“Não se pode responsabilizar quem não define”, diz setor de combustíveis
Carta aberta aponta que postos são elo mais fraco e alvo fácil em meio à alta de preços
Em meio a mais um período de oscilação no preço dos combustíveis, representantes do setor voltaram a cobrar um debate mais técnico sobre a formação de preços no país. Em carta aberta divulgada nacionalmente, entidades ligadas ao varejo defendem que os postos, frequentemente apontados como vilões, ocupam justamente a ponta mais frágil da cadeia.
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O documento sustenta que o sistema de abastecimento envolve etapas complexas — como produção, refino, importação e distribuição —, enquanto os postos atuam apenas na etapa final, com pouca margem de manobra sobre os valores cobrados ao consumidor. Ainda assim, são os primeiros a sofrer pressão pública em momentos de alta.
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Segundo as entidades, o país tem mais de 40 mil postos em operação, responsáveis por centenas de milhares de empregos diretos e mais de um milhão de vagas ao considerar toda a cadeia associada. Além do papel logístico, o setor também é um dos principais arrecadadores de tributos, com forte incidência de ICMS, PIS e Cofins.
Apesar da relevância econômica, a margem de lucro do revendedor é descrita como mínima — “centavos por litro” —, valor que precisa sustentar custos operacionais como folha de pagamento, energia, manutenção e exigências regulatórias.
Preço nasce fora da bomba
A carta reforça que o preço dos combustíveis é definido ao longo de toda a cadeia e sofre influência direta de fatores externos, como a cotação internacional do petróleo, o câmbio e políticas comerciais das distribuidoras. A carga tributária também pesa significativamente na composição final.
Nesse cenário, os postos não têm ingerência sobre os principais componentes do preço, embora sejam o ponto mais visível para o consumidor — e, consequentemente, o mais cobrado.
Debate e regulação
Além de contestar o que classificam como “narrativas simplificadas”, as entidades pedem um ambiente regulatório mais estável e previsível, com foco em reduzir a dependência de importações e ampliar a capacidade de refino no país.
Outro ponto de crítica é a forma como fiscalizações têm sido conduzidas. O setor defende ações técnicas e criteriosas, sem exposição pública antecipada, para evitar prejuízos à imagem de empresas que operam dentro da legalidade.
Elo mais fraco
Ao final, o posicionamento é direto: responsabilizar o varejo pelo aumento dos combustíveis seria um erro de diagnóstico.
Para o setor, a crise não está na ponta visível, mas em fatores estruturais que exigem coordenação, dados e políticas de longo prazo — sob risco de o país continuar penalizando o elo errado da cadeia.


