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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

13/05/2015 12:23

Paciente diagnosticado com raiva morre no HU, primeira em 20 anos

Ricardo Campos Jr. e Liana Feitosa
Médicos que participaram da equipe que atendeu paciente com raiva (Foto: Liana Feitosa)Médicos que participaram da equipe que atendeu paciente com raiva (Foto: Liana Feitosa)

O homem de 38 anos diagnosticado com raiva humana morreu nesta quarta-feira (13) no HU (Hospital Universitário). A equipe que atendeu o paciente afirma que esse era um desfecho esperado dada a gravidade do quadro clínico. A vítima foi mordida por um cão infectado em Corumbá, a 419 km de Campo Grande, e só procurou ajuda 60 dias após o contato com o animal.

Segundo o infectologista Maurício Pompílio, que acompanhou o caso, a taxa de sobrevivência da doença é extremamente baixa. A cada 60 mil casos registrados em um ano, menos de um por cento saem com vida.

O paciente chegou ao HU consciente e com dificuldades respiratórias. Quatro horas depois de dar entrada, precisou ser entubado. Morte cerebral já tinha sido constatada. Às 7h de hoje, o homem teve uma parada cardíaca. Mato Grosso do Sul não registra caso de raiva humana há mais de 20 anos, o último foi em 1994.

Nilson Moro, cardiologista que participou da equipe que acompanhou o caso, explica que o vírus leva o paciente a perder pressão arterial, ter descontrole cardíaco e, em muitos casos, evolui para edemas cerebrais que levam à parada cardíaca.

A cidade de Corumbá, onde a vítima foi mordida, sofre com um surto de raiva animal. Os parentes do paciente foram procurados pelo serviço de saúde local e encaminhados para tratamento contra a doença, feito por meio de vacina. São várias doses da imunização que variam caso a caso.

Lições – Mesmo com o caso evoluindo até a morte do paciente, os 30 dias de internação tornaram possível uma série de estudos sobre a doença. Segundo Pompílio, a equipe teve a chance de aplicar um novo protocolo de atendimento recomendado pelo Ministério da Saúde.

Com isso, o vírus foi negativado, ou seja, se o homem tivesse sobrevivido, não transmitiria a raiva. Conforme o infectologista, as análises poderão ajudar em casos futuros.

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