Bernal não tinha porte e usou arma ilegal para matar fiscal tributário
Revólver 38 usado por ex-prefeito para matar fiscal estava com documentação vencida desde 2019

O ex-prefeito Alcides Bernal não tinha autorização para portar armas e o revólver calibre 38 que usou para matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, estava ilegal. Ele também será investigado pelo uso irregular do armamento.
RESUMO
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O ex-prefeito Alcides Bernal, que matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, não possuía autorização para portar armas desde 2016. O revólver calibre 38 utilizado no crime estava com documentação vencida desde 2019, levando à inclusão de mais uma acusação no inquérito. Bernal alega legítima defesa, afirmando que reagiu a uma suposta invasão de sua residência. No entanto, o depoimento de uma testemunha e as investigações conduzidas pelo delegado Danilo Mansur contradizem essa versão, indicando que o ex-prefeito já chegou ao local atirando contra a vítima, que havia adquirido o imóvel da Caixa Econômica Federal.
De acordo com o delegado Danilo Mansur, da 1º DP (Delegacia de Polícia), foram solicitadas informações acerca da situação de Bernal à Polícia Federal, responsável por autorizar portes e posses de armas. O que se sabe por enquanto é que o ex-prefeito teve o aval para andar armado até 2016. O motivo de não poder portar mais armas ainda não foi esclarecido.
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O revólver usado na terça-feira (24) também já foi legal, mas está com a documentação vencida desde 2019. “Adicionamos esse crime [contra o sistema nacional de armas] ao inquérito e vamos apurar”, explicou Mansur.
Bernal foi preso em flagrante depois de se apresentar na 1ª DP. Ele foi levado em seguida para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada) para depor e o registro da ocorrência.
Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou legítima defesa e disse que, na tarde de terça-feira, não estava na casa da Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, que alega ser seu local de moradia e endereço profissional, mas foi avisado pela empresa de segurança de uma suposta tentativa de invasão e, quando chegou ao local, foi surpreendido por Roberto Carlos e um chaveiro.
“Invadiu minha casa e estava invadindo novamente”, afirmou sobre a vítima. “Eu dei os tiros e não foi para matar, porque ele veio para cima de mim, uma pessoa que eu não conheço, nunca vi”, completou durante o interrogatório. A defesa argumentou que o cliente atirou por reflexo, com o intuito de se proteger.
O depoimento do chaveiro de 69 anos que acompanhava Roberto Carlos na tentativa de tomar posse do imóvel narra o contrário. Diz que havia acabado de abrir o portão quando o ex-prefeito entrou na casa já apontando a arma em direção ao fiscal tributário. O ex-prefeito disse, segundo a testemunha: “O que você está fazendo aqui na minha casa, seu filho da p...”. Relatou ainda que a vítima não teve nem tempo de responder antes de ser atingida pelos dois tiros.
A família da vítima contesta a versão do autor confesso dos tiros. O advogado Tiago Martinho, contratado para acompanhar o inquérito e o processo contra Bernal, afirma que as circunstâncias do crime e as evidências já conhecidas apontam para um homicídio doloso (com a intenção de matar). “O senhor Roberto foi executado pelo acusado, de forma cruel. As imagens mostram que ele já entra na residência disparando”, afirmou.
O delegado Danilo Mansur também afirma que a tese de legítima defesa foi desmontada com o avanço das investigações e que Bernal não morava no imóvel comprado por Roberto Carlos Mazzini da Caixa Econômica Federal.
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