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Capital

Sem atendimento na Previdência, trabalhadores acumulam dívidas

Por Lidiane Kober | 03/12/2013 16:26
Trabalhadores chegam a esperar 90 dias pelo benefício, denuncia sindicato (Foto: Cleber Gellio)
Trabalhadores chegam a esperar 90 dias pelo benefício, denuncia sindicato (Foto: Cleber Gellio)

Fora do serviço por motivos de saúde, trabalhadores sul-mato-grossenses não conseguem atendimento no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e, sem salário e o benefício, acumulam dívidas e dependem de doações de amigos e parentes para garantir alimentos na mesa da família. O órgão nega o problema e afirma que a espera por perícia médica não passa de oito dias e que o resultado sai na hora.

Pedro Almeida da Silva, no entanto, está sem salário há quase dois meses, quando parou 18 dias no hospital. Ele é prestador de serviço do Sindicato de Movimentação de Mercadorias. Desde 7 de outubro deste ano, vem enfrentando problemas de saúde. “Se não trabalho, não recebo”, comentou.

No dia 13 de outubro, Silva foi internado no Hospital Regional, onde ficou até o dia 30. “Fiz vários exames, mas só 20 dias depois de deixar o hospital saiu o resultado e descobri que estava com leishmaniose”, contou. Segundo ele, assim que foi internado “o sindicato deu entrada no INSS com o pedido do benefício”.

O trabalhador garante que no dia 25 do mês passado foi à previdência e realizou a perícia médica. “Voltei duas vezes lá, mas o resultado não tinha saído”, relatou. “E me falaram que não tinha previsão”, emendou.

Sem salário, de cerca de R$ 1,2 mil, e o benefício, Silva vem acumulando dívidas. “O aluguel e a pensão dos meus dois filhos está atrasada”, revelou, com ar de preocupação. “Estamos com comida na mesa graças à doação de amigos e parentes”, completou.

Para piorar a situação, ele não poderá trabalhar até meados de janeiro. “De segunda a sexta-feira, preciso ir ao hospital fazer tratamento contra a leishmaniose, fico de três a quatro horas tomando soro”, relatou. “É duro pagar os impostos tudo certinho e, na hora que a gente precisa do governo, ficar sem auxílio”, acrescentou.

A assessoria no INSS, por sua vez, garante que o trabalhador não realizou a perícia e que a consulta está prevista para quinta-feira (5). “Não sabemos exatamente o que aconteceu, provavelmente, deve ter faltado algum documento e o médico precisou remarcar a perícia”, explicaram.

Também prestador de serviço do Sindicato de Movimentação de Mercadorias, Osvaldo Cândido Paixão é outro que aguarda a liberação do auxílio. Ele já passou pelo teste da perícia, mas está há três meses a espera da liberação do recurso.

Neste caso, segundo a assessoria de imprensa do INSS, o problema é no sistema da previdência, que não está aceitando os “mais de 100 vínculos” na carteira de trabalho de Paixão. “O sistema entra e sai”, dizem.

Presidente do sindicato, José Lucas da Silva garante que o problema não é isolado. “Não é de agora que eles não dão conta de atender os trabalhadores, que amargam atraso de 60 a 90 dias para receber o auxílio”, disse. “É um descaso com a população, cada dia que passa piora, porque faltam funcionários e tem muita gente despreparada lá”, emendou.

De acordo com a assessoria de imprensa, os 68 médicos do INSS realizam mais de 300 perícias por dia na Capital. A espera pelo exame não passaria de oito dias e o benefício seria liberado 15 dias depois do aval médico. O auxilio seria retroativo a data da perícia. Na hora do exame, o trabalhador precisa apresentar atestado médico e a carteira de trabalho.

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