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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

03/02/2012 16:55

CRM abre sindicância para apurar morte de travesti durante lipoescultura

Paula Maciulevicius e Nadyenka Castro

 CRM abre sindicância para apurar morte de travesti durante lipoescultura

O CRM (Conselho Regional de Medicina) abriu sindicância para apurar se houve irregularidade no procedimento cirúrgico que resultou na morte da travesti Pabrícia, 26 anos, na tarde de ontem no hospital São Lucas, em Campo Grande.

Segundo o presidente do Conselho, Luis Henrique Mascarenhas, o CRM vai ouvir o médico e a equipe de enfermagem e analisar toda documentação relativa ao procedimento cirúrgica. Caso seja constatada irregularidade, será aberto processo ético-profissional.

Ainda de acordo com Mascarenhas, o fato de hospital São Lucas, onde a cirurgia foi realizada, não ter CTI (Centro de Terapia Intensiva), não quer dizer que haja problema.

“O hospital não é obrigado, não tem que ter CTI preparada para atender o paciente”, diz. O presidente alerta que o paciente deve avaliar se o hospital tem estrutura adequada.

O cirurgião plástico que realizou o procedimento, Paulo de Oliveira Lima, convocou entrevista coletiva para a tarde de hoje.

Sepultamento - O corpo de Pabrícia, que no registro era Rosenildo Martins, está sendo levado para Nobres, no Mato Grosso, onde a família da travesti vive.

Para acompanhar o transporte do corpo, uma sobrinha de Pabrícia veio a Campo Grande. Fernanda Soares da Silva Paim, 28 anos, disse que o questionamento da família é em relação à estrutura do hospital.

“O que a gente está meio indignado é que não era o hospital próprio para fazer este tipo de cirurgia. Se tivesse uma UTI meu tio não teria morrido”, diz.

Fernanda relata que Pabrícia havia feito um depósito de R$ 8 mil ao médico pela cirurgia e alguns exames em Cuiabá.

A história da cirurgia começou em dezembro. Pabrícia que morava há 3 anos na Itália chegou no Mato Grosso para passar as festas de fim de ano com a família.

No dia 25 de janeiro ele realizou exames como hemograma completo, eletrocardiograma, como parte da avaliação de risco cirúrgico. Os exames foram apresentados nesta terça-feira (30) ao médico Paulo de Oliveira Lima, que pediu que ainda fosse feita uma ultrassonografia de mamas.

 CRM abre sindicância para apurar morte de travesti durante lipoescultura

Os resultados já estão na mão do delegado, exceto o único pedido pelo cirurgião em Campo Grande, que não foi localizado entre as coisas de Pabrícia.

“Eram poucos exames e a internação também não foi adequada. Ele tinha que ter acompanhante. Meu tio internou sozinho e morreu sozinho”, desabafa Fernanda.

O que assustou a família foi descobrir que o hospital era infantil. A sobrinha acredita que não havia suporte e não era local próprio para uma cirurgia. “Se tivesse o suporte necessário meu tio poderia estar vivo ainda”.

Entre os exames, um receituário do hospital São Judas Tadeu, no Mato Grosso, confirmando que o paciente tinha risco cirúrgico I.

“Era uma cirurgia de alto risco, eu queria saber se o médico estava acostumado a fazer neste hospital, mas agora não adianta. Ele veio vivo e volta dentro do caixão”, acrescenta.

A família aceitava a opção de Rosenildo em ser Pabrícia e o que mais dói na sobrinha é ver que que alguém amado por todos, morreu sozinho.

“Às vezes olha um travesti e fala não tem família, é só um travesti. Mas meu tio é diferente, era querido por toda a família”.

Burocracia - O corpo só pode ser levado para a cidade onde vai ser enterrado, em Nobres, depois das 14h de hoje, mesmo estando liberado pelo IML desde às 8h da manhã.

Fernanda sustenta que precisou pagar pelo atestado de óbito R$ 200. “Eles disseram que só podia ser feito pela funerária. A funerária me cobrou isso, pelo menos no meu Estado é gratuito. Queria uma resposta se era preciso pagar tudo isso. Mas além de matarem meu tio eu não ia poder levar o corpo?”, questiona.

A previsão é de que a funerária de Rondonópolis que veio buscar o corpo chegue entre meia-noite e 2h da madrugada, para então dar início ao velório e sepultamento.

Justiça - A família vai acompanhar todo o caso com a Polícia. Por enquanto, segundo Fernanda é só esperar sair o laudo que está previsto para sair em 40 dias.

“Até então não tem a causa da morte, vamos esperar para poder ver o próximo passo. Se apontar para erro, vamos entrar na Justiça contra o hospital e o médico. Hoje a vida do meu tio não volta mais, mas não quero que outras passam pelo que o meu tio passou”, finaliza.



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