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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

10/06/2015 11:45

Professores da UFMS decidem fazer greve a partir de segunda-feira

Flávia Lima
Assembleia que decidiu pelo movimento contou com a presença de pelo menos 100 docentes. (Foto:Marcos Ermínio)  Assembleia que decidiu pelo movimento contou com a presença de pelo menos 100 docentes. (Foto:Marcos Ermínio)

Em assembleia na manhã desta quarta-feira (10), os professores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) aprovaram greve da categoria a partir da próxima segunda-feira (15). A reunião contou com a presença de pelo menos 100 docentes, que se revezaram durante a explanação do sindicato, porém, no momento do voto estavam presentes 86 professores.

Segundo o presidente da Adufms (Associação dos Docentes da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), desse total, apenas dez votos foram contrários a paralisação. O comando da Adufms está montando um comitê de greve para avaliar a adesão do movimento a partir da próxima semana e definir as estratégias de mobilização.

“Nosso objetivo agora será sensibilizar os demais colegas que não aderiram sobre a importância do movimento”, ressaltou José Carlos.

Entre os campi do interior, Corumbá, Aquidauana e Ponta Porã também optaram pela greve. A categoria reivindica reajuste de 27,3%, além de reestruturação da carreira e melhorias nas condições de trabalho. O presidente da Adufms destacou que o governo federal promoveu um corte de R$ 9 bilhões na Educação, mas aprovou pacote de investimentos de R$ 198,4 bilhões para a privatização de portos, estradas e aeroportos. “O governo fala que não tem dinheiro, mas na verdade ele só mudou as prioridades”, afirmou durante a assembleia José Carlos.

Ele disse que um professor federal com Mestrado em carreira inicial recebe por 20 horas, R$ 2.080,00 e que o valor é reajustado apenas após os três primeiros anos de estágio probatório.

A paralisação dos docentes e funcionários técnico-administrativos já atinge 44 das 63 universidades federais do país.

José Carlos ressaltou que os sindicatos que representam os profissionais das universidades federais encaminharam a pauta de reivindicações ao Ministério da Educação no final do ano passado e novamente em fevereiro deste ano, porém, até o momento não houve um chamado para discutir os pontos reivindicados.

Um possível escalonamento do índice de reajuste pedido também é descartado pelos docentes, já que no último enfrentamento da categoria, em 2012, foi negociada proposta de reposição salarial escalonada para os três anos subsequentes, prazo vencido no último mês de março. Desde então, os docentes das universidades federais em todo o país estão tentando o diálogo com o governo federal, porém o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão não se manifestou com uma contraproposta.

Outro problema destacado pelo presidente da Adufms, é a ampliação do número de vagas nas universidades em 150%, no entanto não houve contratações para suprir a demanda. Outro ponto importante entre as reivindicações da categoria é a reestruturação da carreira docente. “Nossa categoria é bagunçada. Há muita diferenciação nos salários, dependendo do nível de enquadramento do docente. Defendemos o mesmo índice para todos”, ressaltou José Carlos.

Apoio – Alunos que participaram da assembleia dos professores se mostraram favoráveis a paralisação. Para eles, além da reposição salarial, há um sucateamento enfrentado pelas universidades federais e falta de estrutura nos cursos.

Foi o que destacou o acadêmico de Educação Física, Eslei Queiroz. Ele destacou que o DCE (Diretório Central dos Estudantes) vai realizar conversas e visitar as salas de aula a partir de segunda-feira para tentar conscientizar os alunos sobre o movimento. Ele diz que os alunos também vem enfrentando problemas com os cortes em bolsas de auxílio e de pesquisa. “Muitos alunos que moram em outros estados estão voltando para casa porque não estão recebendo mais a verba que auxilia na estadia deles aqui na cidade”, explica.

Para o acadêmico, a questão da reposição de aulas pesa, mas não deve ser um empecilho para o movimento. “É importante que o aluno entenda que se o professor é valorizado, ele trabalha motivado e isso influencia na qualidade da aula”, diz.

A acadêmica de Fisioterapia, Gabriela Escobar, também diz que é importante unir os alunos em prol da pauta dos professores. “Não podemos olhar só para o nosso umbigo”, diz. Ela revela que sua turma ficou três meses sem aula de Anatomia pro falta de professor e que agora os alunos estão tendo dificuldade para repor o conteúdo. “Está dificultando o entendimento de outras disciplinas, como Fisiologia, que dependem dessa base”, afirma.

Já a acadêmica de Direito, Renata Facchini Miozzo, apoia o movimento, mas gostaria que a greve não ultrapassasse três meses. "Na última paralisação o calendário ficou apertado para repor e isso acaba provocando um desgaste mental muito grande", diz. No entanto, ela reconhece a legitimidade da greve. "Nossos cursos sofrem com falta de professores e de estrutura", diz.

A UFMS conta com pelo menos 1,3 mil professores na ativa e cerca de 15 mil alunos, segundo dados da Adufms.

 

Acadêmica Renata Facchini aprova movimento, mas não gostaria que impasse durasse mais de três meses. (Foto:Marcos Ermínio)Acadêmica Renata Facchini aprova movimento, mas não gostaria que impasse durasse mais de três meses. (Foto:Marcos Ermínio)
Estudante de Educação Física, Eslei Queiroz acredita ser importante união de alunos e professores. (Foto:Marcos Ermínio) Estudante de Educação Física, Eslei Queiroz acredita ser importante união de alunos e professores. (Foto:Marcos Ermínio)
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