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Capital

Presidiários gravam arremessos de objetos para dentro da "Máxima"

Nas imagens, de quase 1 minuto, é possível ver que está chovendo e há muitos internos no local

Por Viviane Oliveira | 29/12/2020 09:17
Chuva de "Pombos" foi registrado por interno dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (Foto: reprodução / vídeo) 
Chuva de "Pombos" foi registrado por interno dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (Foto: reprodução / vídeo)

Imagens gravadas por um dos presos mostram o momento em que vários objetos, chamados de pombos, são arremessados para dentro do EPJFC (Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho), a "Máxima", localizado na Rua Indianópolis, no complexo penitenciário do Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Ainda não se sabe quando o vídeo foi gravado dentro da quadra de esportes da penitenciária. Nas imagens, de quase 1 minuto, é possível ver que está chovendo e há muitos internos no local. “Olha lá família chovendo de pombo na quadra”, diz provavelmente o interno que está gravando o vídeo pelo celular. “É louco, família. Pombo com força”, reforça.

Se a lei fosse obedecida, não existiria aparelho celular no presídio, pois a pena privativa de liberdade impõe isolamento social e o único contato com o mundo externo, além das visitas regulares de familiares e advogados, deveriam ser as cartas, monitoradas.

Conforme o titular da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira, já foi solicitado imagem de câmera de segurança do presídio para identificar os presos, o dia e a hora que ocorreram os fatos. Ainda não se sabe o que foi arremessado, mas provavelmente, segundo Videira, droga e celulares. Maconha é o entorpecente mais apreendido dentro da penitenciária.

Segundo o secretário, medidas serão adotadas para reduzir esse tipo de ação. Ele explicou que o modelo do presídio de segurança máxima da Capital é antigo, pois quando foi construído não havia casas no entorno. Agora, a área foi urbanizada, situação que dificulta o monitoramento.

O ideal seria desativá-lo, mas se isso acontecer vai ocorrer superlotação nos novos presídios”.

Conforme apurado pela reportagem, os arremessos acontecem, pelo menos na maioria das vezes, quando os presos são liberados para alguma atividade fora das celas, como por exemplo: banho de sol, limpeza do pátio externo ou para cuidar da horta. Confira vídeo abaixo.

Outra situação foi o aumento da massa carcerária, explicou Videira. “40% dos internos que estão em Mato Grosso do Sul foram presos por tráfico de drogas e são de outros Estados. Estamos pleiteando a construção de mais um presídio, mais moderno, com 800 vagas no complexo da Gameleira”, explica.

Por meio de nota, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que, devido ao crescimento urbano e a falta de uma área de isolamento do presídio no passado, quando foi construído, hoje o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho está localizado de forma que possibilita o grande trânsito de pessoas no arredores da unidade prisional, o que facilita a estratégia de arremessos de ilícitos para dentro da unidade prisional.

Segundo o órgão, somente na semana passada foram interceptados pelos agentes 17kg de maconha, 22 gramas de cocaína arremessados. Também são interceptados, em média, cerca de 40 celulares  por mês, entre outros materiais proibidos, como fermento utilizado na fabricação de bebidas artesanais, e até mesmo carnes embaladas a vácuo e bebidas alcoólicas.

Importante destacar, segundo o órgão, que está programada uma obra no presídio, já com recurso aprovado. Entre as melhorias previstas estão barreiras de contenção que dificultarão esses arremessos. As obras deverão ter início assim que a Penitenciária da Gameleira (unidade 2) for ativada, pois possibilitará a remoção de internos e esvaziamento de parte da penitenciária para a execução dos trabalhos.

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