Simulação de homicídio mobiliza policiais e estudantes na UCDB
Atividade reúne 1,5 mil alunos e simula etapas do crime, da cena à audiência de custódia
Na manhã desta quinta-feira (30), uma simulação de homicídio mobilizou o campus da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), em Campo Grande. A atividade reuniu policiais militares e civis, o juiz Albino Coimbra, promotor de Justiça e estudantes de Direito. Um boneco foi utilizado como vítima, enquanto os próprios acadêmicos assumiram os papéis de testemunhas, reproduzindo, na prática, as principais etapas da apuração de um crime.
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A Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, realizou nesta quinta-feira (30) uma simulação de homicídio no campus, reunindo cerca de 1.500 alunos do curso de Direito, policiais militares e civis. A atividade reproduziu todas as etapas de um crime real, da cena do delito à audiência de custódia, com estudantes atuando como testemunhas e suspeitos, visando aproximar a teoria jurídica da prática profissional.
A atividade faz parte da Semana Jurídica da UCDB e começou com a encenação da cena do crime, incluindo a simulação de homicídio, seguida pela prisão em flagrante e pelo trabalho técnico das forças de segurança. A proposta foi apresentar, de forma prática, todo o percurso de um caso criminal, desde o local do crime até o desfecho no Judiciário.
Segundo Maria Teresa Casadei, supervisora do Nuprajur (Núcleo de Práticas Jurídicas), a iniciativa busca aproximar os estudantes da realidade profissional.
“A dinâmica da simulação envolve desde a cena do crime até a atividade exercida pelo Poder Judiciário. Nós vamos apresentar todas as etapas para que os alunos possam vivenciar, aqui dentro da faculdade, a experiência completa, desde a cena do crime até as ações do Judiciário, finalizando com a audiência de custódia”, explicou.

Ela detalha que o exercício inclui diferentes fases do processo penal. “Nessas etapas, teremos desde a prisão em flagrante, passando pela análise da cena do crime realizada por um perito, depois a fase na delegacia e, ao final, a audiência de custódia”, afirmou.
A simulação atraiu cerca de 1.500 acadêmicos. “São estudantes do curso de Direito e outros acadêmicos que passam pelo campus e se deparam com essa cena inusitada e também acabam participando”, disse.
Para a supervisora, o impacto pedagógico está diretamente ligado à experiência prática. “O aprendizado por meio da prática é muito mais efetivo do que apenas o ensino em sala de aula. Quando o aluno aprende aliado à emoção, ao se deparar com essa cena, a curiosidade é despertada. Tudo isso aguça o conhecimento e estimula a busca por aprender mais”, destacou.
Ela reforça que a proposta é reduzir a distância entre teoria e prática. “Essas ações do Judiciário, quando estudadas apenas pelos livros, acabam ficando distantes da realidade. A proposta aqui é justamente aproximar o aluno dessa rotina jurídica. Com essa base prática, poderão se tornar profissionais muito mais preparados”, completou.
Estudante do oitavo semestre de Direito, Emanuelle Ferreira Borges Palhares de Souza acompanhou a atividade e destacou o contraste entre o aprendizado teórico e a vivência prática, apontando ganhos claros na compreensão dos conteúdos. “Foi uma experiência muito marcante participar do evento. Eu creio que está sendo muito esclarecedor para todo mundo", disse.
Segundo a estudante, o conteúdo apresentado na atividade já havia sido abordado ao longo da formação em Direito Penal e Direito Processual Penal. Ainda assim, ela ressalta que a vivência prática, aliada ao contato direto com profissionais que atuam na área, como militares e civis, proporciona uma compreensão diferente e mais concreta do que é visto apenas na teoria.
"Fica tudo muito mais claro, muito mais palpável. Sair da teoria, do papel, do código, da lei, e poder ver com os próprios olhos e acompanhar tudo é muito diferente. Foi ótimo".
Papel da investigação - O delegado José Roberto de Oliveira Júnior, da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos), participou da atividade e explicou o papel da Polícia Civil na ocorrência.
“O delegado de polícia é responsável por preservar o local. Assim que toma conhecimento do fato, ele se desloca até a cena e verifica se o ambiente está devidamente preservado”, afirmou.
Ele detalhou os procedimentos técnicos realizados após a simulação de homicídio. “Uma vez garantida essa preservação, iniciamos o trabalho técnico e jurídico, analisando o local do crime. Passamos a coletar vestígios, como instrumentos do delito, por exemplo, faca ou arma de fogo, além da análise do corpo”, disse.
De acordo com o delegado, o trabalho é integrado à perícia. “Esse trabalho é feito em conjunto com a perícia, para a materialização do óbito e para tentar definir, ao menos de forma preliminar, as circunstâncias em que os fatos ocorreram. Concluída essa etapa no local, seguimos para a investigação subsequente”, explicou.
Para ele, a simulação também tem papel educativo sobre o funcionamento das instituições. “É uma iniciativa muito interessante, porque mostra, na prática, a atuação das instituições. Permite compreender o papel da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Científica”, afirmou.
O delegado acrescenta que a atividade ajuda a corrigir percepções equivocadas. “Percebemos que a população, às vezes, confunde essas funções e acredita que todas fazem a mesma coisa. Uma atividade como essa ajuda o estudante a entender melhor cada atuação”, disse.
Além disso, ele aponta um possível impacto na escolha profissional dos estudantes. “Pode despertar interesse pela carreira policial, incentivando, por exemplo, a participação em concursos para delegado de polícia. Assim, o público consegue identificar com mais clareza o papel de cada instituição e de cada agente do Estado”, concluiu.
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