“Sou brasileiro”: nipo-brasileiros recusam rótulo de estrangeiro em dia de jogo
Em dia de Brasil x Japão, descendentes falam de origem, torcida e pertencimento
“Sou brasileiro.” A frase aparece de formas diferentes nas falas de descendentes de japoneses reunidos nesta segunda-feira (29), na Associação Nipo Brasileira, em Campo Grande, para acompanhar Brasil x Japão. O jogo reacendeu uma pergunta que muitos já ouviram desde a infância: afinal, para quem você torce?
RESUMO
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Descendentes de japoneses reunidos na Associação Nipo Brasileira, em Campo Grande, para assistir ao jogo entre Brasil e Japão afirmaram torcer pelo Brasil sem hesitação. Para eles, ter origem japonesa não diminui a identidade brasileira. Apesar de frequentemente serem chamados de japoneses, especialmente em dias de jogo, os entrevistados disseram encarar as brincadeiras com bom humor, reforçando que nasceram e vivem no Brasil.
A resposta, pelo menos entre os entrevistados pela reportagem, veio sem drama, mas com uma mensagem clara. Ter origem japonesa não torna ninguém menos brasileiro.
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Henrique Oshiro, de 22 anos, diz que costuma ouvir brincadeiras sobre ser “japonês” em vez de brasileiro, principalmente em dias de jogo. Ele afirma que não leva o comentário como ofensa, mas reforça que nasceu e vive no Brasil. “Eu levo na esportiva, isso aí é supernormal. Mas, como eu sou brasileiro, vou torcer para o Brasil mesmo”, disse.
A fala resume uma situação comum entre descendentes: o sobrenome, o rosto e a herança familiar muitas vezes fazem com que sejam colocados no lugar de estrangeiros, mesmo quando a ligação com o Brasil é a vida inteira.
Para Bruno Noda, de 42 anos, servidor público federal, o vínculo com o Japão existe pela história da família, mas a torcida principal sempre foi brasileira. “Eu já sou brasileiro, nasci aqui. Meus avós que eram mais da parte do Japão. Então, a vida toda a gente torceu para o Brasil. A gente tem um afeto pelo Japão por causa da nossa origem, mas aqui é Brasil”, afirmou.
Bruno também contou que, em alguns momentos da vida, especialmente na escola, ouviu ser chamado de japonês. Para ele, isso nunca apagou a identidade brasileira. “A gente leva para o lado positivo, e não para o negativo. Sempre tem o orgulho de ter a origem japonesa também e de ser brasileiro também”, disse.
Edvaldo Nakazoni, de 64 anos, comerciante, segue a mesma linha. Ele diz que as cobranças para torcer pelo Japão aparecem mais como brincadeira. “É tranquilo, é mais no sentido de brincadeira. A gente não leva muito a sério. A gente está acostumado”, afirmou.
A aposentada Nair Luriko Shiraishi Okamoto, de 68 anos, vê Brasil e Japão como países ligados pela imigração e pela convivência. Para ela, não há rivalidade verdadeira entre os dois lados. “São países irmãos. Nós não somos concorrentes”, disse.
Mesmo assim, ela reconhece que a torcida fica dividida quando as duas seleções se encontram. “A gente tem que levar na esportiva. Se levar tudo a sério, a gente não vive. Levando numa boa, a gente é mais feliz”, termina.
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