e o remédio não é reconhecido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Também não está claro os efeitos da "fosfo" sobre os pacientes.

A proposta aprovada na Câmara permite a produção, importação, distribuição e prescrição “independentemente do registro sanitário, em caráter excepcional, quanto estiverem em curso estudos clínicos” sobre a substância. Só agentes autorizados pelo governo vão poder produzir e distribuir a pílula. Agora o projeto segue para o Senado.

Mesmo assim Lucila quer tentar a diz que tem esperança “da cura mais perto”. “Entramos com pedido na justiça para que eu tenha o direito de viver. Muitos casos já foram relatados de pessoas que usaram a "fosfo" e hoje estão curadas. Queremos que a substância fosfoetanolamina sintética deixe de ser chamada como substância e passe a ser o remédio da cura”.

E mesmo com nada definido sobre o uso da substância ela faz planos. “Quero muito ficar bem e voltar a realizar meus sonhos. Meu sonho é participar das Olimpíadas como árbitra”.

Vitória - No dia 9 de março o desembargador Julio Roberto Siqueira Cardoso, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, concedeu antecipação de tutela para o pedido de liminar de uma paciente com câncer de 58 anos, que vai receber a "fosfo".



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