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Capital

Suspeito de obstruir investigação, advogado passou 5 dias na cadeia

Justiça deferiu prisão de Anderson Buzo, advogado de ex-guardas e segurança acusados de integrar milícia comandada por Jamil Name

Por Silvia Frias e Marta Ferreira | 20/01/2021 13:35
Os ex-guardas municpais Rafael Antunes e Robert Kopetski quando foram presos, em maio de 2019 (Foto: Arquivo)
Os ex-guardas municpais Rafael Antunes e Robert Kopetski quando foram presos, em maio de 2019 (Foto: Arquivo)

A suspeita de prejudicar a investigação dos crimes pela Operação Omertà colocou na prisão o advogado Anderson Luiz Ferreira Buzo, por ordem da juíza Eucélia Moreira Casal, da 7ª Vara Criminal de Campo Grande.

Segundo o Campo Grande News apurou ele  foi para a cadeia do dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal,  e saiu cinco dias depois, beneficiado por habeas corpus do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Ele ficou em cela especial para profissionais do Direito no Presídio Militar de Campo Grande.

No mesmo dia da prisão, foi cumprida busca e apreensão tanto na casa do advogado quanto no escritório, com  acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Anderson representa os ex-guardas municipais Robert Vítor Kopetski e Rafael Antunes Vieira, além do segurança particular Flávio Narciso Morais da Silva na investigação que ficou conhecida na Operação Omertà, que apura a ação de quadrilha comandada por Jamil Name e Jamil Name Filho, presos desde setembro de 2019.

Coação - Investigação do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros) aponta que os ex-guardas e o segurança teriam ameaçado testemunha após a descoberta de paiol da organização, no Jardim Monte Líbano, e da prisão do também guarda municipal Marcelo Rios, fatos ocorridos no dia 19 de maio de 2019.

A mulher de Rios, Eliane Benitez Batalha dos Santos, havia prestado depoimento e confirmado a participação do marido no esquema, mas teria sido coagida pelos três a mudar o depoimento, o que aconteceu diante do juiz.

Obstrução – No pedido de prisão formulado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) consta que Anderson Buzo teria contribuído para prejudicar as investigações, na “manutenção do silêncio de outros integrantes e respectivos familiares” dos envolvidos no processo.

Em uma interceptação telefônica do advogado com a mãe de Rafael Antunes Vieira, os promotores interpretam que Anderson Buzo “deixa transparecer possível conhecimento e atuação em atos destinados a embaraçar a investigação”.

Na conversa, ela  afirma ter falado com Eliane Benitez e que o plano de Marcelo Rios assumir a autoria dos crimes estaria vigente, mas desabafou sobre a dificuldade de absolvição do filho. Em resposta, o advogado diz: “se o Marcelo cumprir com o combinado, aí dá sim”.

A mãe de Rafael Antunes também demonstra preocupação em deixar de receber valores, não especificados na conversa. “(...) o pouco que se tem ainda tirar, aí lascou, né Anderson”. Ele responde: “eles não vão fazer isso não, eles não são doidos (...) eles são brabão, mas não são burros. Já pensou se todo mundo resolve abrir a boca”.

O Gaeco avaliou como imprescindível a prisão do advogado para elucidação dos fatos, pedindo a prisão temporária por prazo de 30 dias e o cumprimento de busca e apreensão na casa e nos dois endereços de trabalho do advogado.

A juíza Eucélia Casal, da 7ª Vara Criminal,  deferiu o pedido, além da autorização de busca e apreensão dos aparelhos telefônicos e perícia nos demais equipamentos, como notebook, tablet e pen drives que fossem encontrados. A decisão foi assinada no dia 18 de dezembro.

A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com o advogado Anderson Luiz Ferreira Buzo, que confirmo a prisão, mas que teve a liberdade concedida cinco dias depois, por meio de habeas corpus. Inicialmente, disse que preferia não comentar o assunto, mas, em seguida, defendeu-se, dizendo que estava fazendo o seu trabalho e conversando com clientes ou parentes de clientes.

“Isso foi interceptação telefônica com clientes e eles chegaram a essa conclusão”, declarou.

O material apreendido está sendo analisado por força-tarefa da Polícia Civil responsável pela Omertà. A investigação tem ao 18 alvos, cujo pedido de prisão foi rejeitado pela juíza na mesma decisão.

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