Passeata na Afonso Pena cobra fim dos manicômios e defende cuidado em liberdade
Manifestantes seguraram cartazes e entoaram palavras de ordem
RESUMO
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Usuários da Rede de Atenção Psicossocial, profissionais e estudantes voltados à saúde mental, realizam a IV Caminhada da Luta Antimanicomial em Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (18). A data marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
A concentração ocorreu às 8h, com saída às 8h40, da Prefeitura Municipal. O grupo segue pela Avenida Afonso Pena até a Praça Ary Coelho.
Além da passeata, a atividade contará com apresentações culturais, sarau, feira de produtos da Rede de Atenção Psicossocial e ações de saúde.
A caminhada tem como objetivo fazer a sociedade refletir sobre a importância da Reforma Psiquiátrica, denunciar retrocessos nas políticas públicas e reafirmar o compromisso com um modelo de atenção em saúde mental humanizado e comunitário.
O coordenador do Fsmla (Fórum Sul-Mato-Grossense da Luta Antimanicomial), Walkes Vargas, defende que as pessoas que necessitam de atendimento, precisam ser tratadas em liberdade.
“A gente faz uma caminhada para mostrar às autoridades, à população, que as pessoas em situação de sofrimento psíquico, com transtornos mentais, têm o direito de ter o seu tratamento e seu cuidado em liberdade, que elas não sejam confinadas, trancafiadas, separada da comunidade e do convívio da família. Isso é uma luta que vem de muitos anos”, destacou.
Ainda de acordo com ele, a Reforma Psiquiátrica, sancionada por meio da Lei n° 10.216, de 6 de abril de 2001, diz que os manicômios deveriam ter acabado.
“De lá para cá, outras instituições mudaram os nomes, mas continuam com essas velhas práticas e por conta disso, fazemos essa atividade todos os anos para poder protestar contra isso, além de reivindicar mais recursos públicos para as unidades de saúde, para os Caps, que são os lugares que a gente acredita que deve atender toda essa população”, completou.
Segundo Walkes, as condições de trabalho não estão nada boas. “Os trabalhadores estão esgotados. A gente vive um cenário em que as condições de trabalho estão precárias, ao mesmo tempo em que a demanda cresce a cada ano. Em Campo Grande não tem nenhum centro de convivência, tem apenas uma unidade de acolhimento que atende praticamente o estado inteiro, isso é muito grave”, relatou.
A presidente do Conselho Regional de Psicologia, Camilla Fernandes, compartilha da mesma ideia.
“Vem para poder dar visibilidade e mobilidade para que não só a categoria da psicologia, mas também toda a sociedade possa ir de encontro com essa temática e entender como o cuidado em liberdade é importante, como o cuidado promovendo a autonomia do sujeito, a reintegração dele dentro do espaço da sociedade, se faz importante e a gente não quer mais que lógicas manicomiais operem dentro do cuidado de saúde”, destacou.
Toda a ação desta segunda-feira faz parte da IV Semana da Luta Antimanicomial e do VI Encontro do Cerrado, realizados entre os dias 14 e 19 de maio, com o tema “A delícia de ser o que se é".

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