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Capital

Perícia vai definir velocidade de carro e hora de acidente que matou jovem

Juiz Aluízio Pereira dos Santos determinou investigação nas imagens de câmera que gravou capotagem no dia 11 de julho

Por Anahi Zurutuza | 10/08/2020 17:36
Câmera gravou acidente às 20h17 (Foto: Reprodução)
Câmera gravou acidente às 20h17 (Foto: Reprodução)

Perícia nas imagens de câmera de segurança que gravaram a capotagem no Bairro Cabreúva que matou Bárbara Wsttany Amorim Moreira, de 21 anos, vai determinar a hora do acidente e a velocidade que o motorista, o namorado dela, conduzia o Peugeot 207.

A determinação é do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, pedido da defesa de Ricardo França Junior, o estudante de 24 anos acusado de homicídio pela morta da jovem, e do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

A intenção da defesa é provar que o acidente não aconteceu fora do horário do toque de recolher em Campo Grande –naquele 11 de julho, em vigor das 20h às 5h–, detalhe que chegou a ser usado contra o acusado para mantê-lo preso. O pedido de perícia foi feito pelo advogado João Ricardo Batista de Oliveira, na defesa prévia do cliente, anexada a ação penal no dia 3 de agosto.

Pelas imagens coletadas pela polícia, o acidente aconteceu às 20h17 daquele dia. Mas, segundo o defensor, “relatos informais de testemunhas presenciais e familiares, o acidente teria acontecido uma hora antes, aos exatos 19h17”. O advogado levanta a possibilidade de a câmera estar ajustada ao horário oficial de Brasília e não ao de Mato Grosso do Sul.

Por isso, quer que perito determine não só a hora do acidente, mas se as imagens são fidedignas, a marca e o modelo do equipamento que as captou e quem é o dono da câmera.

Ricardo, à esquerda, foi preso no dia em que a namorada, Bárbara, direita, morreu no acidente; ele está livre desde o dia 24 (Foto: Reprodução das redes sociais)
Ricardo, à esquerda, foi preso no dia em que a namorada, Bárbara, direita, morreu no acidente; ele está livre desde o dia 24 (Foto: Reprodução das redes sociais)

O advogado também diz discordar da acusação por homicídio doloso e embriaguez ao volante. “Ademais, a defesa discorda totalmente dos fatos narrados na peça acusatória, tendo em vista que os fatos não aconteceram como ali estão descritos. Aos olhos desta defesa, equivocada foi a assunção de tipicidade da suposta conduta, não se perfazendo justa causa para a instauração de ação penal”.

A defesa, contudo, diz se resguardar ao direito que apresentar os argumentos pela absolvição de Ricardo nas alegações finais.

No dia 5, o MPMS se manifestou contra o pedido. Entretanto, o promotor Wilson Canci Junior solicitou que, caso o juiz determinasse a investigação nas imagens, o perito também respondesse qual a velocidade permitida na Rua Onze de Outubro, onde o carro capotou, e qual era a velocidade do veículo conduzido por Ricardo.

O juiz decidiu então, no dia 6 de agosto, mandar fazer a perícia e deu prazo de 60 dias para que laudo seja entregue.

O acidente - Ricardo conduzia um Peugeot 207, desrespeitou o "Pare" no cruzamento da Rua Onze de Outubro com a Rua Santos Dumont, perdeu o controle da direção, bateu no muro de uma casa e capotou. A namorada, Bárbara, foi arremessada para fora do veículo e morreu na hora, teve o crânio esmagado.

A violência foi tamanha que vários moradores se assustaram com o barulho do impacto, consta no relatório do inquérito policial. E, conforme o croqui elaborado pela Polícia de Trânsito na cena do acidente, o carro parou a cerca de 20 metros do local onde arrancou lixeira e bateu na parede.

Naquele dia, apurou a polícia, Ricardo esteve duas vezes em conveniência do Bairro Cabreúva e comprou 38 cervejas. Para os profissionais que prestaram socorro, ele admitiu que havia bebido.

Ricardo foi preso no dia do acidente, quando foi levado para  a Santa Casa, sob efeito de morfina e escolta policial. Quando recebeu alta, foi transferido para o Ptran (Presídio de Trânsito) de Campo Grande, de onde saiu pouco antes das 9h do dia 24 de julho.

Veja o vídeo: