Empreendedorismo pode ajudar mulheres a escapar da violência, diz Luiza Trajano
Em Campo Grande, liga empreendedorismo à superação de relações abusivas

A empresária Luiza Helena Trajano afirmou nesta segunda-feira (9), em Campo Grande, que o combate à violência contra mulheres passa necessariamente pela união entre homens e mulheres e pelo fortalecimento da autonomia econômica feminina. Durante o evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas”, o Governo de Mato Grosso do Sul realizou o encontro no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, dentro da programação do mês dedicado às mulheres, onde ela fez essa declaração.
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A empresária Luiza Helena Trajano defendeu, em Campo Grande, que o combate à violência contra mulheres requer união entre homens e mulheres e fortalecimento da autonomia econômica feminina. Durante evento no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, ela destacou a importância da mobilização coletiva da sociedade. Trajano compartilhou a experiência do Magazine Luiza após perder uma funcionária há 13 anos, enfatizando que empresas e governos devem criar oportunidades para mulheres vulneráveis. A empresária também criticou as altas taxas de juros no Brasil, argumentando que dificultam o crescimento de pequenos negócios e a geração de empregos.
Durante a participação no painel sobre empreendedorismo feminino, a fundadora do grupo Magazine Luiza afirmou que enfrentar a violência exige mobilização coletiva da sociedade e não pode ser tratado como um problema exclusivo das vítimas. “Eu não acho que é só o empreendedorismo. Primeiro é uma união entre homens e mulheres, porque se o homem não entrar nessa luta dificilmente a gente tira essa violência. Todo mundo perde com isso. Os homens perdem, as famílias perdem e os filhos carregam esse trauma para o resto da vida”, afirmou.
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A empresária também relembrou um caso ocorrido dentro da própria empresa, que, segundo ela, marcou a atuação do Magazine Luiza no tema. “O Magazine Luiza perdeu uma funcionária há 13 anos e a gente prometeu que nunca mais ia perder uma. A partir disso os homens da empresa se envolveram muito com essa causa, porque é um perde-perde muito grande para toda a sociedade”, declarou.
Para Luiza, além da atuação do poder público e das empresas, a independência financeira das mulheres é uma ferramenta importante para romper ciclos de violência doméstica. “A mulher também precisa ter independência econômica. O empreendedorismo pode dar essa libertação econômica, porque muitas conseguem sair desse ciclo quando passam a ter renda própria, quando conseguem sustentar os filhos e tomar decisões sobre a própria vida”, disse.
Ela também sugeriu que empresas e governos criem mecanismos para ampliar oportunidades de trabalho e empreendedorismo para mulheres em situação de vulnerabilidade. “Se 3% ou 4% das empresas reservarem vagas para mulheres vulneráveis nos serviços que contratam, isso já ajuda muito. São iniciativas simples que geram oportunidade real para quem precisa”, afirmou.

Ao falar sobre o papel da sociedade civil, a empresária criticou a ideia de que situações de violência doméstica não devem ser questionadas por terceiros. “Existe aquela frase antiga de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. O Magalu mete há muito tempo. A sociedade civil precisa estar junto com o governo, junto com as empresas e junto com as famílias para eliminar essa violência de uma vez por todas”, disse.
Durante a entrevista, Luiza também comentou sobre o cenário econômico brasileiro e criticou as taxas de juros elevadas, afirmando que elas dificultam o crescimento de pequenos negócios e, consequentemente, a geração de empregos. “Eu sei que isso pode virar manchete, mas eu falo isso há muito tempo: o juro precisa baixar. Com juros altos, nenhum pequeno empreendedor consegue crescer. Quem realmente gera emprego no país é o pequeno e médio empresário, e eles precisam de crédito, inovação e condições para vender”, afirmou.
O governador Eduardo Riedel (PP) destacou que a presença da empresária no evento representa uma inspiração para políticas públicas voltadas ao empreendedorismo e à autonomia feminina. Segundo ele, a trajetória de Luiza Trajano demonstra como iniciativas voltadas à inclusão econômica podem transformar realidades e abrir novas oportunidades. “Inspiração é uma palavra que traduz a presença da dona Luiza aqui. Inspiração para mulheres, para desenvolvimento e para empreendedorismo. A história dela mostra que é possível ampliar oportunidades, principalmente para aquelas mulheres que têm menos acesso”, afirmou.
Riedel também comentou questionamentos sobre a eficácia de cadastros de agressores e disse que mudanças mais profundas dependem de ajustes na legislação federal. Segundo ele, algumas ferramentas legais poderiam ser aprimoradas para ampliar a proteção às vítimas. “Esse é um trabalho que a gente precisa aperfeiçoar o tempo todo. Muitas dessas questões dependem de mudanças na legislação federal, e esse debate precisa avançar para que possamos melhorar os mecanismos de proteção”, disse.
O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (PSD), afirmou que Mato Grosso do Sul tem buscado fortalecer tanto a repressão aos crimes quanto as políticas preventivas voltadas às mulheres. Ele destacou que os casos de feminicídio no Estado são investigados com prioridade e que há investimentos em medidas de prevenção e conscientização social.
“Mato Grosso do Sul utiliza hoje algumas das melhores ferramentas de celeridade e resposta nesses casos. Os inquéritos são relatados, as autorias são esclarecidas e os responsáveis são presos. Mas além da repressão é fundamental trabalhar a prevenção e a mudança cultural”, afirmou.
Segundo Barbosinha, o enfrentamento da violência contra mulheres também depende da transformação de padrões culturais que ainda persistem na sociedade. “Infelizmente ainda existe uma cultura machista em muitos lugares que coloca a mulher em posição de submissão. Quando essa mulher decide romper uma relação, em alguns casos surge a violência. Por isso é importante trabalhar com as novas gerações para mostrar que quem ama não agride e não exerce violência”, declarou.
A secretária estadual da Cidadania, Viviane Luiza da Silva, afirmou que o governo estadual tem ampliado ações de prevenção e fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres. Segundo ela, o Programa Protege tem ganhado reconhecimento internacional pelas estratégias de enfrentamento à violência.
De acordo com a secretária, representantes do programa estão atualmente em Nova Iorque apresentando as experiências do Estado. “A subsecretária de políticas públicas está em Nova Iorque, a convite da ONU, para apresentar as boas práticas que desenvolvemos aqui, principalmente na área de prevenção da violência contra mulheres e meninas”, afirmou.

Ela também anunciou a assinatura de um acordo para formação de gestoras municipais responsáveis por políticas públicas voltadas às mulheres. Segundo Viviane, a iniciativa busca fortalecer a atuação nos municípios, que são o primeiro ponto de acolhimento para vítimas de violência. “As gestoras estão na ponta, nos municípios, acolhendo essas mulheres. Por isso vamos capacitá-las para que todas estejam alinhadas nas políticas públicas e possam replicar essas ações em suas cidades”, disse.
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