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Pandemia fez crescer em 63% internações por queimaduras na Santa Casa

Número alarmante: acidentes com fogo aumentaram 63% em relação ao mesmo período do ano passado

Por Paula Maciulevicius Brasil | 26/02/2021 13:28
Paciente na Santa Casa, hospital de referência no tratamento de queimados em Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo da Santa Casa)
Paciente na Santa Casa, hospital de referência no tratamento de queimados em Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo da Santa Casa)

Com crianças e adultos passando mais tempo em casa, por conta das orientações de se evitar aglomeração em meio à pandemia, a ala de queimados da Santa Casa já sentiu o aumento do número de acidentes envolvendo fogo. Só entre janeiro e fevereiro deste ano, as internações aumentaram 63% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Segundo levantamento da Santa Casa, hospital referência no tratamento de queimados no Estado, no primeiro bimestre de 2020 foram 41 pacientes internados. Em 2021, o número saltou para 67. Isso de 1ª de janeiro até o dia 25 de fevereiro.

"Acreditamos que isso esteja acontecendo por conta do isolamento social e da pandemia, as pessoas estão passando mais tempo em casa, então eles têm mais chances de apresentar acidente doméstico", fala a chefe do serviço de cirurgia plástica da Santa Casa, a médica Renata Ferro.

No dia a dia na ala que trata dos ferimentos por queimaduras, Renata Ferro observa que o aumento foi ainda mais expressivo em crianças. "Principalmente por estarem mais tempo em casa e se exporem mais aos riscos. Você não pode deixar um minuto sem atenção que a criança pode se queimar com fogo, água quente e até mesmo mexer com álcool", descreve.

Na imagem, uma das crianças atingida pela explosão de fogo na chapa em Maracaju. (Foto: Direto das Ruas)
Na imagem, uma das crianças atingida pela explosão de fogo na chapa em Maracaju. (Foto: Direto das Ruas)

No entanto, o acidente doméstico que mais tem feito vítimas, até fatais, é o bife na chapa, que deixa queimaduras mais graves e requer internações no CTI. Hoje mesmo, foi noticiada a morte da menina de 14 anos que teve o corpo queimado ao fazer um bife, em Macaraju, cidade distante 160 quilômetros da Capital.

Nesse caso, a família inteira se feriu. A vítima mas grave, o pai e a irmã de 9 deram entrada na Santa Casa no último dia 14, mesmo dia em que ocorreu o acidente. A adolescente foi a mais atingida pela explosão e teve 55% do corpo queimado. Ela estava no CTI em estado grave.

O pai das meninas preparava o bife na chapa utilizando álcool, quando houve a explosão. Ao tentar socorrer as filhas, o homem caiu e quebrou o braço, além de ter tido queimaduras. A vítima mais nova sofreu queimaduras de 2º graus no rosto, pé, dorso e coxa, equivalente a 30% do corpo. Ela continua internada no hospital, consciente, orientada e estável no momento. A família toda está sendo acompanhada pela equipe do serviço de psicologia da Santa Casa.

Graus - A chefe da cirurgia plástica da Santa Casa explica que as queimaduras têm primeiro, segundo e terceiro grau. "A de primeiro grau, é aquela queimadura solar que em poucos dias você está recuperado e nem precisa de hospitalização, muitas vezes se resolve com hidratação; a de segundo grau, que já são queimaduras mais profundas, que formam bolhas e requer internação e uma recuperação mais longa dependendo da extensão do ferimento e as de terceiro grau, que são aquelas relacionadas a elementos inflamáveis, como gasolina e álcool", explica Renata.

Aumento de vítimas aumentou e hospital tem atribuído à pandemia, quando famílias estão mais em casa. (Foto: Arquivo/Santa Casa)
Aumento de vítimas aumentou e hospital tem atribuído à pandemia, quando famílias estão mais em casa. (Foto: Arquivo/Santa Casa)

No caso de queimaduras de terceiro grau, a médica descreve o passo a passo dos cuidados na internação. "São curativos diários, muitas vezes precisa remover o tecido que morreu, fazer enxerto de pele e depois disso, ainda tem que ser acompanhando no ambulatório e muitas vezes, dependendo da extensão, é um tratamento de anos por conta das sequelas e isso poderia ser evitado", adverte.

Orientações - A médica orienta que o cuidado deve ser ainda maior quando se trata de crianças. "Você nunca pode deixá-los sozinhos, tem de tirar tudo o que tiver ao alcance de líquidos inflamáveis. E na chapa, o que a gente tem visto muito é que o acidente acontece não só com a pessoa que está fazendo, mas também ao seu redor", comenta.

O bife é o grande vilão quando acontecem acidentes domésticos assim porque as pessoas têm o hábito de usar etanol ou álcool líquido para completar as chamas, depois que a chapa já está acesa. "E como é combustível, acaba gerando uma lesão mais profunda", completa a médica.

Tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Fernando Carminatti, reforça que os acidentes acontecem não só com quem está fazendo o bife como as pessoas próximas da chapa. "O maior problema é quando vão fazer a reposição do líquido ou deixam o frasco próximo ao fogo sem o cuidado necessário de fechar o recipiente", diz.

A orientação dos bombeiros é para que deem preferência ao uso de chapas a gás e quando não for possível, que esperem a chapa esfriar para colocar mais líquido.

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