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Capital

Passageiros vivem "pesadelo" ao atravessar tempestade de areia em pleno voo

Aeronave decolou no momento em que a nuvem de areia avançava sobre a cidade

Por Adriano Fernandes | 15/10/2021 23:25

Por mais surpreendente que possa ter sido ver o estrago causado pela tempestade de areia que atingiu a Capital, nesta sexta-feira (15), nada parece ter sido tão assustador do que literalmente ter atravessado o fenômeno em pleno voo. A experiência foi vivida pelos passageiros de uma aeronave da Azul, que decolou no Aeroporto Internacional de Campo Grande, por volta das 14h45, exatamente o momento em que a nuvem de areia, conhecida como “haboob”, avançava sobre a cidade.

Entre eles, estava a psicóloga Cris Duarte, de 47 anos, que de Campinas (SP), narrou um pouco do desespero que foi a viagem. Cris conta que a tempestade atingiu a aeronave assim que ela levantou voo. “Foi questão de 2 minutos, o avião decolou, aí já veio aquela nuvem de areia e imediatamente a aeronave desestabilizou”, diz.

Vídeo feito pela psicóloga mostra o avião balançando em meio à tempestade de areia, no início da viagem, quando os passageiros ainda não tinham ideia do que estava acontecendo. Mas, logo na sequência, a turbulência aumentou vertiginosamente, segundo a psicóloga.

“Foi um desespero total, os passageiros começaram a passar mal, a vomitar. Deu para sentir o nervosismo dos próprios comissários, já que eles também não podiam levantar das suas poltronas por conta da turbulência”, lembra. Cris estima que a aeronave demorou cerca de 10 minutos para atravessar a tempestade de areia, enquanto a comandante manobrava o avião buscando a melhor rota.

“A comandante pediu para que todos tivessem calma e disse que estava tentando conduzir a viagem com segurança, mas os passageiros sentiram que não tinha nada de comum no que nós estavam passando. A aeronave desceu em queda livre, subiu, inclinou para direita, para esquerda, enquanto a comandante tentava desviar da tempestade, mas parecia que não tinha para onde ir”, conta a psicóloga. Depois que o fenômeno foi vencido, o “pesadelo” continuou.

Segundo Cris, todo o trajeto daqui até Campinas, que dura em média uma hora, foi feito sob forte chuva e ainda mais turbulência. “Foi um pânico total, os passageiros não paravam de chamar os comissários pedindo os saquinhos para vômito. Eles tiveram de passar umas três vezes recolhendo. Tinha gente rezando, só não houve gritos, mas eu chorei bastante”, diz.

Assim que o avião pousou em Campinas, os primeiros a descerem foram os passageiros que ficaram mais abalados e passaram mal por conta da turbulência. Passado o susto, a psicóloga garante que está bem e espera que o trauma não venha a tona ao retornar para a Capital, no domingo (17). “Os últimos dez minutos de viagem foram os únicos momentos de tranquilidade do voo. Não estava chovendo em Campinas, então, foi um alívio. Ao descer, ainda dava para ver a asa do avião suja de poeira”, conclui.

“Haboob” - A tempestade de areia atingiu ao menos sete municípios de Mato Grosso do Sul, seguida de muita destruição, nesta sexta-feira (15). A "haboob", nome dado ao fenômeno climático, passou por Campo Grande, Miranda, Corumbá, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã e Dois Irmãos do Buriti.

A Defesa Civil Estadual está fazendo monitoramento junto aos municípios para levantar os danos provocados por essa tempestade de areia.

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