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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

22/03/2012 19:30

"Primeiro foi meu primo, depois eu", fala meninio de 10 anos baleado por PM

Nadyenka Castro

O crime aconteceu na madrugada de reveillon. Nesta quinta-feira foi a primeira audiência sobre o caso

Manchas de sangue ficaram na casa, que foi limpa no dia seguinte. (Foto: Simão Nogueira)Manchas de sangue ficaram na casa, que foi limpa no dia seguinte. (Foto: Simão Nogueira)

A cadeira era um pouco grande para o corpo franzino de um menino de 10 anos que, apesar da pouca idade, teve que nesta quinta-feira relembrar e contar à Justiça dos momentos em que foi baleado pelo policial militar Samuel Araújo Lima, na madrugada do dia 1º de janeiro deste ano.

Após se ajeitar para ficar mais confortável e ainda alcançar o microfone que grava os depoimentos, Mayson Pereira Meaurio falou ao promotor, advogados e juiz - sob olhar atento da mãe- o que viu e ouviu dentro da casa dele, onde ele e mais quatro pessoas foram baleadas pelo policial.

”Primeiro foi meu primo, depois eu”, disse o pequeno referindo-se aos tiros. O garoto conta que estava dormindo com o primo de 16 anos no quarto e acordou com barulho de tiros e viu Matheus Quirino Pereira Dias ser atingido por um disparo e em seguida ele próprio. “Eu chorei só”, relembra e levanta da cadeira para mostrar o ferimento na ‘canela’ direita.

Na perna do menino ficou cicratiz, assim como nas das demais vítimas: Matheus, Ionar Marília Monteiro Pereira e Maikson Pereira Meaurio. Já Wilson Meaurio, morreu no local atingido por vários disparos.

Com exceção de Matheus, todos foram ouvidos em juízo nesta quinta-feira, na primeira audiência sobre o caso. O policial não compareceu e o advogado dele, Ronaldo Franco, apresentou atestado médico. Samuel está em tratamento piscológico.

Os relatos das vítimas, assim como o de Vanessa Pereira Meaurio, filha de Ionar e Wilson, e de Karine Karolina Martins Maldonado, foram marcados pela emoção. Quase todos choraram e Vanessa, que estava com o bebê de um mês no colo, precisou pausar por várias vezes o depoimento.

Todos apresentaram as suas versões para o caso e pelo menos dois disseram que viram sangue na roupa de Samuel.

Ionar foi a primeira ser atingida. Ela estava no portão. Wilson na sala e as demais pessoas - conforme seus relatos, com exceção de Karine - dormindo.

Após atingir Ionar e Wilson, Samuel foi para os quartos onde por pouco, segundo Vanessa, não acertou ela - grávida e as filhas - e feriu as demais pessoas.

Bastante nervosa, Ionar declarou: “Só escutei os tiros e as crianças gritando. (...) Só não atirou na minha filha, porque o resto, atirou em tudo”.

Um dos filhos dela, de 16 anos, chegava em casa no momento em que a confusão acontecia do lado de fora. Após alguns minutos na residência, foi baleado. Nesta quinta-feira, declarou à Justiça. “Quando eu cheguei tinha uma mulher atirando na esquina. Quando saí para ver o que acontecia, o cara já chegou atirando em mim”, resume.

Os três e ainda outro baleado por Samuel prestaram depoimentos. Vanessa, que não foi atingida, disse que agrediu Samuel, que discutiu com ele e por pouco também não foi atingida, assim como a filha de quatro anos.

“Quando ele apontou a arma para mim dei uma garrafada na cabeça dele. Minha filha de quatro anos foi para a frente dele e ele apontou a arma”, declarou a jovem.

Carro do policial foi danificado e roupas ficaram com sangue. (Foto: Divulgação)Carro do policial foi danificado e roupas ficaram com sangue. (Foto: Divulgação)

Briga antes dos tiros - Karine é esposa de um dos acusados, Mailson Pereira Meaurio, e estava junto dele quando ‘tudo começou’. Na versão dela, ela havia saído da casa da sogra e seguia para a sua residência, junto com o marido, a pé.

Alguns metros depois, na esquina, o casal parou e em seguida quase foi atropelado pelo Fox dirigido por Samuel. Maílson reclamou, o policial retrucou e Karine tentou evitar a confusão.

Maílson e o policial brigaram e ela chamou o cunhado, Márcio Pereira Soares. Os três brigaram, Samuel foi para a casa de um morador da rua, onde chamou a irmã - policial civil acusada de disparo de arma de fogo - e o irmão, também policial militar.

Quando a policial civil chegou fez disparos de tiros, Samuel saiu da casa, já armado e entrou na residência onde a família Meuario morava.

Duas testemunhas também ouvidas em juízo nesta quinta-feira contaram que viram a pessoa de apelido Laion com um pedaço de pau na mão danificar o carro de Samuel e outras balançando a grade do imóvel onde o policial se abrigava.

Os dois rapazes também relataram que viram uma mulher disparando tiros no local onde havia ocorrido a briga.

Como está?- O processo está na fase de instrução, que são as oitivas de testemunhas e interrogatório dos réus. Samuel foi preso em flagrante, mas, já está solto por habeas corpus.

Márcio Pereira é acusado de tentativa de homicídio contra o policial, está preso, mas deve ser solto em breve. Maílson, réu pelo mesmo crime que o primo até o início da audiência era considerado foragido.

A irmã de Samuel responde por disparo de arma de fogo, foi autuada em flagrante, pagou fiança e está em liberdade. Ela compareceu à audiência, mas, foi dispensada.

Ao terminar de ouvir as testemunhas e interrogar os réus, defesa e acusação apresenta alegações e o juiz - neste caso o da 2ª Vara do Tribunal do Júri - decide se manda os réus a júri ou não. Há possibilidade do processo ser desmembrado.



Assassino, frio, louco não é, tava bêbado com certeza, só isso explica atirar em crianças, covarde com certeza, louco não, vai querer aposentadoria??? Cadê o ministério público deste Estado que não existe? Cadê as pessoas que acham que deve haver justiça? Vamos apenas deixar um arrogante com revolver resolver seu problema na bala, na próxima pode ser uma batida com o carro de um juiz.
 
Carlos Roberto em 23/03/2012 11:34:05
E ainda tem gente que quer defender o policial. rsrsrs, mas no entanto, todos agiram errado, as pessoas da família por agredir o policial, e o policial por usar de seu poder para fazer os disparos.
 
Weslley Souza em 23/03/2012 07:31:30
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