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Capital

Polícia suspeita que dois estrangularam universitário

Por Paula Maciulevicius e Mariana Lopes | 10/12/2012 10:50
Delegado Wellington de Oliveira fala que estrangulamento tem característica forte de traição. (Foto: Mariana Lopes)
Delegado Wellington de Oliveira fala que estrangulamento tem característica forte de traição. (Foto: Mariana Lopes)

A análise da Polícia Civil na cena do crime traz outro contexto para a morte do estudante Lawrence Corrêa Biancão, 20 anos, encontrado morto no próprio carro, no domingo à tarde. A suspeita é de haveria uma segunda pessoa envolvida no assassinato. Lawrence foi estrangulado com um cinto e a hipótese é de que a pessoa que fez isso estava no banco de trás.

“Se o cara estava no banco de trás, quem estaria no banco da frente?”, questiona o delegado responsável pelo caso, Wellington de Oliveira. Segundo ele, isso leva a Polícia a pensar que havia um ocupante atrás do carro, o que, consequentemente, indica que o banco do carona na frente estava ocupado.

Os dois amigos que prestaram depoimento à Polícia neste domingo foram intimados para serem ouvidos novamente.

Os amigos estavam com Lawrence entre a noite de sábado e o início da madrugada de domingo. Uma amiga foi deixada em casa, próximo ao Hospital Nosso Lar, depois que eles foram a um restaurante de comida japonesa e passaram em frente à boate Non Stop. Já o amigo ficou com ele até pouco mais de 2h da manhã. Foi ele quem disse à Polícia que Lawrence recebeu um convite por telefone para encontrar com uma pessoa de nome ‘Alberto’, na Orla Morena, onde o estudante foi encontrado estrangulado.

Para a Polícia, o depoimento dos dois está confuso em relação aos detalhes da noite. Em princípio, os dois negaram à Polícia que conhecessem Alberto.

Lawrence teria recebido uma ligação de alguém chamado Alberto. Pessoa que até agora a Polícia não encontrou relação com o crime. (Foto: Reprodução/Facebook)
Lawrence teria recebido uma ligação de alguém chamado Alberto. Pessoa que até agora a Polícia não encontrou relação com o crime. (Foto: Reprodução/Facebook)

Por enquanto o crime está sendo tratado como homicídio qualificado. A possibilidade de latrocínio foi descartada pelo delegado, porque em via de regra, todo crime deste tipo quer dizer que o autor tem a intenção de roubar, mas não a de matar.

“E o estrangulamento foge disso. Tem característica forte de traição”, completou Wellington de Oliveira.

Suspeitos – A Polícia já tem suspeitos que não são necessariamente o indicado pela testemunha, a pessoa que teria o nome ‘Alberto’. Segundo o delegado, seria alguém bem próximo à vítima.

Até o momento a Polícia não encontrou nada relacionado a esse suposto Alberto, que seria um jovem que pediu para se despedir de Lawrence, porque iria viajar para o Paraná, segundo depoimento do amigo da vítima.

Para o delegado, Lawrence foi para a Orla Morena por vontade própria. Se ele tivesse sido obrigado, o autor estaria usando uma arma para convencê-lo, suspeita. E o crime teria acontecido com a arma, ao invés do cinto usado no estrangulamento, prossegue.

Familiares da vítima também devem ser ouvidos para coleta de informações sobre o convívio social de Lawrence.

Cena do crime - O veículo estava todo revirado e o celular e a carteira da vítima foram levados, na tentativa de dificultar a identificação. Com Lawrence foram encontrados R$ 15.

O cinto encontrado no carro e que a Polícia acredita que possa ter sido o usado para estrangular o estudante pertence ao amigo que estava junto dele no restaurante de sushi. À Polícia, ele confirmou que o acessório era dele e que havia emprestado anteriormente para Lawrence, que devolveu ontem. Como o cinto não servia mais no amigo, ele relatou à Polícia que tirou e deixou no console do carro.

O estudante estava no banco do motorista, com lesões no pescoço que indicam estrangulamento e várias lesões pelo rosto, além de um machucado específico no joelho esquerdo, que para a Polícia, indica que ele tentou se defender no momento do crime.

A Polícia fez o levantamento de todos os pertences de dentro do carro, digitais e vestígios de suor ou fios de cabelo, para confrontar quem andou com a vítima além das testemunhas.

Além da quebra de sigilo telefônico, a Polícia também vai pedir análise do computador da vítima, que já está com a perícia, para obter informações a respeito do perfil social e chegar a quem supostamente estaria com ele naquele local.