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Capital

PM que matou um e feriu 4 admite tiros, mas alega legítima defesa

Por Viviane Oliveira | 03/01/2012 20:15

Advogado afirma que o policial só entrou na residência porque ouviu tiros em sua direção, mas não sabia de onde vinham

Carro de Samuel com roupas sobre o capô, que foi quebrado durante a briga.
Carro de Samuel com roupas sobre o capô, que foi quebrado durante a briga.

O soldado da PM (Polícia Militar) Samuel Araujo Lima, 34 anos, preso após matar uma pessoa e ferir quatro numa confusão na madrugada de ano novo, no bairro Pioneiros, admite que entrou na residência onde ocorreu a tragédia atirando, mas diz que foi em legítima defesa. A informação é do advogado de defesa do policial, Ronaldo Franco.

O defensor afirma que o policial só entrou na residência porque ouviu tiros em sua direção, mas não sabia de onde vinham. A casa de Samuel faz fundo com a residência onde os tiros foram disparados.

A primeira informação sobre o caso dava conta de que tudo começou em razão de uma briga de trânsito. O advogado diz que isso não aconteceu.

Segundo ele, o policial estava indo para a casa da noiva, na rua Padre Damião após a meia-noite do dia 1º e, ao reduzir a velocidade de seu veículo, um Fox de cor prata, foi cercado por um grupo de pessoas que começaram a bater com paus e tijolos no capô do veículo.

Assustado, segundo o advogado, o cliente dele saiu do veículo e foi agredido com um pedaço de madeira por outro grupo de pessoas, que estava na parte de trás do seu carro. De acordo com testemunhas, todos os agressores eram da mesma família.

As pessoas foram identificadas como sendo Márcio Pereira Soares, 22 anos, que está preso, Maílson Pereira Meaurio, 22 anos, Maikson Pereira Meaurio, 15 anos e Mateus Quirino Pereira Dias, 16 anos. Os dois últimos foram baleados pelo PM.

Após socos, pontapés e golpes de madeira, conforme afirma o advogado a partir da conversa com o cliente, o cabo da PM correu em direção a uma casa e foi perseguido pelo grupo. Ao se refugiar na residência, conta, ouviu um disparo de arma de fogo em sua direção.

Uma testemunha dos acontecimentos relatou para o advogado, segundo consta do inquérito, que um rapaz que tem a figura de um leão tatuada nas costas, conhecido por “Lyon”, estava armado e gritava que iria matar o PM. Ainda de acordo com a testemunha, "Lyon" é Maílson de 22 anos, filho de Ionar Marília Monteiro, e Wilson Meaurio, 41 anos. No tiroteio, Wilson foi morto pelo policial.

Samuel ainda na viatura do Samu. Ele levou 22 pontos na cabeça e teve duas paradas respiratórias.
Samuel ainda na viatura do Samu. Ele levou 22 pontos na cabeça e teve duas paradas respiratórias.

Ligação para irmã - Ainda de acordo com o advogado, após se refugiar em uma casa, Samuel ligou para a irmã, que é policial civil, pedindo socorro. A irmã, Sueili Araujo Lima, chegou atirando com a sua arma, uma pistola .40, que pertence ao estado, para dispersar o grupo.

Eles correram para a casa onde havia sido realizada uma festa de réveillon e, conforme o advogado de Samuel, de dentro da casa foi disparado vários tiros contra o PM e a policial civil. Neste momento, segundo o advogado, Samuel temendo pela sua vida e de sua irmã pegou a arma da mão dela e entrou na casa atirando em todo mundo que via pela frente.

Ainda conforme a versão da defesa, Samuel entrou na casa e foi recebido de forma agressiva por Wilson que insinuou estar armado. Ele atirou em Wilson e entrou na casa na tentativa de encontrar os agressores.

Os tiros acertaram a coxa direita de Ionar, que é a ex-mulher de Wilson, em Maikson, Mateus e em Maysson Pereira Meaurio, 10 anos, filho do casal, que não participou da confusão.

O advogado ressalta que com exceção de Wilson que insinuou estar armado, os disparos feitos por Samuel nas outras vítimas foram em direção as pernas. Ele não tinha intenção de matar ninguém.

Samuel levou 22 pontos na cabeça e chegou a sofrer duas paradas respiratórias em conseqüência das agressões sofridas, segundo o Ronaldo Franco.

Outra versão - Na versão das vítimas, a briga começou porque o policial Samuel quase atropelou o grupo e disse que por ser militar ‘podia tudo’. Em seguida, ele e Márcio brigaram e ambos ficaram feridos.

Após a irmã levar a arma para Samuel, ele foi ao local para onde o grupo havia se refugiado, entrou e atirou. Como a festa havia acabado, algumas pessoas já estavam dormindo e mesmo sem apresentarem risco ao policial foram baleadas.

O pedreiro Wilson Meaurio, 41 anos, que não estava envolvido na confusão na via pública, foi atingido por um tiro no lado direito do peito e morreu.

Ionar Marília Monteiro Pereira, de 37 anos, ex-mulher de Wilson, foi atingida na coxa direita, fez cirurgia para retirada do projétil e recebeu alta da Santa Casa no fim da manhã de ontem.

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