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Capital

“Se ele acordar, me entrega”, alegou serial killer sobre jogar vítima em poço

“Pedreiro assassino” foi interrogado, nesta terça-feira, em processo que investiga uma das 7 mortes confessas

Por Liniker Ribeiro | 16/03/2021 15:26
Cleber de Souza Carvalho, de 44 anos, ao sair de consultório de psiquiatra, onde passou por cosulta para exame de sanidade mental (Foto: Silas Lima/Arquivo)
Cleber de Souza Carvalho, de 44 anos, ao sair de consultório de psiquiatra, onde passou por cosulta para exame de sanidade mental (Foto: Silas Lima/Arquivo)

Após ter o depoimento adiado, Cleber de Souza Carvalho, de 44 anos, foi ouvido na tarde desta terça-feira (16), em audiência por videoconferência. O “pedreiro assassino”, que confessou a morte de pelo menos 7 pessoas, foi interrogado em processo que investiga a morte de Timóteo Pontes Roman. Ao juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Cleber confessou ter jogado a vítima em poço de residência, sem saber se estava viva ou morta.

“Falei, se ele acordar, vai pegar e chamar a polícia para mim. Não sei se estava vivo”, afirmou.

Preso no PCG (Instituto Penal de Campo Grande), Cleber foi ouvido por videoconferência e revelou detalhe da dinâmica que resultou na morte de Timóteo, encontrado no dia 16 de maio do ano passado, no poço da casa onde morava, na Vila Planalto..

O pedreiro contou que conhecia a vítima há cerca de 20 anos e que o crime teria sido cometido por causa de uma dívida. Segundo ele, o desenrolar do homicídio começou depois de o idoso o procurar perguntando sobre agiota e ter feito empréstimo de R$ 3 mil para emprestar a vítima.

“Ele não pagou, foi o que ocasionou o que aconteceu. Esse dinheiro eu emprestei no fim de 2017, dava 450 por mês. Ele falava que não tinha, que ia pagar depois, eu tirava do meu bolso e pagava para ele. ‘Seo’ Timóteo sempre falou que ia pagar, pagar, mas não pagava. Isso ficou dois anos, mais ou menos”, relatou Cleber.

No dia do crime, o pedreiro afirmou ter sido chamado pela vítima em casa, onde prometeu pagar pela dívida e também contratou os serviços do assassino. Segundo ele, dias antes, Timóteo havia solicitado reparos na calçada de sua casa, por isso, na ocasião, ele foi até o endereço da vítima com ferramentas.

“Eu fui para fazer o serviço da calçada, que eu tinha combinado com ele. Era para o material estar lá, areia e cimento. Abriu o portão, mandou eu colocar as ferramentas, levei para o fundo, falou que não tinha comprado os produtos, mas falou que tinha outro serviço”, afirma.

Enquanto a vítima apresentava outra demanda ao pedreiro, a dívida com o agiota voltou a ser assunto entre os dois, conforme relato em depoimento. “Na hora que eu perguntei do dinheiro, falou ‘eu não tenho agora’, começamos a discutir. Ai ele falando, falando, foi reclamar da vida, falei que eu também tenho minhas coisas, devo e tenho que pagar, me xingou, eu xinguei ele, perdi a cabeça e dei duas pauladas nele”, explica.

Segundo Cleber, o objeto usado para agredir a vítima foi um cabo de uma das ferramentas. “O carrinho [de ferramentas] na hora eu puxei, poderia ter sido qualquer ferramenta, a pá, ou a inchada, qualquer coisa”, afirmou o autor.

Sobre os golpes, Cleber contou ter desferido o primeiro com a vítima de lado, próxima a ele. A segunda foi enquanto Timóteo caia. “Depois que ele foi caindo, tinha umas latas em cima do posso, empurrei a tampa, ‘desculpa’ a palavra, vou terminar de matar logo, pensei assim e joguei ele lá dentro”, afirma.

A versão apresentada ao juiz também foi defendida por Cleber ao promotor Douglas Oldegardo e aos advogados de defesa Dhyego Fernandes e Vinicius Teixeira.

Ao promotor, Cleber confirmou que não sabe dizer se a vítima estava viva, quando foi jogada no posso. “Eu não tinha noção do que estava acontecendo na hora”.

À defesa, o assassino disse que estava "meio perturbado" pela morte de José Leonel Ferreira dos Santos, um dia antes. "Sai de lá e fui na casa do Leonel, tinha tido um atrito com ele na sexta-feira, fui lá e enterrei o corpo do Leonel".

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